Décimo terceiro

1050 Words
Nunca pensei que algum dia da minha vida eu estaria comendo com o meu chefe, muito menos achava que veria ele em uma lanchonete simples. De fato, eram coisas que eu nunca pensava que iriam acontecer e cá estou eu ainda sem acreditar. Aquele dia começou triste e agora tinha iniciado de uma forma que eu nunca em vida imaginei. Acho que tinha ganhado na loteria com aquilo. Infelizmente não tive tempo de me preocupar com roupas já que fiquei parte da manhã conversando com a minha mãe, o que eu devo dizer que foi totalmente esclarecedor e de certa forma também um grande alívio. Apesar do sentimento péssimo que corria pelo meu corpo devido a perda recente da minha tia conseguia me sentir um pouco melhor. Eu era egoísta por isso? Pensei por um curto instante. Estava sem dormir há muitas horas, roupas simples ao invés de algo improvisado uma camiseta azul clara junto de calça jeans simples com um tênis mais simples e surrado ainda. Meteo felizmente não estava com nenhum de seus looks enfeitados tampouco com seus ternos caros demais, ele estava simples e por mais que me doa admitir isso eu gostei. Agora estávamos no carro dele, indo até o restaurante a caminha cabeça estava encostada no vidro do automóvel enquanto uma música tocava no rádio. Eu não conseguia evitar olhar para o meu chefe ao meu lado, tentando assimilar a estranha situação em que nos encontrávamos. Ele parecia diferente, menos imponente, mais humano. Seus olhos estavam fixos na estrada, e eu podia notar uma expressão de seriedade misturada com um leve sorriso no canto dos lábios. E então por um breve momento Meteo desviou os olhos até mim, seu cenho franzido; confuso com o que observava. Aquilo me causou um riso e mais confusão no rosto masculino. — O quê foi? — perguntou ele sem entender. — Acho que nunca vi você sendo.... — Sendo? — interrompeu, por um breve momento ele parecia como uma criança curiosa e ansiosa e isso fez meus olhos revirarem e os meus lábios de moverem de forma divertida. — Você mesmo. — Respondi. Inicialmente ele não disse nada, pois, por alguns segundos se ocupou em achar uma vaga e estacionar o carro. Depois que fez isso ele se virou e me olhou com o rosto franzido. Fiquei ali encarando o, ri de nervoso. — O quê? — perguntei. — As vezes tenho medo de perguntar o que você pensa sobre mim. — Disse. Engoli em seco ao ouvir, não éramos o modelo de relacionamento saudável então por mais difícil que seja ouvir a verdade foi o bastante para me dar um soco na cara. Apesar de querer conversar sobre isso eu talvez já soubesse a resposta para aquilo que a minha língua estava coçando para perguntar. Deus, por qual motivo é tão c***l querer saber mais? Realmente, a curiosidade é um grande defeito. Saímos do carro em silêncio, seguimos então até a entrada do estabelecimento que assim como o lado de fora não era lá tão grandioso. Tinha paredes pintadas de azul claro e em algumas partes o branco era dominante, pintando os espaços em forma de círculo por áreas totalmente longe uma da outra. O restante seguia esse esquema de cores, a decoração lembrava um pouco uma lanchonete de tempos antigos algo que me fez sorrir. Sentamos em uma mesa do canto, ela tinha formato retangular e os bancos estavam grudados na parede. Cada um se sentou em um deles, ficando um de frente pronto e então uma das garçonetes veio até a gente deixando o cardápio em cima da mesa com um sorriso no rosto. Não demorei nada para abrir aquelas folhas, além de querer saber o que poderia ter dentro daquelas paredes eu estava com fome, tinha comido algo simples no hospital ainda assim não foi bem de longe o suficiente para conter a minha fome. Em meio a música baixa e conversas aleatórias o meu estômago roncou. Meteo me olhou com o rosto franzido, e eu - nesse momento - procurava desesperadamente por um buraco onde pudesse me esconder e não sair dali. Ouvi um riso baixo sair dos lábios dele, seus olhos folheavam com interesse genuíno aquelas quatro páginas de cardápio e quando acabou cruzou os braços e me olhou. — O quê foi? — perguntei. Só por alguns segundos me senti uma boba. Droga Meteo. Antes de dizer qualquer coisa o homem ali na minha frente deu de ombros, despreocupado com qualquer coisa fora daquela pequena bolha que parecia cerca ló. — Estava pensando, nunca tivemos cinco minutos sem querer matar um ao outro. O analisei com cuidado, ele estava colocando tudo para fora, estava transparente era justo que eu também fosse mesmo que um pouco doloroso. — Talvez por causa que na maioria das vezes você era um grande de um babaca. Ele ouviu e me olhou atento, durante alguns segundos não fez nada e isso pareceu uma eternidade até que gargalhou atraindo não só a minha atenção como também a atenção de algumas pessoas. — Você tem razão, eu sou babaca. — Admitiu, bateu a língua no céu da boca e ajeitou se no banco ao mesmo tempo um sorriso largo nascia em seu rosto. — Ainda assim, isso é bom é algo diferente e eu gosto você gosta? Sorri de canto, movendo a cabeça para os lados. Com a toda a certeza do mundo eu tinha enlouquecido por achar aquele encontro agradável. Sem dúvidas. Sorri de maneira marota, olhando o. — Poderia ser melhor. — Soltei. Automaticamente recebi uma expressão de espanto, aparentemente ele não estava tão acostumado a receber críticas negativas tampouco algo daquele gênero. Ri internamente por causa disso. — Como assim? — ele perguntou, sua curiosidade era palpável. — Como poderia ser melhor? Eu não... — Você poderia pagar toda a conta do café da manhã, isso tornaria essa pequena reunião agradável. O cenho de Meteo ainda permaneceu franzido, curioso pelas minhas reações. — Ótimo, Amy. — Falou o moreno. — Só, não chame isso de uma reunião. — E do quê chamaria então? — questionei. — De dois amigos saindo para conversar e descontrair, só isso. Fiquei quieta, a garçonete tinha chegado na mesa e Meteo conversava animadamente com a mulher. Não éramos amigos. Não mesmo.
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