Subir até a sala de Meteo tinha tantos significados e as vezes nenhum deles era necessariamente bom, isso é claro depende do ponto de vista.
Para algumas pessoas ir até a sala dele significava que você era o alvo da vez ou apenas iria resolver algum assunto referente ao trabalho, e antes de ser aprovado ou coisa parecida tinha que passar pela supervisão do chefe como era de costume daquela empresa, nada era lançado ou publicado sem a aprovação de Meteo Ricci.
Por mais que Meteo seja um homem poderoso e cheio de dinheiro, ele tinha uma personalidade peculiar, não gostava de ficar com a mesma mulher achava isso clichê e também odiava entrar na mesmice.
Algumas pessoas acham isso um pensamento contemporâneo e eu?Bom, é só desculpas para não se afirmar um verdadeiro galinha.
Muitas vezes já vi várias funcionárias perderem a cabeça por causa disso.
Já fizeram escândalo na frente do prédio, outras riscaram um dos carros dele e uma até mesmo chegou a seguir o rapaz para todo canto que ia.
Esse último em especial foi tão assustador que ficamos tendo seguranças em todos os pontos do prédio durante semanas, até que a mulher simplesmente desistiu de suas ideias nada convencionais.
Nunca entendi o motivo para tanta loucura e sinceramente? Eu não quero entender.
Pensar naquelas coisas me fizeram sentir um pouco m*l.
Passei os dedos pelos meus braços, a fim de me acalmar ou pelo menos tentar.
Provavelmente ele só queria me perturbar - como sempre fazia - com mais um de seus pedidos ridículos, já que sua secretária Mary era incapacitada de fazer aquelas coisas por conta da idade, fora este fato o rapaz de cabelos escuros a considerava como uma mãe já que ela sempre esteve com ele então passar por uma coisa daquelas estava longe de ser uma realidade para a doce senhora de cabelos grisalhos, ele preferia perturbar a minha vida ao invés disso.
Apesar de achar fofo Meteo ter ela como secretaria e tudo mais ainda assim não aprovava o ambiente em que a doce mulher era submetida, ver tantas mulheres saindo e entrando daquele espaço não era a coisa mais saudável do mundo muito menos a mais natural isso eu posso dizer com todas as letras possíveis.
Mary era aquela pessoa que sempre sorria, fazendo você se sentir bem em um dia péssimo, eu adorava aquela mulher, ela me fazia me lembrar da minha avó, meu coração ficava quentinho com isso e uma parte minha queria chorar já que não a tinha mais comigo.
Quando elevador parou soltei um suspiro pesado fazendo meus ombros descerem de imediato, é claro que a cobertura era totalmente de Meteo e como dizer...Não era exatamente um escritório ou um local de trabalho, era mais um apartamento de solteiro bem grande escondido atrás de uma porta.
Meteo havia decorado para ser sua segunda casa, quando não estava no famoso prédio - sim um prédio inteiro - os Ricci eram podres de ricos, porém o homem odiava aquele lugar já que odiava toda a sua família e estar na presença deles era sinônimo de dor de cabeça, algo que ele sinceramente odiava com todas as suas forças.
Andei com calma, a cada passo mexia os dedos deixando os entrelaçados vez ou outra.
Por causa do silêncio conseguia ouvir o som dos saltos em atrito com o chão.
Não fazia sentido - na minha mente ao menos - ter gente trabalhando naquele espaço, era tão assustador e solitário que me dava calafrios na espinha.
Todas as paredes até o ponto principal daquela área eram pintadas de cor preta, quadros e algumas obras de arte eram espalhados com cuidado por todo o local, o objetivo disso era apenas dar um pouquinho de cor para a cobertura do tirano ou apenas mostrar a outras pessoas que ele tinha bom gosto para outra coisa que não fosse mulheres.
Revirei os olhos por alguns segundos, Meteo eram totalmente repugnante.
Não demorou nada para que eu visse Mary, quando nossos olhares se cruzaram então eu sorri largo e ela acabou fazendo o mesmo ao me ver.
– Bom dia, querida. – Disse a mais velha.
Naquele dia a mulher de cabelos grisalhos vestia um vestido de cor roxa escuro, mangas compridas e o estilo dele me fez me sentir por alguns segundos nos anos sessenta oitenta.
Os cabelos estavam curtos, porém, Mary era uma pessoa que ligava muito para aparência e por causa disso estavam arrumados perfeitamente no lado esquerdo da cabeça junto de uma tiara, em suma a senhora ali na minha frente parecia uma princesa.
Eu sorri ao ouvir, reparei rapidamente que estava mexendo em seus materiais de tricô.
– Bom dia. – Eu falei. – Como você está Mary?
Uma coisa que ela odiava era que a chamasse de senhora, não queria ser tratada diferente por causa da idade e por causa disso - pedia educadamente - para que as pessoas a tratassem de igual para igual ou pelo menos tentassem.
Ela por sua vez sorriu docemente na minha direção, ia abrir a boca para responder, contudo o telefone logo ali ao lado tocou e a grisalha automaticamente se calou enquanto eu soltei um suspiro pesada da minha boca.
