HELENA NARRANDO Eu respirei fundo antes de falar. Não porque eu estivesse calma — eu não estava —, mas porque, se eu abrisse a boca sem puxar o ar, eu ia desmoronar. E eu precisava ficar de pé. Por mim. Pelo meu filho. — Chega. — minha voz saiu firme, mais firme do que eu me sentia. — Agora sou eu quem vai falar. Ninguém me interrompeu. Talvez pelo tom. Talvez pelo jeito que minhas mãos tremiam enquanto eu apoiava os dedos na mesa. — Você não tem o direito de decidir nada sobre a vida do meu filho. — eu disse, olhando diretamente para a Lúcia. — Nenhum. Nunca teve. Ela abriu a boca para responder, mas eu levantei a mão. — Não. — continuei. — Você falou demais. Agora escuta. Engoli em seco. As imagens vieram todas de uma vez, como sempre vinham quando eu tentava fingir que estava tud

