Rowena
Já estava anoitecendo quando foram para o escritório de Justus.
Nos olhávamos todos com interesse por onde passávamos. Vários machos passavam por elas e as olhavam, uns com evidente interesse outros com certa raiva. Bogdan e Jadiel permaneciam do nosso lado bloqueando qualquer tipo de aproximação.
Uma tela enorme cobria toda uma parede e a imagem de seu pai estava claro e nítida.
_ Meninas. - seu pai pareceu que tinha envelhecido anos quando as viu entrar - Vocês estão bem?
_ Fora alguns arranhões sim. - me sentei e encarrei nosso pai. Sempre houve um certo abismo entre eles que não conseguiam transpor.
_ O que aconteceu com seus pés Ranya? - tinham certeza se ele estivesse ali estaria ajoelhado na frente da filha analisando seus pés.
_ Foi só alguns cortes. Estou bem. - amenizou Ranya ainda no colo de Jadiel - Mas o que aconteceu pai? Por que fomos sequestradas?
_ Eles queriam que seu pai retirasse o apoio ao projeto que favorece a OPS. - explicou Justus.
Ambas encaravam Justus com curiosidade.
_ Que projeto é este? - quis saber.
_ Qualquer um que reproduzir drogas da Éblis Hadria ou Manchineel terá o mesmo grau de alerta de quem produzir Antraz por exemplo. Será considerado guerra biológica e terá status de terrorista. - explicou o senador.
_ Muitas pessoas perderiam milhões com a provação deste projeto. - explicou Justus - Além de perder todos os bens para ressarcir a quem prejudicou, principalmente a OPS.
Agora entendia o motivo de serem sequestradas. Tinha muita coisa em jogo. É admirou seu pai por se posicionar a favor num projeto tão importante. Conhecia o estrago que as drogas causavam aos jovens, não precisavam mais destas porcarias nas ruas.
_ Por isto meninas, eu preciso que permaneçam aí até a provação do projeto. - pediu o senador.
_ Nem morta! - me levantei da cadeira num salto, ficando de pé - Eu tenho meu centro para cuidar.
_ Eu também não posso ficar. Eu estava para ser promovida a âncora. Pai não dá para ficar aqui. - Ranya parecia desesperada.
Bogdan as olhava com evidente curiosidade.
O senador parecia desesperado nos encarando.
_ Meninas entendam...
_ Eu não vou ficar! - quase gritei, olhando Ranya que agora acariciava os cabelos de Jadiel pensativa - Ranya!
_ Estou pensando Rowena, não me apresse. - pediu ela em japonês parecendo tão irritada quanto eu - Droga! Eu estou com os pés feridos, não posso andar e agora sei que sou prisioneira aqui.
_ Você está com aquela cara pervertida Ranya. - a acusei em japonês.
_ Meninas falem em inglês. Ninguém entende vocês. - pediu o senador passando a mão pelo rosto - Tenho uma proposta para vocês ficarem.
_ Talvez seja boa Rowena. - Ranya disse ainda em japonês a olhando.
_ Qual a proposta? - quis saber curiosa.
_ Teremos uma festa de angariação de fundos que sempre doamos para uma instituição de caridade. Sou responsável este ano por escolher a instituição.
Conhecia aquelas festas e sabia muito bem dos milhares de dólares que eram angariados. Com aquele dinheiro podia fazer maravilhas em seu centro.
_ Se eu fosse você aceitava. - Ranya lhe disse em japonês - Você sempre está reclamando que seu centro estava sem recursos. Isto é uma boa oportunidade. Pense nas maravilhas que pode fazer.
Olhou com raiva a irmã. Ranya tinha razão é sabia disto, mas aquele sorriso lhe dizia que ela sabia o que queria, mas precisava manipulá-la para que ficasse.
_ O que você vai ganhar? - quis saber.
_ Quantos dias? - Ranya perguntou ao pai.
_ Ranya, por que você continua no colo deste homem? - agora o senador parecia notar e não gostar de ver sua filha no colo de um homem enorme.
_ Maravilha! Agora ele vai nós tratar como garotas virgens. - reclamei em japonês revirando os olhos.
Jadiel quis colocá-la no sofá, mas Ranya o impediu.
_ Estou muito bem onde estou papai. - Ranya sorriu feliz - Jadiel está fazendo um grande favor a mim me carregando para todos os lados. Devia agradecer papai.
O senador parecia estar perto de ter um infante. Nunca apresentaram um namorado a ele por causa de seu ciúme quase doentio. Seu lado irlandês prevalecia nestes momentos.
_ Quanto tempo pai? - perguntei impaciente.
_ Uns vinte dias eu creio. Quanto a você Ranya...
_ Quero uma exclusiva com o senhor e Justus após a aprovação do projeto. Também quero conhecer a reserva e Patrída. - propôs Ranya sorrindo.
_ Isto é possível, mas não pode escrever nenhuma linha sobre a reserva ou sob qualquer coisa sobre nós. Nada de detalhes! - impôs Justus sério - Quanto a entrevista tudo bem.
Sorri da careta que fez a minha irmã de desgosto.
_ Também terão que assinar um contrato de confidencialidade. Nele vocês se comprometem a manter tudo em sigilo absoluto. Não poderão nem mesmo dizer que estiveram aqui. - complementou Jéssica aparecendo na sala - Sabemos que você é repórter Ranya. É isto aqui seria um prato cheio para você.
_ Estraga prazeres. - resmungou Ranya fazendo todos tirem.
_ Mandei as coisas de vocês. É vou conversar com seus amigos e darei uma desculpa pela ausência. - as avisou o senador.