Ele já sabia que eu estava ali, afinal de contas aquele lugar era tão vigiado quanto a casa branca.
Infelizmente não daria para fugir como pretendia fazer.
Droga! Meteo.
Por qual motivo você tem que ser tão irritante assim?
Soltei um suspiro, meus ombros voltaram ao normal logo em seguida.
– Boa sorte, querida. – Falou a doce senhora com os olhos em mim. – Talvez hoje ele seja bom com você.
Ri com aquilo, não consegui evitar de maneira alguma.
– Não, com toda a certeza não. – Devolvi ao mesmo tempo em que contava até três pedindo por um pouco de paciência. – Vai ser um dia daqueles, me deseje sorte com isso Mary talvez eu nem volte viva.
Ao terminar de falar aquilo ouvi automaticamente um riso vindo dos lábios femininos.
Pelo menos eu conseguia fazer alguém rir no meio daquele momento de desespero que mais uma vez a vida me dava a graça de presenciar.
Passei pela mesa de Mary e não demorei nada para entrar no ambiente de satã.
Girei a maçaneta e a senhora atrás de mim atendeu o telefone já recebendo o recado que provavelmente era para que eu entrasse.
Já perdi as contas de quantas vezes eu estive ali e infelizmente nenhuma delas foram boas, para o meu azar.
Sabe... Todas as vezes em que fui chamada até o covil de satanás eu esperava receber uma notícia boa, como um aumento?Uma promoção ou qualquer coisa do gênero, infelizmente nunca recebia nada daquilo e sim apenas várias dores de cabeça e o som de choros de mulheres.
Você provavelmente já deve ter ouvido frase mais clichê já existente: Louco pelo trabalho ou viciado em trabalho.
Bom Meteo era o sentido literal disso e era até engraçado, e as vezes um pouco preocupante.
Muitas vezes o homem de cabelo escuros dormia no serviço, afinal de contas não tinha motivo algum para ele sair dali já que a sua casa era ali certo?
Bom ao menos era isso que ele pensava.
Assim como o lado de fora o lado de dentro não tinha tantas diferenças assim, paredes pretas decoradas com algumas obras de arte, móveis espalhados e alguns cômodos separados para que ele pudesse ter um pouco de privacidade.
Pois, ao menos eu imagina que deve ser bem embaraçoso acabar de acordar e ter que lidar com um grupo de acionistas enquanto está de pijama.
Apertei os dedos e os lábios, olhava para tudo até parar na mesa perto das janelas a cadeira que normalmente Meteo sentava estava de costas e mesmo um pouco longe eu conseguia ver perfeitamente os braços dele.
Engoli em seco e parei de ser uma grande medrosa, me aproximei dali mantendo uma distância curta.
O barulho dos saltos chamou a atenção dele que logo se virou na minha direção totalmente sorridente.
Ótimo! Pelo menos ele está de bom humor então não deve ser assim tão r**m não é? Pensei.
– Bom dia, senhor. – Falei mantendo uma postura sensata naquele momento.
Ele continuou me olhando sem dizer nada e assumo que fiquei desconfortável com isso ao ponto de um calafrio percorrer o meu corpo.
– Você por acaso sabe do quê eu mais gosto Amy? – perguntou o moreno quebrando o silêncio.
Soltei um suspiro fraco, aliviada por não ter que lidar com um silêncio desconfortável.
– Que tudo esteja em ordem? – Chutei, não entendi o rumo daquele assunto e por causa disso resolvi optar pela coisa mais sensata ou pelo menos que tinha a ver com a personalidade daquele homem.
O sorriso no rosto dele aumentou e jogou a caneta que segurava na mesa, o barulho atraiu automaticamente meus olhos que se assustaram com a reação repentina, porém, tal coisa durou pouco já que o homem se curvava na mesa de madeira e indicava para me sentar em uma das cadeiras ali.
– Muito espertinha. – Comentou. – A coisa que eu mais gosto, são segredos e sabe o motivo?
Fiz que não com a cabeça assim que me sentei na cadeira.
Afinal por qual motivo eu estava ali?
Meteo estava impaciente ele não conseguia ficar quieto em uma só posição e isso dava para ver em seu rosto assim como o comportamento, o homem se levantou e se colocou atrás de mim abaixando até que sua boca tocasse a minha orelha.
– Assim descubro quem são de verdade. – Explicou.
A voz rouca mexeu um pouco comigo, contudo isso não era algo que eu iria admitir em voz alta.
Apertei os dedos, fechando os em um punho.
– O quê quer dizer com tudo isso?
Ele não era o único ficando impaciente.
Ouvi então uma risada, o moreno retirou um envelope do bolso do terno e expôs o conteúdo dele.
Meus olhos se arregalaram automaticamente, minha pele deve ter ficado branca e o meu coração quis sair da boca.
Ali na minha frente estava a minha carta para Thomas Waston.
O quê ela estava fazendo ali e como parou nos dedos do meu chefe?
