Vatsyayana compôs a sua obra com a
ajuda de textos escritos por autores que vive-
ram mais de mil anos antes dele; todavia, ele
conta que controlou, por meio da sua experi-
ência pessoal, as práticas que propõe.
De acordo com Yoashodhara, a origem da
ciência erótica remontará ao mítico Mallanaga,
“o profeta dos Asura” (nos tempos pré-
históricos). Os primeiros escritos são atri-
buídos a Nandi, companheiro de Shiva, que
havia transcrito esta ciência para a humanidade
(o Kama Shashtra ou as Regras do Amor, um
código de saberes que aborda todos os aspec-
tos mais refinados e as técnicas da voluptu-
osidade s****l).
A obra de Nandi seria mais tarde repro-
duzida por Shvetaketu, no século VIII a.C.,
antes de ser estudada de novo. Uma vez que
era muito extensa, seria resumida por Babhru e
os seus discípulos, conhecidos por Babhravya.
Entre os séculos III e I antes da nossa era,
outros autores (como Charayana, Suvar-
nanabha, Ghotakamukha, Gonardiya, Gonika-
putra e Dattaka) retomariam, em diferentes
tratados, uma ou várias partes do trabalho dos
Babhravya.
Não se pode datar com exatidão o tratado
de Vatsyayana. Os historiadores especializados
na literatura erótica hindu sabem há muito
tempo e que é anterior ao século VIII da era
cristã, pois foi utilizado por Bhavabhuti – um
poeta da corte do rei de Kanauj, por volta de
740 – na sua obra dramática Malatimadhava.
Porém, investigações mais recentes permi-
tiram fixar uma cronologia, ainda que vaga. No
século VI da nossa era, um autor chamado Vi-
rahamihira utilizou diversas passagens da obra
de Vatsyayana no seu Brhatsamhita.
Um episódio narrado no texto de Suvar-
nanabha e retomado por Vatsyayana permite
afirmar que o material é posterior ao século I
a.C. O capítulo dedicado aos movimentos
bruscos e aos gritos do amor evoca a vida do
rei Shatakarni de Kuntala, que reinou no sul da
Índia no século I a.C., e que matou a primeira
esposa acidentalmente, enquanto a abraçava
com paixão… Por isso, conclui-se que o Livro
do Amor teria sido composto entre os séculos I