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MARLENE NARRANDO Quando o movimento foi acalmando, eu sentei um pouco no banquinho, de cabeça baixa, separando o que tinha sobrado. Quase nada. Graças a Deus. Do bolo de milho, três pedaços. Do de limão, mais dois. Um de cenoura perdido ali no canto da bandeja. Eu fui cortando de novo as bordas, ajeitando, passando a espátula devagar, mantendo tudo limpinho, as tampas fechadas direitinho. Mesmo no fim do dia, eu não gosto de nada jogado, nada bagunçado. Tava tão concentrada ali, conferindo as moedas da caixinha, que nem ouvi o carro encostar direito. Só percebi quando o barulho do motor desligou e a sombra fez um risco no chão, bem em cima da minha mesa. — Boa tarde… — uma voz masculina chamou. — Ainda tem bolo aí? Levantei a cabeça. Meu coração deu um solavanco tão forte que eu quas

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