Marca na Pele

1632 Words
CAYO Mano, eu tô tentando fingir que tá tudo sob controle. Acordo, ela tá do meu lado, aquele cabelo loiro espalhado no meu travesseiro barato, e por um segundo, o mundo é perfeito. O Zyon tá roncando baixinho no colchão no chão, e eu tenho os dois tesouros que importam, debaixo do meu teto. Mas aí o celular dela vibra. De novo. Não é mais um zumbido, é um grilo de desgraça, insistente, lembrando a gente que lá fora existe um mundo que quer ela de volta. Um mundo de gente que toma champanhe no café da manhã e acha que motoboy é um ser invisível. Ela tem ignorado. No terceiro dia, ela pegou o maldito aparelho, olhou pra tela com uma cara de cansaço que me deu uma dó do c*****o, e desligou. Jogou na bolsa e fingiu que aquilo não existe. Mas eu sei que existe. O cerco tá fechando, eu sinto no meu osso. O ar tá pesado, igual antes de tempestade. O pior é o tal do Humberto. O noivo. O cara certo. O fantasma dele mora aqui. É um cara influente, ela disse isso uma vez, sem querer, numa daquelas conversas que ela imitava as vozes dos pais e dele, pra me fazer rir. "Sou de família tradicional, muito bem relacionada. Cheio de influência em várias áreas." O que significa que se ele quiser f***r com a minha vida, ele consegue. E se ele aparecer aqui, com o terno dele e as palavras certas na boca? Será que ela aguenta? Será que a patricinha não vai olhar pra ele e lembrar do conforto, da paz podre de uma vida sem luta? Essa dúvida é um câncer. Ela rói minha mente quando eu tô consertando uma moto, quando eu tô tomando banho, quando eu tô enfiado nela, no escuro, e ela geme que me ama. Será que é amor de verdade, ou é só a adrenalina da rebeldia? Quando a poeira baixar, e ela tiver que lavar roupa na mão porque a máquina quebrou, quando o dinheiro tiver curto e a gente tiver que comer ovo a semana inteira, será que o brilho nos olhos dela some? Eu comecei a planejar nossa vida. É uma idiotice, eu sei. Mas é o que me mantém são. Penso em assumir ela de vez. Alugar um lugar maior, botar uma cama de verdade pro Zyon, comprar tudo que ela goste. Talvez a gente possa morar juntos, os três. Eu e ela, casar no papel, formar uma família de verdade. Eu compro uma aliança de ouro, nem que seja a mais fininha, e coloco no dedo dela. Quero ver o Humberto engolir isso. Mas no fundo, no fundo, mais fundo que eu nem gosto de visitar, eu tenho medo. Medo de oferecer tudo isso e ouvir um "não". Medo de ela rir da minha cara. Medo de ela aguentar um mês, dois, e aí a saudade do ar condicionado, salão de beleza semanal e das unhas bem feitas vencer. A gente não fala sobre isso. É um acordo não dito. A gente vive numa bolha de paz, aqui dentro dessas quatro paredes. Durante o dia, eu vou pra oficina. A "Ogro Mecânica" tá movimentada, graças a Deus. Suo, me sujo de graxa, conserto a p***a de um carburador e penso nela. Volto pra casa morto de cansado, e a casa tá cheirando... diferente. Não é mais o cheiro de solitário e cerveja. É um cheiro de coisa limpa, de vela queimada e dela. Ela cuida da casa. Não como uma empregada, mas como se fosse dela. Arruma as minhas poucas coisas, faz compras no mercadinho do bairro, tenta cozinhar – essa parte ainda é um desastre, mas ela tenta. E quando eu chego, ela tá lá. Às vezes lendo um livro no sofá, às vezes assistindo desenho com o Zyon. Ela me vê e sorri, e é um sorriso que não é de patricinha, é de mulher. É um sorriso que me diz "eu escolhi estar aqui". E a noite... a noite é nossa. Depois que o Zyon apaga, o ar na sala fica pesado, carregado. A gente se encontra no meio do cômodo, sem precisar combinar. É uma dança que a gente já sabe os passos. Eu tiro a camisa suja de graxa e óleo, e ela já tá me olhando da cozinha, com aquele olhar que me deixa maluco, meio doce, meio selvagem. É um olhar que diz que ela quer ser dona e posse ao mesmo tempo. A gente não fala nada. Ela vem até mim, desliza as mãos pelo meu peito suado, e eu sinto o arranhar leve das unhas dela. É o sinal. Eu seguro a nuca dela e puxo pra um beijo que é mais uma guerra do que um carinho. É com dentes, língua, com um gosto de desespero e de “eu preciso te provar que isso é real”. Eu empurro ela contra a parede do corredor, aquele