Sexto

2500 Words
Alguns minutos depois de sair da sala do CEO Eu estava p**a, muito mais muito p**a de raiva. Não ligava e nem me importava com o fato de que agora Meteo Ricci queria a minha caveira ou algo pior. Assim que cheguei no andar de marketing passei como um furacão pelas pessoas que estavam nos corredores entre os vários cubículos que tinha por ali. Ignorei os xingos que eram direcionados a mim, afinal de contas eu tinha derrubado algumas delas durante o caminho, quando cheguei até a minha área de trabalho não vi Chris o que arrancou um grunhido da minha boca. Parti em direção ao refeitório, provavelmente iria encontra ló lá, caso contrário iria ter que fazer uma coisa ainda mais louca, entrar no banheiro masculino e tirar o meu tão querido amigo de lá. Fui rumo ao refeitório. Naquela hora do dia tinha uma pessoa ou outra, sem tanto movimento ainda assim pela maneira que eu andava acho que consegui chamar a atenção necessária de várias pessoas ali, ou seja, teríamos um grande espetáculo naquela hora do dia. Se eu não fui demitida antes com toda a certeza agora eu seria. Pelo menos eu iria me demitir se eu fosse a dona dessa empresa ou melhor dizendo hospício. Cheguei até a mesa onde o ruivo estava sentado até então comendo seu lanche natural da forma mais tranquila o possível, quebrei esse clima no instante em que bati as minhas mãos na mesa, atraindo não só a atenção dele como também a atenção de outras pessoas ali também. – O quê você fez? – perguntei. Não tive paciência alguma para enrolações, queria a resposta e eu merecia uma. A minha curiosidade era palpável. Me olhava assustado ainda um pouco em choque pela minha reação, afinal de contas não é sempre que uma louca chega gritando com você quase jogando uma das cadeiras do refeitório na sua direção. Movi a cabeça para os lados em uma lenta negativa. – O quê você fez Chris? – perguntei, esperando por alguma espécie de resposta. – O qu...Do quê você está falando? Bati a língua no céu da boca tão forte quando ouvi aquilo, não acreditando. Quis morder a boca para quem sabe conter o choro. – Você sabe. – Falei, nessa altura eu não me importava nem um pouco com o show que estava acontecendo, nem das consequências. Chris pareceu finalmente entender do que eu estava falando e por causa disso mudou rapidamente a postura, tentou se aproximar de mim, me abraçar e tudo mais, porém, o que recebeu em resposta foi apenas um tapa na mão. – Podemos conversar? – pediu o ruivo, sua voz era calma e baixa. – Em outro lugar? Fiquei olhando o durante alguns minutos pensando na proposta. Olhei em volta e dei de ombros. Já estava na merda, agora não tinha mais jeito de sair de lá. – Não. – Falei, a minha paciência tinha ido pro inferno sem direito a voltar. – Se quer falar alguma coisa comigo, fale agora. Ele fechou os olhos e respirou fundo. – Eu fiz o que me pediu, isso é certo. – Não fez. – Falei. – Teve uma pequena complicação no meio disso. O vi franzir o cenho, confuso. – Impossível. – Devolveu. – Eu nunca cometo erros e você sabe disso Amy. Quis começar a rir como o coringa naquele exato momento. Porém, mantive a pouca calma que ainda me restava. Minhas mãos estavam na cintura, e eu olhava para qualquer coisa - pessoa - que não fosse Chris, muito provavelmente não iria me responsabilizar pelo o que talvez poderia acontecer caso ele abrisse a boca e falasse algo errado. Uma das coisas que o dono de cabelos ruivos não gostava de jeito nenhum era de estar errado e ser contrariado, fora isso passar uma vergonha desnecessária coisas que aconteciam agora. Eu sei que poderia ter sido um pouco racional e ter aceitado conversar, contudo a racionalidade estava longe de ser o meu forte naquele momento. Sentia que eu iria explodir de tanta raiva que circulava o meu corpo. Não conseguia e nem iria aguentar por muito mais tempo, foi só aí que me dei conta da primeira gota de lágrima caindo pelo meu rosto. Droga! Mil vezes droga. – Dessa vez aparentemente você cometeu e por favor, pelo resto do dia não fale comigo Chris. Ao terminar de dizer tal coisa virei o meu corpo na direção oposta, olhei aquele bando de pessoas curiosas e soltei um palavrão aos quatro ventos. Que se dane tudo. Enquanto andava ouvi Chris me chamar algumas vezes e em nenhuma delas virei meu rosto para olha ló. Marchei rumo ao banheiro feminino mais próximo, abri a porta com certa violência fazendo um estrondo atrás de mim. Eu sabia bem que tinha problemas com a raiva e que não conseguia controlar muito bem e felizmente isso acontece muito raramente. Abri uma das torneiras e assim que a água começou a escorrer levei os dedos para perto, molhando