POV: Melissa Silva
Eu ouvi cada palavra daquela conversa na sala, mas enquanto minhas irmãs choravam ou planejavam guerras, meu sangue fervia de um jeito diferente. Elas acham que eu sou só a "caçula baladeira" que vive em baile funk, mas não fazem ideia de que, entre um drink e outro, eu ouço tudo o que acontece nessa cidade.
— Vocês estão preocupadas com os pontos da rua? — Falei, levantando do sofá e jogando o cabelo para trás. — Eu conheço quem fornece a mercadoria. Conheço os donos das baladas onde os caras que traíram o Tio Léo gastam o dinheiro que roubaram da gente.
Isadora me olhou com aquele ar de reprovação, mas eu nem liguei. Ela pode ser o pilar, mas eu sou a dinamite. Se alguém encostar no Oliver ou na Elisa, eu não vou só "dar um tiro". Eu vou destruir a reputação, os contatos e a paz de quem quer que seja.
— Melissa, você não sabe no que está se metendo — a Isa avisou.
— Eu sei exatamente onde estou, Isa. Eu estou no meio de uma família que só apanha faz dez anos. Primeiro o Tio Léo, depois o nosso primo... Agora o Oliver? — Senti o ódio subir pela garganta. — Eu posso ser baladeira, mas eu entro em qualquer briga por vocês. E eu conheço gente que faz o serviço sujo sem nem perguntar o nome.
Peguei minha bolsa e o batom vermelho. Se a Elisa e o Luan iam tomar as ruas, eu ia tomar a noite. Eu ia usar cada contato, cada "amigo" influente das áreas VIPs para descobrir quem estava armando contra o meu irmão no presídio.
— Vou para o baile — anunciei, já na porta. — Mas não vou para dançar. Vou para buscar nomes. E quem estiver na minha lista, vai desejar nunca ter ouvido o sobrenome da nossa família.