Pelo curto tempo que o silêncio dominou o ambiente pude jurar que conseguia ouvir perfeitamente os meus batimentos cardíacos, estava pensando em maneiras de como isso parou nas mãos de Meteo e nenhuma delas fazia sentido, eu tinha que falar com Chris só ele poderia me explicar o que aconteceu o único problema era que antes de fazer algo sobre isso eu tinha que passar pelo tirano.
Virei um pouco o meu corpo na direção oposta, vendo Meteo de braços cruzados analisando cada reação ou cada comportamento meu.
– Eu posso explicar. – Disse.
Vi a sobrancelha do moreno franzir, um tanto desacreditado.
Eu sinceramente não o culpo pela desconfiança, nem eu mesma conseguia acreditar nas minhas palavras, quem dirá outra pessoa fazer o mesmo.
– Estou ouvindo. – Falou o moreno com toda a sua paciência do mundo, agora andava de volta para mesa e ficava sentado em sua cadeira, provavelmente com uma visão melhorada ele conseguiria ver a mentira chegando antes que saísse da minha boca.
Apertei os lábios um no outro, ocultando um gemido baixinho no fundo da garganta.
E agora? Pensei.
O quê eu poderia fazer para sair dessa?
Ouvi um estalo, o moreno ali na minha frente bateu a língua no céu da boca tão forte que foi capaz de tirar o transe de mim.
Sorri um pouco sem graça por causa da situação em que eu estava.
– E então? – questionou ele. – Acho que você me deve uma explic...
– Eu fiz isso para chamar a sua atenção, é claro senhor. – Disse literalmente a primeira coisa que passou pelos meus pensamentos, internamente eu vou estava rindo de desespero.
Talvez se Meteo achasse que eu tinha interesse nele não iria surgir nenhum efeito colateral, como ser demitida por ter tirado uma foto nua no trabalho.
Ah! Qualé vai me dizer que você nunca fez nada de errado?
Vi os olhos dele se arregalarem, claramente ficou surpreso com a resposta inesperada e nem eu mesma esperava aquilo.
Agora um pouco menos tensa conseguia respirar.
Sorri de canto, lançando o meu melhor olhar sexy - ao menos eu achava que era - Chris dizia que quando eu olhava assim alguém, eu estava parecendo estar com fome, ou seja, era algo totalmente perturbador.
– Chamar a minha atenção? – questionou apenas para ter certeza de que ouviu direito.
Fiz que sim com a cabeça.
Agora que entrei nessa iria mergulhar de cabeça.
– Sabe... – Pigarrei por alguns segundos, inclinando o meu corpo de modo que os s***s ficassem expostos ou pelo menos uma parte deles, deus eu me sentia ridícula. – Eu sempre achei o senhor tão sexy e poderoso que eu não consegui resistir.
Eu não estava caindo naquela conversa, porém dava para ver que Meteo ficou um pouco desconfortável naquela situação, algo que eu achei um tanto engraçado.
Estaria eu conseguindo desamar o tirano?
Engoli em seco, mordiscando de leve os lábios.
Por favor, que eu não parecesse que estava olhando Meteo como se fosse um hambúrguer suculento de duas carnes com muito queijo e bacon, por favor que eu não estivesse parecendo uma maníaca agora.
– Eu tinha que ao menos tentar fazer alguma coisa, para então ter um pouco da sua atenção senhor. – Falei isso enquanto passava os dedos nos s***s dando a ideia de que iria abaixar ainda mais o decote da blusa, então quando o vi olhando diretamente para aquela região pude perceber que estava conseguindo o efeito desejado.
Me levantei e caminhei até a cadeira, ousei em beijar uma das bochechas manchando o de batom.
– Senhor tirano. – Falei baixo, a voz provocativa.
A respiração quente da minha boca o arrepiou, adorei essa sensação de poder.
No segundo em que fiz isso vi o moreno fechar os olhos e fechar as mãos em punho, e nisso foi aí que saí em disparada para saída daquele lugar, ele estava claramente tentado a me tocar e eu não estava nem um pouco a fim de deixar isso acontecer; não iria me tornar uma das presas de Meteo apenas queria distrai ló o suficiente para pensar isso.
Homens são burros, entendam isso garotas e quando entenderem vão conseguir o mundo.
Não iria ficar ali, não mesmo.
Mentir não era algo que eu gostava, mesmo assim foi graças a isso que eu consegui me livrar temporariamente de uma grande encrenca.
Mesmo longe consegui ouvir o grunhido de Meteo, alto como o som de um trovão.
Ri.
Eu tinha deixado ele muito puto e bem eu não me arrependia nem um pouco?
Me despedi rapidamente de Mary e corri para o elevador, ficar ali talvez custaria a minha vida.
Ao estar em um ambiente seguro juntei as mãos e agradeci a Deus por isso.
– Muito obrigada, muito obrigada mesmo por ter me livrado disso. – Falei em voz baixa, as portas se fecharam e eu respirei de alívio.
Agora o que estava faltando era apenas ter uma conversa com meu amigo Chris.