Alguns dias depois
As coisas deram um giro de 360 graus, de forma positiva.
De forma estranhamente positiva.
Meteo não era mais o babaca que eu conhecia, na verdade, estar na presença dele era até mesmo bastante agradável algo que foi novo para mim.
Por um tempo durante esses dias que se passaram eu me mantive distante, pois, eu não queria de forma alguma usá-lo como uma espécie de apoio depois de um evento traumático como tive recentemente.
Eu não era e nem gostava de ser aquele tipo de pessoa que usava outras para tapar um buraco emocional, achava isso totalmente errado.
E por causa disso muitas vezes durante aqueles malditos dias me deixei ficar distante, fria quase como uma geleira.
Querendo ou não também precisava de espaço, pois, o que tinha acontecido não era nem de longe algo fácil de digirir.
Meteo felizmente entendeu isso e não foi nem um pouco chato ou desagradável, na verdade, ele só me respondia quando eu o procurava para conversar.
E isso significou muito, eu precisava falar com alguém e poderia ter feito isso facilmente com Chris, contudo, não queria.
As coisas estavam estranhas entre a gente mesmo depois do entendimento.
Queria uma perspectiva diferente mesmo que ela viesse do meu chefe i****a.
Com esse tempo afastada da empresa também pude colocar algumas coisas em ordem, por exemplo, limpar o meu - minúsculo - apartamento.
O que por mais irônico que seja não foi uma tarefa simples de se realizar e muito menos rápida.
Apesar de eu não parar em casa conseguia fazer uma bagunça sem igual em menos de alguns minutos, agora imagine isso com o dobro do tempo.
Um caos.
Por alguns segundos enquanto fazia tal coisa quis correr na direção de minha mãe, para quem sabe assim pudesse ter um pouco de paz ao invés de ver apenas pilhas e pilhas de bagunça o que infelizmente não era uma opção.
Querendo eu ou não, agora era uma mulher crescida e tinha que lidar com meus problemas eu mesma e isso infelizmente incluía limpar a casa.
Algo que eu assumo, não gosto muito de fazer.
Organizei tudo da melhor forma possível, deixei as roupas sujas em um canto e as limpas dobrei e as coloquei no meu pequeno armário - guarda roupa - para que assim pudesse usar novamente outro dia.
Troquei a roupa de cama, aspirei o sofá tirando resquícios de comida que meus olhos não conseguiam captar com facilidade e tirei o pó dos móveis.
Assim que terminei tudo sorri satisfeita com o trabalho bem feito, as vezes até que fazia bem fazer essas coisas.
Tomei um banho, vesti o meu pijama mais confortável e por fim pedi comida por telefone já que eu não estava nem um pouco afim de sujar a cozinha tampouco limpar pratos.
Fiz uma máscara de skincare, e coloquei em alguma série da Netflix para quem sabe assim passasse o tempo mais rápido até que a comida chegasse, limpar a casa me deixou cansada e eu precisava muito repôr as energias, no caso comendo uma enorme pizza sozinha com direito a sobremesa também.
Depois eu juro que iria pegar firme na dieta e na academia.
É, sério.
Como sempre optava por algo mais leve e puxado para o lado da comédia, queria ver outras pessoas tendo vários tipos de desastres amorosos, talvez isso alegria a minha vida ou apenas só causaria o efeito que queria, no caso esquecer dos meus problemas.
Optei pela série: Eu nunca.
Um drama adolescente que trazia várias confusões consigo, já no primeiro episódio eu gostei de cara da trama.
Digamos que a protagonista era tão azarada quanto eu e isso consequentemente me fez gostar ainda mais da série.
Azaradas se unem, não é?
Era envolvente e eu não conseguia de forma alguma desgrudar os olhos da tela, porém com a notificação do celular soube que a hora de comer tinha chegado, meu estômago roncou com isso.
Fui sem pensar para porta, sem demora alguma peguei as chaves e destranque a porta no momento seguinte sem ao menos olhar no olho mágico.
Franzi o cenho, no segu do em que visualizei a figura do meu melhor amigo ali parado.
— O quê está fazendo aqui Chris? — perguntei.
Ele não disse nada, me olhou de cima a baixo e sorriu de canto.
— Noite de skincare? — questionou.
Olhei ele com atenção, meus braços estavam franzidos e em uma de suas mãos tinha um saco de comida ou seja a minha comida.
O quê ele estava fazendo aqui?
O quê estava fazendo com a minha comida?
Ele entrou e eu por consequência fechei a porta atrás da gente.
Chris já era de casa e colocou a caixa em cima da mesa, sentando se no meio das almofadas.
— Eu preciso de uma noite com a minha melhor amiga, eu não posso?
Soltei um sorriso forçado com aquilo, eu realmente não estava esperando por isso afinal de contas o homem ali sentado no meu sofá estava quase como uma lembrança na memória, distante e bem longe nos últimos dias.
— E como você está? — perguntei tentando fingir um pouco de ânimo. — Como estão as coisas com você?Já faz muito tempo que eu não vejo você e não sei de nada.
Ele sorriu, esticou o corpo e então deitou sua cabeça em minhas pernas.
— Faz cafuné? — perguntou. — Eu preciso de consolo.
Fiquei sem reação durante algum tempo, depois sorri largo com aquilo movi as mãos até os fios de cabelo fazendo uma massagem fraca no couro cabeludo.
Ficamos um tempinho em silêncio, até que então tive que reunir coragem o suficiente para perguntar o que estava perturbando a minha mente naquele momento.
— O quê aconteceu? — questionou.
Ele virou o rosto um pouco para cima, e fez um beicinho no momento seguinte.
— Como pode ser tão doloroso gostar de alguém? — retrucou fazendo uma pausa entre as falas ouvi então um suspiro. — Droga! Eu odeio isso, de verdade.
Ouvi com atenção o que estava sendo dito, e por alguns segundos deixei que o meu rosto ficasse franzido, porém era algo temporário já que durava bem pouco no meu rosto e foi automaticamente substituído por um sorriso pequeno em meu rosto.
— Gostar é difícil, infelizmente devemos passar por isso em algum momento da vida.
A minha voz era calma, afinal o meu objetivo era acalmar ele e não deixa ló ainda pior do que anteriormente.
Ele me ouviu e por alguns pouco segundos ficou pensativo, seu olhar estava distante pensando em várias coisas e então o rapaz se levantou do lugar em que estava.
— Vamos comer? — perguntou olhando um tanto animado a caixa de pizza.
— Sim. — Respondei mais animada do que p***o no lixo.
Eu estava faminta.
Avancei então na direção da caixa, peguei um pedaço de papel que havia deixado ali anteriormente para então pegar um pedaço enorme e gorduroso de pizza de quatro queijos colocando o a na boca pouco a pouco.
Chris riu e eu fiz o mesmo.
— Isso é ótimo.
Concordei apesar dos pesares aquela visita estava começando a ser um pouco animada e divertida, eu estava adorando isso.
Uma noite longe de problemas, apenas relaxando.
Poderia ser melhor?