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LÚCIA NARRANDO A campainha ainda ecoava na minha cabeça quando a porta finalmente se abriu. A empregada — aquela mesma, sempre com o olhar de cachorro assustado — apareceu com o pano de prato na mão. — Boa tarde, dona Lúcia… — Abre. — cortei, empurrando a porta com a própria mão. — Onde é que tá o Antônio? Ela deu um passo pra trás, abrindo passagem, porque sabia muito bem que não tinha autoridade nenhuma ali. — O… o doutor Antônio tá na sala, senhora. A dona Helena também… — Ótimo. — falei, entrando. — Porque eu quero falar com os dois. Entrei na casa do meu filho como sempre entrei a vida inteira: sem pedir licença. A sala estava como sempre — impecável, organizada demais, com aquele cheiro de casa que tenta parecer perfeita. Eu já vinha fervendo desde o restaurante, e aquele clim

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