os para tentar me acalmar com um pouco de água no rosto. O banheiro estava vazio, felizmente ninguém iria me encher de perguntas que eu não estava nem um pouco a fim de responder. Só por causa disso agradecia mentalmente. Por um tempo - curto - deixei os meus olhos fechados, e nisso comecei sem querer a reprisar tudo o que havia acontecido nos últimos minutos. Como raios a minha vida conseguiu dar uma volta de 360 graus em tão pouco tempo? Agora de certa forma eu estava na mira do CEO eu querendo ou não e agora todos da empresa - do andar de marketing - tinham a certeza de que eu não batia bem da cabeça. Podia ser melhor? Soltei um riso amargo do fundo da garganta. Encostei as costas ali mesmo na parede ao lado da fileira de pias. Meu corpo se abaixou até que tocasse o chão, as minhas pernas chegam mais perto do meu corpo e aos poucos então tudo passou a ser envolvido por um abraço que eu mesma me dei, ali deixe me desmoronar em lágrimas. Eu queria colocar para fora o que estava sentido, isso é fato. A raiva, a tristeza de ter sido traída tecnicamente estavam me afetando e muito nesse momento. Fiquei com a cabeça abaixada, dessa forma ninguém iria ver quem era apenas ouvir quem sabe? Com sorte, talvez, ninguém aparecesse ali e só isso seria um grande alívio. E então me permiti chorar por alguns longos minutos, todos os sentimentos aos poucos foram embora. A raiva, o sentimento de ser traída, a mágoa. Após isso levantei a cabeça e ainda estava sozinha naquele ambiente, tal coisa me fez soltar um suspiro baixo entre os lábios eu me levantei e aos poucos fui me recompondo. Há muito tempo eu não tinha um surto de raiva, afinal de contas não tinha motivos para sentir esse sentimento até o dia de hoje onde me deixei sair do controle. Soltei a respiração que nem ao menos percebi que prendia, passei os dedos na água e levei até o meu rosto fechando os olhos por alguns segundos apenas para tentar então relaxar um pouco. Movi a cabeça para os lados depois de secar o rosto, saí do banheiro e fui até a minha área de trabalho. Eu ainda tinha que cumprir com as minhas obrigações querendo eu ou não. Passei pelo corredor e automaticamente atraí vários olhares. O show que fiz provavelmente já tinha viralizado e talvez - agora - nesse momento eu era a maior estrela da internet. Bufei. Que maravilha, pensei ao mesmo tempo em que continuava andando. Sentei na cadeira sem ânimo algum, só bastava algumas horas e eu poderia ir para casa ficar lá e não me tirar de lá por muito mais muito tempo mesmo. Chris me olhou preocupado, tentou se comunicar comigo, porém, eu nem ao menos lhe dei um pingo de atenção. Segui as próximas horas quieta, totalmente focada no meu trabalho algo que sinceramente falando?Acho que nunca aconteceu até o dia de hoje. Quando o relógio bateu seis horas soltei um suspiro aliviado. Era a hora de ir para casa e eu não estava aguentando mais esperar. Peguei minhas coisas e não olhei na direção contrária, Chris me chamava. Posso estar sendo infantil, ainda assim não vou negar o que eu sinto; eu estava magoada e muito por causa disso precisava de um tempo para ficar sozinha e digerir ou pelo menos tentar digerir tudo o que aconteceu nas últimas horas. Saí primeiro que Chris naquele dia, peguei minhas coisas depois de desligar o computador e deixar a mesa arrumada. Fiz o caminho de sempre, meu rosto esbanjava ânimo - ironicamente falando - enquanto andava até o elevador. Porém, a minha curta caminhada acabou sendo interrompida quando Jenny do RH entrou na minha frente. Ela era baixinha, um pouco gordinha e tinha cabelos loiros. Sardas espalhadas pelo rosto davam certo destaque aos olhos verdes, a pele clara era envolvida em um tecido escuro da roupa. Franzi o cenho quando meu olhar cruzou com o dela, vi a mulher engolir em seco. – O quê? – perguntei. – Senhorita Lopes, você precisa ir até a sala do RH imediatamente. – Falou assim que ouviu a pergunta. Por um lado fiquei feliz pelo fato de que ela não enrolou com o que queria falar e por outro não pude evitar de ficar tensa só de ouvir aquilo. Eu sabia que aquele meu showzinho teria chegado aos ouvidos do RH, o único problema é que eu imaginava ter algum tempinho antes que isso acontecesse. Pelo visto a sorte não gostava mesmo de mim. Olhei para os lados por um breve segundo antes de responder aquilo, todos estavam olhando. Era como abutres observando o que desejavam comer, irritante até os últimos fios de cabelo. Não respondi com palavras apenas confirmei com a cabeça e passei então a seguir Jenny por um outro corredor. Soltei a respiração enquanto andava pensando nos vários cenários que