O autor sugere um erotismo moral, susce-
tível de conduzir o homem à realização espi-
ritual: “A infância constitui o tempo da edu-
cação; a juventude e a maturidade estão consa-
gradas à obtenção de bens e do amor; a velhice
é o tempo dos deveres religiosos com o obje-
tivo de alcançar a libertação final (Moska)”.
O erotismo moral, concebido por
Vatsyayana, constitui um estímulo para des-
frutar dos prazeres, ainda que se devam ter
presentes, sempre, os valores espirituais.
Vatsyayana convida os homens a empreender
tudo o que conduz à união desses três valores,
destacando que devemos nos abster de toda e
qualquer ação unilateral em detrimento dos de-
mais valores. Tudo é equilíbrio. O respeito
pelos três valores terrestres deve conduzir à
felicidade: a alma necessita da vida espiritual; a
consciência, da moral; o espírito, do amor; e o
corpo, do bem-estar.
O espírito do Kamasutra é muito caracte-
rístico do bramanismo: todos os atos da vida
civil estão integrados nos deveres e nos ritos
religiosos.
O ensino do Kamasutra não visa jamais a
mera satisfação das paixões, nem o gozo
desmesurado delas. O êxtase s****l surge
como uma experiência superior à razão: uma
voluptuosidade suprema na qual nos aproxi-
mamos do divino. Assim sendo, reflete o sis-
tema de pensamento religioso, jurídico ou
moral da sociedade em que vivia Vatsyayana.
Uma sociedade na qual a arte erótica fazia
parte da educação das crianças e dos adoles-
centes.
A Índia dos nossos dias está muito mais
impregnada de religiosidade e puritanismo, tal-
vez por ter sido influenciada pelo islamismo e
também pela cultura britânica.
A moral judaico-cristã prevaleceu no Oci-
dente durante muito tempo, uma moral que re-
prime o instinto s****l dos indivíduos e que os
mantém num trágico estado de imaturidade se-
xual. Felizmente, de algumas décadas para cá,
a mentalidade começou a evoluir na maioria
dos países.
O puritanismo autoritário e os integra-
lismos religiosos continuam a existir pelo