Alessandro
Hoje, precisamos discutir o lançamento do novo SUV elétrico. Este modelo foi projetado para combinar luxo e eficiência, e quero garantir que o posicionemos de forma estratégica e impactante no mercado.
O clique agudo do meu relógio ecoa no silêncio do escritório enquanto apoio as mãos sobre a mesa e observo o ambiente. Meus parceiros de negócios estão sentados à minha frente — Tom, o ansioso responsável pelas finanças; Lisa, a perspicaz diretora de Henryeting; e Daniel, o metódico chefe de operações.
A luz do sol atravessa as amplas janelas, lançando um brilho intenso sobre a sala moderna. O ar está carregado da tensão habitual — uma mistura de expectativas e incertezas, temperada por aquele cheiro persistente de perfume barato que insiste em pairar no ar sempre que há reuniões decisivas.
Tom se remexe na cadeira, ajustando os óculos com dedos trêmulos.
— Estamos projetando um aumento de 15% nas vendas — diz ele, entregando-me um relatório com gráficos coloridos e previsões. — Mas precisaremos revisar o orçamento de Henryeting para alcançar esse objetivo.
Assinto enquanto deslizo o dedo pela tela do tablet, anaLisando os números.
— Quanto vamos alocar para a campanha?
— Aproximadamente dois milhões de dólares — responde Lisa, com sua habitual segurança. Mesmo quando hesita por dentro, ela nunca deixa transparecer.
— Acredito que podemos maximizar esse valor focando em mídia social e anúncios segmentados — ela continua. — Nossa última campanha teve um retorno excelente, e com os dados que temos agora, estou confiante de que podemos ultrapassar a marca.
— Mídias sociais são cruciais — concordo, inclinando-me para frente. — Precisamos criar um burburinho real para o lançamento. Embora parcerias com influenciadores ambientalmente conscientes possam nos ajudar a espalhar a notícia com agilidade, não podemos esquecer nosso público-alvo principal: a elite.
Não estamos apenas vendendo um SUV elétrico. Estamos oferecendo um serviço de mobilidade premium, exclusivo — um símbolo de status disfarçado de sustentabilidade.
Tom se endireita, tocando novamente nos óculos.
— Qual é sua visão para tornar essa exclusividade tangível? Precisamos de algo que nos destaque da concorrência.
— Vamos implementar um modelo de associação limitada — digo, com convicção. — Apenas um número restrito de clientes poderá ter acesso ao serviço, mediante um processo seletivo. Isso cria uma sensação de pertencimento a um círculo fechado. Como fazer parte de um clube de elite.
Os olhos de Lisa brilham com entusiasmo.
— Promover isso como um serviço exclusivo vai repercutir. Não é apenas sobre ir do ponto A ao B — é sobre status.
— Acho que deveríamos também formar parcerias com marcas de luxo — hotéis cinco estrelas, restaurantes premiados — propõe Tom. — Podemos oferecer passeios de cortesia para eventos seletos, ou descontos para os membros nesses estabelecimentos.
— Excelente ideia — respondo, de forma seca, mas sincera.
— Ah… obrigado — ele diz, rindo de leve, visivelmente aliviado, antes de anotar algo apressadamente.
Daniel, que até então escutava em silêncio com os dedos entrelaçados sobre a mesa, finalmente intervém.
— Há alguma forma de incentivar os membros atuais a atrair novos clientes?
— Um programa de indicação poderia funcionar bem — responde Lisa, animada. — Membros existentes poderiam convidar outros para se candidatarem, e, para cada indicação bem-sucedida, oferecemos recompensas — como upgrades de serviço, viagens exclusivas ou experiências personalizadas. Isso cria não apenas uma base de clientes, mas uma comunidade.
Tom levanta um dedo, visivelmente empolgado.
— E se oferecermos acesso fechado a eventos de alto perfil? Galas, desfiles de moda, eventos de tecnologia… com pontos de desembarque exclusivos para nossos membros. Isso elevaria ainda mais a percepção de exclusividade.
O som de concordância ecoa pela sala — murmúrios, acenos de cabeça, e uma energia crescente de ideias se entrelaçando.
A estratégia está tomando forma. Agora, só falta executá-la com precisão cirúrgica.
— Uma coisa importante — minha voz ecoa firme pela sala.
— Devemos nos envolver com instituições de caridade locais. Posicionar-nos como socialmente responsáveis atrairá o lado filantrópico dos ricos. Isso reforça nossa imagem e aumenta a fidelidade à marca.
Vejo todos eles anotando os pontos que levanto, atentos, quase reverentes. Minha voz endurece à medida que continuo.
— Não podemos nos dar ao luxo de ter contratempos. Daniel, quero que você coordene com os fornecedores. Garanta que estejam preparados para o aumento na demanda. Sem atrasos.
— Senhor? — Daniel me interrompe, cauteloso. — E a concorrência? Eles têm sido agressivos ultimamente, principalmente com a nova linha de veículos híbridos. Precisamos nos antecipar.
Elysium.
O nome paira em minha mente como veneno doce.
Quando fundei a DriveX, minha empresa de logística de elite, pouco mais de um ano atrás, Lukas Braun — um empresário alemão com sede em Manhattan — correu para lançar sua própria versão do nosso conceito. Eles tentaram copiar tudo. Serviços, linguagem visual, até o tipo de cliente que buscávamos. Elysium era uma imitação barata, envernizada por promessas ocidentalizadas de luxo sustentável.