poderia ou não encarar daqui alguns segundos. Teria que começar a enviar currículos novamente, isso é uma certeza enorme. O RH ficava no andar de marketing, tinham um cantinho pequeno só para eles. Algo que eu achava um tanto injusto já que todo o andar era da equipe de marketing e o pessoal de RH ficava escondido em um lugar pequeno e escuro. Cumprimentei algumas pessoas e passei a andar direto para a sala no canto esquerdo, um cantinho tão pequeno quanto uma lata de sardinha. Abri a porta e já consegui sentir o cheiro de café, George do recursos humanos era uma pessoa completamente viciada em cafeína e alguns diziam - brincavam - que em duas veias tinha mais café do que sangue. Entrei logo depois de cruzar os olhares com o homem ali sentado que assim que colocou seus olhos cor de chocolate em mim soltou um enorme sorriso. George era uma pessoa simpática, mesmo trabalhando em um local tão deprimente quanto aquele. Algo que sinceramente falando?Era totalmente admirável, pois, se eu estivesse no lugar dele eu com toda a certeza do mundo seria a pessoa mais infeliz que se possa imaginar. – Bolinhos? – ele perguntou. Os meus olhos seguiram o pequeno espaço na mesa quadrada que ele indicava, um ponto de luz naquele esquema de cores únicas, uma caixa em formato de círculo neon se destacava naquele ambiente. Por estar sem a tampa conseguia ver facilmente o conteúdo, vários bolinhos com glasse de diferentes cores e confetes. Por alguns segundos enquanto eu olhava para aquilo me lembrei da infância, tudo era terrivelmente mais fácil, mais equilibrado do que a vida adulta e durante esse curto tempo quis voltar para essa maldita época e talvez quem sabe me livrar de tantas coisas como os problemas que estava enfrentando agora por exemplo. Soltei um sorriso sem jeito quando percebi que não havia respondido George até aquele momento. Deveria estar com uma cara de boba, pois, eu me sentia uma boba. – Eu vou pegar um. – Falei assim que notei uma expressão preocupada em seu rosto. Com toda a certeza a minha suspeita era verdadeira. Peguei o bolinho do canto esquerdo, o glasse roxo com confetes cor de rosa em formato de estrela. Após isso me sentei na cadeira ali perto, dividindo a minha atenção com George e o pequeno ponto de felicidade entre meus dedos. – Bom... – De longe eu conseguia notar a falta de jeito dele de contar o que quisesse falar, a parte engraçada ou não dessa história era que George não gostava muito de dar notícias ruins o que era irônico visto o seu cargo naquela empresa. – Amy está tudo bem com você? Ao ouvir a pergunta parei de sujar os dedos com glasse, franzi o cenho e observei com cuidado o homem a minha frente. O tom de preocupação, o jeito que ele se comportava e o cuidado para escolher as palavras. É com toda a certeza eu seria demitida e isso eu não tinha dúvidas, pelo menos não mais agora. – Sim. – Respondi sem dar tantos detalhes. Não queria que todos ali soubessem o motivo pelo qual eu surtei. – Mesmo? – Perguntou. Acho que não fui muito convincente. Movi a cabeça para cima e para baixo, em uma afirmativa. – Sim. – Tentei parecer um pouco mais alegre, eu juro que tentei até mesmo sorri quando o respondi. Vi George morder os lábios, agora seus olhos se dividiam entre mim e a tela do computador enquanto seus dedos digitavam algo. Ficamos um bom tempo em silêncio, não sei dizer ao certo quanto demorou até que ouvisse novamente a voz do homem bem ali na minha frente. – Por ordens de cima Amy eu peço que fique um tempo afastada da empresa. – Falou ao mesmo tempo em que me entregava um papelzinho. – Prezamos pela saúde de nossos funcionários e como você é alguém muito valioso para gente, não podemos simplesmente... – Me demitir? – questionei. Eu não estava entendendo nada. Mentalmente até já tinha iniciado o envio de currículos e pensado o quão divertido seria participar de tantos processos seletivos novamente. – É. – Falou um tanto sem graça. – Você é uma das melhores e sabe disso. Após dizer aquilo deixou um tempo entre as falas. Admito que adorei ter o ego inchado e o que ele dizia não era mentira, pois, havia realmente trazido vários clientes para aquele lugar. – E então qual vai ser o meu destino? – Vamos te dar um tempo de férias, com tudo pago e vai receber seu salário normalmente no final do mês. Pisquei os olhos no momento em que aquilo foi dito. Ele não poderia estar falando sério, ou poderia? Peguei o papel de seus dedos e passei a ler, com os olhos arregalados com toda a certeza aquilo era obra de Meteo. É, o demônio me achou e ele quer vingança pelo o que o fiz passar.
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