Décimo quarto

1014 Words
Tive a melhor e a pior experiência de todas, talvez eu esteja exagerando como sempre ainda assim eu não sei exatamente como descrever aquele encontro com Meteo. Não era um encontro. Estava apenas em uma lanchonete conversando de maneira fervorosa com o meu chefe. Isso não era um encontro. Trocamos farpas saudáveis, algo tolerável visto como era a nossa convivência na maior parte do tempo. Ri na maior parte do tempo. Por mais que me doa admitir, passar um tempo com Meteo Ricci conseguiu me deixar muito mais leve e um por um tempo me esqueci da onda enorme de acontecimentos recentes. Durante algum tempo do meu dia me senti culpada por causa disso, minha tia Margaret havia acabado de falecer e eu estava lá comendo panqueca de chocolate com o meu chefe que fazia um esforço enorme para não tocar no assunto ou falar qualquer coisa que fizesse com que eu me lembrasse. Por causa disso me senti grata, eu não queria falar sobre e Meteo entendeu sem a necessidade de uma explicação no meio. Apesar dos pesares e de como eu me sentia sei que minha tia não iria querer me ver triste por muito tempo, saber que eu estava rindo e sorrindo deixaria ela feliz e em paz. — Então como é? — perguntei olhando o diretamente. Vi Meteo franzir o cenho, claramente confuso com a pergunta. Eu não o culpo, eu também ficaria da mesma forma se por acaso estivesse na pele dele. — Como é o quê? — perguntou sem entender. — Não ser Meteo Ricci por alguns minutos. O cenho continuou franzido, confuso com o que dizia. — Como assim? — ele questionou. Por alguns poucos segundos deixei de lado a conversa que estávamos tendo para poder então me concentrar temporariamente em outra coisa, por exemplo, as panquecas que havia pedido e a caneca de chocolate quente que agora fazia com que minhas pupilas gustativas revirassem de prazer. Eu amava chocolate e não escondia isso. Distanciei por alguns segundos a xícara dos lábios, sorri de maneira larga dando de ombros no fim. — Você sabe. — Respondi fazendo uma pequena pausa entre as falas. — Você é Meteo Ricci, o solteiro mais cobiçado da cidade que tem tudo o que quer e quando quer. Acabei não percebendo o bigode de chocolate que se formou em meus lábios, tal coisa arrancou um riso baixo dos lábios dele deixando o clima naquela mesa algo descontraído e leve. — Do quê está rindo? — perguntei. Foi a minha vez de ficar confusa. E então por um breve momento ele se calou, pegou o celular para que pudesse me mostrar então o motivo de tantas gargalhadas naquele instante, soltei um grito mudo o meu peito subiu por um breve momento junto da respiração. — De você. — i****a. — Falei baixinho, dando lhe um tapa leve na mão. Deu de ombros assim que ouviu a palavra, um sorrisinho pequeno em seus lábios dizia que ele não se importava. — É, um dos fardos de ser Meteo Ricci. Ao ouvir, contraí os ombros um tanto tímida por dizer aquilo há meio segundo. Estava me sentindo uma i****a. Poxa, era a primeira vez de muitas e possivelmente a única que Meteo estava sendo legal comigo e eu simplesmente fui uma grande babaca. Parabéns Amy, você é um gênio e não no sentido bom da coisa. — Eu não... — Está tudo bem, de verdade Amy. — Retrucou cortando qualquer discurso que eu gostaria de dizer, soltei um suspiro pesado com isso e por alguns desviei o olhar para outra coisa que não fosse o homem ali, ele percebeu o meu desconforto é claro estava tão palpável que chegava a dar dó. Ele comeu o resto do omelete que havia pedido, também aproveitou aquele curto espaço de tempo para poder comer um pouco das frutas, aquilo segundo ele era o seu café da manhã e a sua sobremesa. Tudo perfeitamente equilibrado. Olhei aquilo com o rosto franzido. — Como você consegue ser assim tão saudável? — questionei. Pois, não bastava aquele café da manhã super natural também tinha a companhia de um copo generoso de suco de maracujá natural. No meu humilde ponto de vista, aquilo era uma completa anomalia. — Eu como como qualquer pessoa que não tem um...— Parou de falar por um segundo, apenas para poder avaliar melhor o que eu estava comendo. Diferente dele o meu prato com toda a certeza do mundo faria um nutricionista chorar e não no bom sentido. Pois, a quantidade de açúcar que tinha dentro dele era algo um tanto surreal para uma pessoa, basicamente o que eu estava comendo era: uma pilha de panquecas de chocolate com calde de caramelo, e um bom chocolate quente com marshmallow. — Paladar diferenciado comeria. — Soltou e automaticamente de minha boca saiu "aí". — Tudo bem, tudo bem. — Falei. — Talvez eu tenha merecido isso e eu não discordo que mereci então estamos quites? Ele deu de ombros. — Eu não sei sobre o que você está falando Amy, estou apenas comendo o meu café da manhã com uma amiga só isso. Sorri de canto. A nossa dinâmica era com toda a certeza do mundo estranha, apesar de não ter a mesma quantidade de farpas de antes ainda assim não era tão natural. Ainda assim, ficar com ele foi o bastante para me fazer esquecer dos problemas. — Sim. — Concordei. — Isso é apenas um café e nada mais que isso. Eu não percebi, porém Meteo me olhava quando não estava prestando atenção. Era um olhar que dizia mais do que ele demonstrava, se eu tivesse pego um momento em que ele fez isso com toda a certeza do mundo eu teria me enterrado em um buraco e muito provavelmente não teria saído de lá nem tão cedo, pois, a vergonha que instalaria no meu corpo era gigantesca. Continuei comendo e Meteo também, trocamos mais algumas palavras e depois disso fui para cada com uma estranha - boa - sensação rondando o meu corpo.
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