lugar estreito que leva pro banheiro – o único cômodo da casa com porta. O coração tá batendo na trave, um tambor surdo e acelerado. Ela solta um gemido abafado contra a minha boca quando a minha mão desce e aperta a cintura dela, puxando o quadril dela contra o meu. Eu já tô duro pra c*****o, latejando de vontade. — Cayo. — ela sussurra, ofegante, e o jeito que ela fala o meu nome, como se fosse uma oração ou uma maldição, me tira do sério. Entramos no banheiro, eu fecho a porta com o pé e giro ela, de costas pra mim. Ela se inclina pra frente, apoiando as mãos na pia, e me olha pelo espelho embaçado. O olhar dela é de desafio, de entrega total. Eu desço o shorts dela e a calcinha de uma vez, num movimento brusco. Minhas mãos, essas mãos grandes e ásperas que só sabem lidar com motores, percorrem as coxas dela, abrindo, posicionando. — Você é minha. — eu rosnou no ouvido dela, não é uma pergunta, é uma afirmação, um aviso. — Só minha. Esquece o mundo lá fora. Esquece tudo. Esse seu corpo é meu. Essa b*******a é minha. Eu dou um tapa forte na b***a dela, esfrego meu p*u no c******s dela e ela geme, um som profundo e gutural, quando eu entro de uma vez e aperto o pescoço dela com as duas mãos, enforcando o suficiente pra ela sorrir de prazer com meu p*u fodendo. É um encaixe perfeito, doloroso e doce. O banheiro fica pequeno, o ar some, só sobra o suor, o calor dos nossos corpos, o som úmido da nossa f**a. Eu seguro os quadris dela com uma força que sei que vai deixar marcas roxas, e meto com uma fúria que é metade amor, metade desespero. Cada investida é um “fica?”. Cada gemido abafado dela é um “sim”. Eu puxo o cabelo dela pra trás, sem gentileza, mas com firmeza, expondo o pescoço longo, e enterro os dentes no ombro dela. Não pra machucar de verdade, mas pra marcar. Para que amanhã, quando ela se olhar no espelho, veja a minha assinatura na pele branquinha e lembre quem é o dono dela. Ela grita, um grito abafado pela própria mão que ela levou à boca, e o corpo dela treme todo, contraindo em volta de mim de um jeito que quase me faz perder o controle. — Quem é seu dono? — eu pergunto, a voz um rosnado contra o pescoço dela, enquanto eu continuo movendo, mais devagar agora, explorando cada centímetro daquele calor. — Você, Cayo. Só você. — ela arqueia as costas, as palavras saindo entrecortadas. Eu giro ela de novo, agora de frente, e levanto ela no colo, apoiando contra a porta. Ela prende as pernas na minha cintura, e eu afundo meu p*u nela de novo, olhando fundo nos olhos dela. É aqui que eu acredito em nós. Naquele olhar vidrado, perdido no prazer, sem nenhum vestígio do mundo dela. É só eu. Só nós. O suor escorre da testa dela, mistura com o meu, e eu bebo aquilo como se fosse a água mais pura do mundo, lambendo aquele rosto perfeito da mulher que eu amo. Quando eu g**o, é com um rugido abafado no pescoço dela, um tremor que vem dos pés à cabeça, como se eu estivesse expulsando todos os demônios da minha alma. E ela geme junto, os corpos convulsionando tremendo, ela tá gozando também gemendo e dizendo o meu nome como um mantra. A gente fica ali, escorregando pela porta até o chão frio do banheiro, os dois ofegantes, um em cima do outro. O ar tá pesado com o cheiro do sexo, do nosso suor. Eu seguro ela contra o meu peito, onde o coração ainda bate descompassado, e sinto o corpo mole dela, completamente entregue. É nesses momentos que a minha fé volta. Acredito que ela é minha, que a gente pode vencer, que o amor a gente constrói no suor, no gemido e na marca roxa na pele, não no champanhe e no sorriso falso de jantares de gala. Mas aí, no meio da noite, eu acordo e vejo ela dormindo. A luz da rua entra pela janela e ilumina os brincos caros dela em cima da mesinha. Dois diamantes pequenos que valem muito. E a dúvida volta. Um sussurro venenoso. Ela desligou o celular, mas o mundo não desligou. O Humberto não desligou. A merda tá à vista, só a gente que tá fingindo que não. E eu, aqui, segurando ela no escuro, tomando uma cerveja barata e rezando pra que o meu amor seja suficiente pra compensar tudo que ela deixou pra trás. Porque se não for, eu não sei o que que sobra de mim.
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