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LÚCIA NARRANDO Eu saí daquele restaurante embaixo de aplauso mudo. Os olhos, os cochichos, os celulares levantados… tudo aquilo me rasgando por dentro. O gerente tentando falar alguma coisa, os seguranças com aquela cara de “que situação”, Joseph pedindo calma, Marlene com aquele ar de mártir vencedora. Eu, Lúcia Montezzano, colocada no lugar de piada. Nunca. Saí andando com o queixo erguido, mas por dentro eu tava em carne viva. Cada passo até o estacionamento era uma facada. Meu salto batia no piso como se quisesse quebrar o mármore. Apertei tanto a bolsa na mão que quase amassei o couro. “Vendedora de bolo da praça.” “Empregadinha de Vicente de Mauá.” É isso que ela é. É isso que ela sempre foi. E agora, diante de todo mundo, naquela cena de circo, ela me enfrentou. Levantou a mã

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