Helena Narrando - continuação A Lúcia fechou a cara. — Aquela menina não tinha preparo— — PREPARO? — eu gritei. — Preparo pra quê, Lúcia? Pra amar? Pra não desistir? Pra não virar as costas? Minha mão tremia em cima da mesa. — O meu filho falava merda pra ela — continuei — e ela devolvia. Não com grito, mas com presença. Ele mandava ela sair, e ela sentava. Ele xingava, e ela ficava. Ele se recusava a comer, e ela não arredava o pé até ele dar a primeira garfada. A Lúcia tentou interromper. — Você não sabe.. — NÃO SABE É VOCÊ! — eu explodi. — Você não sabe o que é passar a noite inteira acordada com medo do seu filho se matar enquanto você dorme! Você não sabe o que é ouvir ele dizer que a vida acabou! Meu peito doía. — Ela fez ele ligar o celular que ficou desligado por meses.