Mas o que eles realmente conseguiram foi escancarar o que sempre foram: uma cópia pálida da DriveX. Algo para quem queria a aparência de exclusividade sem poder bancar o verdadeiro valor.
Dou um sorriso irônico, carregado de desprezo.
— Deixem que venham. Temos algo que eles jamais terão: autenticidade. Nossa qualidade fala por si. A tecnologia que estamos integrando é incomparável. E, mais importante… eles sabem que há limites que não podem cruzar.
O peso das minhas palavras se instala na sala como fumaça densa. Os outros trocam olhares silenciosos. Posso ver o medo disfarçado em suas expressões — e, sob ele, uma ponta de admiração incômoda.
Tom limpa a garganta, prestes a dizer algo.
— Acho que também deveríamos.
Mas então, o som de uma comoção explode do lado de fora da sala de reuniões. Vozes elevadas, rápidas e tensas.
— Deixe-me entrar! Preciso vê-lo!
Franzo o cenho, irritado.
— Que diabos está acontecendo lá fora?
— Preciso ver aquele desgraçado! — a voz reverbera pelos corredores como um raio.
Meus punhos se cerram sobre a mesa, mas me recosto lentamente na cadeira, mantendo a pose de controle absoluto.
— Lamento, senhores, mas essa reunião terá que continuar em outro momento — murmuro entre os dentes.
Todos se levantam às pressas, fazendo uma série de acenos antes de deixarem a sala.
Pego o telefone.
— Traga quem quer que esteja causando isso. Agora.
Momentos depois, a porta se abre com força. Mateo Bianchi entra em fúria, o rosto vermelho de raiva. A atmosfera muda no instante em que ele cruza a soleira — o ar se torna espesso, carregado de eletricidade.
— Alessandro! Você acha que pode fazer o que bem entender?
Atrás dele, Emily, minha secretária, fecha a porta com uma expressão assustada. Ela sabe que ultrapassou um limite.
— Mateo. Que surpresa agradável te ver tão cedo — digo, rindo com frieza.
Ele se posiciona diante da minha mesa, com o imponente tampo de mogno entre nós. O modo como seus olhos queimam revela que ele m*l consegue se conter. Me pergunto se terá coragem de me agredir. Talvez ainda seja o covarde que sempre foi.
— Como ousa envolver minha irmã em nossos assuntos? — ele rosna, o rosto contorcido de indignação.
Me inclino levemente para frente, mantendo o olhar fixo.
— Você tentou matar Madisson para mandar uma mensagem, seu desgraçado! Como pôde envolvê-la nisso?
Um sorriso surge em meus lábios.
— Matar? Mateo, que acusação grave. E tudo isso tão cedo no dia… Não está exagerando um pouco?
Ele se inclina sobre a mesa, os olhos em chamas.
— Eu vi como você olhou pra ela na festa. Eu a escondi de você e desse mundo sujo por anos! E no instante em que a viu, decidiu que ela seria sua peça no tabuleiro de vingança!
Meus olhos se estreitam, e minha voz se torna um sussurro cortante.
— Já considerou que eu estava olhando porque ela estava simplesmente irresistível naquele vestido? Uma mulher linda, que atraiu todos os olhares. Inclusive o meu.
Mateo bate as palmas com força contra a mesa.
— Você, maldito!
— Ok, basta — corto, minha voz endurecendo como aço. — Já deixei você se exibir o suficiente. Acha mesmo que o ataque foi obra minha? Você tem muitos inimigos, Mateo. Quantos você apunhalou pelas costas por puro egoísmo?
— Você... — ele range os dentes. — Você forneceu produtos falsificados para a minha empresa com um nome falso!
Dou um sorriso letal.
— Ah, isso… Isso eu não n**o. Uma simples jogada, e seu império ruiu. Tão fácil, tão satisfatório.
Ele quase treme de tanta raiva.
— Negócios são negócios, Mateo. Você devia saber disso.
Ele se aproxima ainda mais, os olhos fervendo ódio.
— Tocar na minha irmã foi passar dos limites.
Minha voz agora é um rosnado baixo.
— Você merece cada segundo disso. E receio que estamos apenas começando.
— Você é doente. Mau. Lamento profundamente um dia ter te chamado de amigo.
Sinto a raiva fervilhar.
— Nesse ponto, concordamos. Agora saia.
Ele me encara por um segundo que parece uma eternidade. Há raiva, dor… e um eco quase imperceptível de arrependimento. Mas isso não importa.
— Isso não acabou.
— Ah, Mateo… você devia agradecer por ainda sair daqui com as duas pernas — sibilo. — É o mínimo que posso fazer por um velho amigo.
Seu rosto se contorce de ódio.
— Nunca vou implorar. Nunca estarei à sua mercê. E fique longe da minha irmã.
A porta se fecha com força.
Fico em silêncio por alguns segundos, sentindo a adrenalina pulsar como música. A presença dele, sua fúria, tudo isso… é quase estimulante.
Reclino-me na cadeira, permitindo que as lembranças voltem como fantasmas.
Mateo foi como um irmão. Crescemos juntos. E quando ele me traiu, parte de mim morreu. A outra parte… tornou-se o homem que sou hoje.
Esse confronto foi só o início da segunda fase. Eu o farei pagar — lenta, profundamente, até não restar nada.
Mas, antes disso… preciso encontrar uma forma de rever Maddie.
Este jogo está longe de acabar. E eu pretendo jogá-lo até o fim.