Como eu posso dizer...Meteo Ricci ter aparecido naquele momento talvez não tenha sido a pior coisa do universo.
Veja bem, por um lado eu estaria cruelmente destinada a pegar o transporte público para que consequentemente - durante alguns longos e torturantes minutos - fosse amassada contra a parede da pior forma imaginável.
Agora eu estava sentada em um banco que foi coberto com o mais confortável estofado que eu conseguiria pensar, mantendo é claro uma distância segura do meu chefe.
Eu apreciava o ato de gentileza, porém, era tão perigoso do lado de dentro do carro como também do lado de fora.
As cenas daquele momento com ele vinham frescas na minha memória, deixando me um pouquinho nervosa.
Meteo não dizia tampouco fazia algo, em partes eu agradecia em outras nem tanto.
O silêncio as vezes pode ser pior do que uma fala constrangedora, é o que diga estava passando por isso nesse exato momento com aquele homem.
E aos poucos estava me sentindo cada vez mais morta pelo duro e c***l silêncio.
Para quem estava cheio de si horas atrás ele não estava me parecendo grande coisa agora.
Droga!
Trocamos olhares sutis, eram curtos e não significavam nada.
Estávamos parecendo dois adolescentes e isso era muito mais muito bobo.
— Está com fome? — perguntou o moreno.
Finalmente, o silêncio foi quebrado.
— Mais ou menos. — Retruquei, apesar de apreciar a tentativa falha de puxar assunto eu não conseguia esconder a vontade de rir naquele instante, é sério isso? Pensava enquanto mudava o foco do meu olhar para outra coisa. — Eu fiz um lanche antes de sair da empresa, sabe?Para evitar o transporte muito cheio e também as pessoas me olhando dentro dele.
Meteo inicialmente não disse nada, ficou encarando me com o cenho franzido.
— Um lanche? — retrucou.
Afirmei positivamente com a cabeça.
— Sim, um lanche.
— Isso não é uma refeição, é um tira gosto ou nem isso.
Me senti ofendida ouvindo aquilo.
Eu sabia muito bem que a minha alimentação fazia os nutricionistas chorarem de desgosto ainda assim não precisava jogar na minha cara daquele jeito não é?
Respirei fundo, procurando manter a calma ainda faltava poucas quadras até chegar a minha casa e eu não queria irrita ló ao ponto de me jogar no meio da rua de noite.
Lembre se que ele é o dono do carro, apenas seja legal.
Meu rosto se virou, o meu corpo ainda continuava virado para a esquerda, observava o homem ali pelo canto dos olhos.
— E quem é você para falar alguma coisa?
E acabou tudo de bom que eu poderia dizer em menos de alguns segundos.
Ouvi um riso, algo em tom baixo ecoando por toda aquela parte.
Aparentemente eu o divertia e ao olhar pro motorista percebi que Meteo não era o único que tinha esse sentimento.
Ah! Pronto agora eu virei uma palhaça.
— Não sou ninguém. — Disse o moreno.
Respirei fundo, olhando o.
— Exat...
— Ainda assim o meu paladar não é igual ao de uma criança de cinco anos.
Sério? Ele tinha dito aquilo mesmo?
Eu me ajustei no banco, fiquei de frente pro folgado do meu chefe e quando estava pronta para soltar os cachorros o motorista parou o carro, atraiu a minha atenção e a de Meteo e com a voz tranquila disse, — Chegamos senhor.
Franzi o cenho, aquele não era o meu bairro.
Meteo saiu do carro e eu fui junto, estávamos parados em frente a um restaurante fora do ambiente chique da cidade.
— O quê estamos fazendo aqui? — perguntei.
O homem na minha frente olhou me como se eu fosse uma i****a, revirou os olhos e colocou uma das mãos no casaco enquanto a outra estendeu se no ar, mostrando se voluntária a me guiar por aquele caminho.
— Vamos comer, é claro. — Falou ele.
— Eu não estou com fome. — Disse, batendo um pouco o pé no chão.
Se antes eu não estava parecendo uma criança agora com toda a certeza eu estava.
Meteo riu baixo, moveu a cabeça para os lados em uma negativa.
— Pare de ser tão teimosa. — Falou um pouco paciente. — Não posso deixar que vá para casa com fome, não foi o que meus pais me ensinaram.
Olhei para ele sem acreditar nas coisas que ouvia.
Tudo tinha que ser do jeito dele e isso era irritante.
— Eu não vou entrar. — Falei e fui mudando o rumo do meu corpo de volta para o carro parado em frente ao restaurante, infelizmente o motorista acabou impedindo a minha passagem.
Virei me um tanto furiosa na direção de Meteo.
— Isso é sequestro, sabia?
Ele riu.
Deus! Ele é um doente.
— Vamos, apenas me acompanhe então.
Bufei, pelo visto não tinha outra saída então comecei a marchar em direção a entrada recusando toda a falsa gentileza oferecida pelo demônio, digo o meu chefe que atrás de mim gargalhava.
Com toda a certeza eu joguei pedra na cruz, é a única possível explicação para isso.
Ele estava ali parado ao lado da porta todo sorridente, a abriu e olhei na direção oposta vendo o motorista ser cúmplice daquele ato.
Onde eu fui me meter? Pensei enquanto entrava sem paciência alguma no restaurante.
Não era chique, era comum.
O comum que eu digo era que não existia aquelas pessoas de nariz em pé sempre te olhando como se você não pudesse pagar uma refeição, isso me deixou um pouco aliviada.
Pelo menos eu não teria que aguentar pessoas idiotas sendo escrotas.
Soltei um suspiro, o homem então colocou se ao meu lado totalmente sorridente.
Franzi o cenho.
— Você está me assustando. — Disse.
Arranquei consequentemente uma risada dos lábios masculinos.
— Desculpe. — Falou, apesar do que ele dizia Meteo não conseguia tampouco queria esconder a felicidade estampada em seu rosto e eu resumidamente revirei os olhos.
Soltei um sorrisinho, algo pequeno e singelo e então peguei na mão dele.
— Vamos logo com isso.