Antes de sair do carro de Meteo recebi a notícia que poderia ficar uns dias longe da empresa, obviamente questionei o motivo e disse apenas que foi apenas uma ideia temporária do RH.
Não disse mais nada sobre isso e eu também nem o questionei, sabia que não havia sido isso que tinha algo a mais, porém, não estava querendo receber outra notícia que poderia ou não me abalar mentalmente.
Agradeci a carona e saí em disparada até o meu pequeno apartamento, depois de conferir que eu havia entrado no prédio Meteo saiu dirigindo seu carro.
Sorri ao olhar ele partir.
Apesar de bem estranho aquele mini passeio com ele tinha sido bastante satisfatório e claro eu admitiria isso nem morta.
Passei pelo porteiro, um senhor de idade baixinho e com barba m*l feita que sempre me dizia bom dia com simpatia e eu claro devolvia.
Subi pelas escadas, apesar de preguiçosa eu não estava me sentindo no clima para ficar trancada em uma caixinha pequena até que chegasse ao meu andar, fora isso também iria evitar qualquer conversa perturbadora que poderia me encher a paciência.
E naquele glorioso momento, eu tinha quase zero.
Agora com tempo livre eu poderia colocar as coisas em ordem, ou ao menos tentar.
Passei as chaves pela porta e no momento em que fiz isso meu celular apitou, era um número desconhecido por instinto acabei franzindo o cenho, confusa.
"Sabe...Acho que vou passar a comer panquecas com frequência".
Soltei um riso baixo assim que li a tal mensagem.
Primeiro achei estranho o fato dele ter o meu número, porém deixei isso de lado por alguns segundos.
Me sentei no sofá, tirei os sapatos e deixei o meu corpo esparramado com os dedos no aparelho, comecei então a digitar.
"Devo assumir que você é um tipo de stalker ou coisa parecida?"
Mordi os lábios, contendo um gemido.
Me senti uma adolescente de treze anos, o quê estava acontecendo comigo?
Depois de alguns segundos então obtive a resposta.
"Olha, quando você é o chefe você tem certas coisas e certos privilégios sabe?"
Movi a cabeça para os lados, não estava acreditando no que lia.
"Isso é claramente abuso de poder, você sabia disso não é senhor Ricci?"
Então não demorou nem apenas alguns segundos para que a resposta viesse, e então gargalhei.
"Ninguém sabe, além de você é claro e quem me prenderia?Você?Quero só ver".
Movi a cabeça para os lados, não respondi a princípio já que tratei de me ocupar por um breve momento, coloquei o número dele na lista telefônica com um apelido super carinhoso e muito criativo: Chefe i****a.
"Não... Ainda assim, acho isso um abuso de poder e dos grandes".
"Chefe i****a: eu estaria perdoado se por acaso fizesse uma coisa? "
No momento em que li tal coisa brotou então um ponto de interrogação enorme no meu rosto.
O quê esse doido queria dizer com aquilo?
Antes que eu pudesse sequer digitar a campainha tocou, larguei o celular e caminhei até a porta abrindo a com rapidez.
Não vi ninguém, o que fez o cenho franzir ainda mais e então abaixei um pouco o rosto e vi uma cesta, soltei um riso baixo entre os lábios.
Com toda certeza Meteo Ricci tinha várias coisas que eu não entendia.
Uma grande caixinha de surpresas.
Entrei para dentro de casa e coloquei a cesta na minha pequena mesinha de centro, o celular vibrou anunciando uma ligação.
— Alô? — perguntei.
— Você gostou? — questionou o homem.
Ri, algo baixo e abafado.
— O quê você está querendo, comprar o meu silêncio e não te denunciar?
— Não. — Ele falou. — Apenas, quis agradecer pela companhia que tive durante essa manhã Amy.
— Aham. — Disse um pouco sem jeito com a situação, soltei um suspiro e automaticamente sorri de canto. — Obrigada.
Era uma cesta pequena, continha alguns doces e outras coisas que com toda a certeza eu iria adorar comer.
Fora isso ainda tinha um ursinho de cor branca segurando um coração, por mais brega que fosse era bonitinho.
Um bonitinho fofo.
— Imagina. — Disse depois de um tempo em que ficamos em silêncio. — Você gostou?Eu lembro que você gosta de doces.
— E que ser humano não gosta de doces?
— Eu. — Devolvi. — Eu como, porém, não gosto muito.
Movi a cabeça para os lados em uma negativa lenta, me sentei no sofá e voltei a me deitar.
— Você não é nem um pouco normal, quem não gosta de doces ou de comer doces? — retrucou.
— Alguém normal. — Falou o homem soltando um riso baixo e abafado.
— E quem disse que você é normal?
Consegui novamente arrancar um riso dos lábios dele, pelo menos eu o divertia ou algo parecido com isso.
— Você não tem limites não é mesmo Amy?
Passei a língua pelos lábios, um sorriso se desenhou em meus lábios algo travesso como o de uma criança que estava pronta para aprontar uma travessura.
— Eu faço você rir, então tá tudo bem. — Devolvi.
Eu não via por motivos óbvios, é claro mas Meteo Ricci movia a cabeça em uma afirmação lenta enquanto aos poucos ajustava se na cama de se quarto.
— E eu fiz algo por você? — questionou.
Fiquei por alguns segundos em silêncio, aquela pergunta tinha me pego de surpresa algo que nem eu entendi direito.
Droga! Eu odiava não ter o que falar.
Minha relação com Meteo tinha mais baixos do que altos, aquele encontro mais cedo estava trazendo sentimentos estranhos, porém o mais forte deles era a paz que eu conseguia sentir quando estava falando com ele.
A ligação ficou quieta por tempo demais, ele não entendia o motivo.
— Alô? — perguntou.
— Desculpe. — Disse totalmente sem jeito com a situação.
— E então? — questionou, um tanto curioso com a possível resposta para aquela pergunta feita anteriormente. — Eu fiz algo?
— Fez, o que você me deu significou muito.
— E o quê foi? — perguntou.
— Paz.