_ Vocês ficarão aqui. Separei uma casa para vocês próximo a zona selvagem. Quase ninguém fica por lá. Bogdan e Jadiel ficaram com vocês, já que estão habituadas a eles. Podem fazer suas refeições em nosso refeitório ou cozinhar, como preferir. - disse Justus sério - Somente peço que não andam por aí sem Bogdan ou Jadiel. É muito perigoso! Muitos de nossos machos ou não gostam muito de contato com humanos ou querem uma companheira de qualquer forma.
_ Interessante. - Ranya sorriu - Mas podemos conversar com eles?
Jadiel fez um barulho engraçado com a boca chamando a atenção de todos.
_ Não há problemas de conversar se eles quiserem. - Justus riu - Querem ir jantar no refeitório? Todos podemos ir.
_ Acho uma boa ideia amor. Assim eles podem ver que elas são amigas. - Jéssica se aproximou do marido lhe dando a mão.
_ Boa noite, minha filhas. Vou manter contato.
_ Sim, pai. - ambas responderam antes que ele desligasse.
(...)
O refeitório estava repleto de machos quando entramos.
Para minha surpresa Bogdan se colocou ao meu lado.
Vários machos vieram cumprimentar Justus e este nos apresentava, pedindo a colaboração deles.
Achava engraçado o modo como eles as olhavam, muito curiosos na verdade de mim para Ranya que conversava com Jadiel. Acho que é devido por serem gêmeas idênticas.
Quando teve que voltar à mesa para fazer seu prato, pois ajudou primeiro Ranya, um macho com longos castelos castanhos e olhos verdes incomuns se aproximou.
_ Você é bonita! - a elogiou
_ Obrigada. - sorri e continuei a colocar comida em meu prato.
_ Você tem algum macho?
_ Se eu tenho um o quê? - o olhei confusa levantando uma sobrancelha.
_ Severos. - Bogdan se aproximou, parecendo irritado - Mantenha-se afastado dela. – ordenou.
_ Não sinto seu cheiro nela Bogdan ou de outro macho. Você não pode me pedir para não me aproximar. – retrucou.
Olhei de um para o outro com atenção, sentindo a tensão entre os dois machos a sua frente. Num confronto era impossível saber quem ganharia. Ambos eram muito altos, fortes, musculosos ...
Bogdan me puxou para trás de si e encarou o macho.
_ Sim eu posso. Justus a entregou a mim. Ninguém vai tocá-la!
_ Calma rapazes. - o marido de Triana apareceu acompanhado de Jadiel - Estamos com convidadas. Bogdan a leve para mesa. Vamos conversar Severos.
Bogdan me segurou pelo braço, levando de volta para a mesa ao lado de Ranya, que parecia eufórica com a cena.
_ Nunca mais se afaste sem estar acompanhada de mim ou Jadiel. - grunhiu furioso Bogdan se sentando ao seu lado.
Justus se levantou e foi se juntar ao grupo de machos que pareciam estar discutindo.
_ O que ele queria Rowena? - quis saber Ranya.
_ Perguntou se eu tinha um macho. - respondi confusa e olhei para Bogdan, depois para Jéssica que ria.
_ Os shifters tem um vocabulário bem próprio. Macho quer dizer namorado ou companheiro. Fêmea é mulher. - explicou Jéssica.
_ Ele também disse que não sentiu cheiro de nenhum macho em mim. O que quer dizer isto?
_ Além de ouvirem bem demais eles tem um olfato extraordinário. Conseguem nos distinguir pelo cheiro. Shifters são fanáticos por cheiro, não é Bogdan? - o provocou Jéssica.
_ Nós os caninos podemos sentir cheiros melhor que os outros. - Bogdan levantou a cabeça me encarou - Podemos distinguir o cheiro de dor, o que usou de shampoo, se esta excitada, se fez sexo...
Minha respiração se alterou e tentei me controlar, lembrando que ele acabou de falar.
_ Quando Severos disse que não sentiu nenhum cheiro em você quer dizer que não compartilhou sexo com nenhum de nós. Não tem macho. Está livre! - terminou de explicar Bogdan.
_ Você consegue distinguir entre nós duas? - quis saber curiosa Ranya.
_ Sim. Vocês tem cheiros bem distintos. - Bogdan respondeu ainda me encarando.
_ Mas se Rowena voltasse com o tom dos cabelos escuros e usássemos o mesmo shampoo. Ainda assim conseguiriam nos distinguir? - insistiu Ranya curiosa.
_ Não sei. - Bogdan franziu a testa ainda me encarando, chegando mais perto de mim - O melhor cheiro que há é do sangue.
_ Entendo. – disse, desviando o olhar.
_ Meninas, nossos machos também são terrivelmente sinceros. Por isto, não perguntem se não querem ouvir a resposta. - as orientou Jéssica.
A conversa na mesa voltou ao normalmente com uma Ranya havida por informações e fiquei pensativa. É muita coisa para se pensar e analisar. Precisava tomar muito cuidado daqui para frente.
Jéssica sorria para si mesma, nos observando, acho que ela pensava que estava se formando casais a sua frente. Pois por mais queríamos esconder é claro a atração entre eles. Só esperava que isso ficasse para si, e não comentasse com Justus ainda. Afinal ele tinha nos dado ordens para permanecer quietas e só sair acompanhadas, e aos machos, pelo que ficou claro, para que não as tocassem. Só que eles não nos conheciam, faríamos este favor a eles.
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Minhas lindas,
Queria muito ler os comentários de vocês sobre o desenvolvimento da história.
Divirtem-se e me de seus corações. Loucas para isso!!!
Beijocasssssssssssssssss...