ANTÔNIO NARRANDO Eu tava tremendo de raiva. Não era nem só pelo que ela fez era pelo que ela achava que podia fazer. Minha mãe sempre foi controladora, sempre foi dura, sempre gostou de mandar. Mas daquela vez ela tinha passado de todos os limites. — Isso tudo é culpa sua — ela disparou pra mim, apontando o dedo. — Sua e da Helena. Como é que vocês permitem uma garota dessas dentro da casa do meu neto? — Garota dessas como, mãe? — eu rebati, já sem paciência. — Uma cuidadora sem formação! — ela levantou a voz. — Eu puxei tudo. Tudo. Ela não tem curso, não tem especialização, não tem nada. Começou uma faculdade e largou. Isso não é currículo pra cuidar de um Montezzano! Helena soltou uma risada curta, incrédula. — Meu Deus… você pesquisou a vida inteira da menina? — ela perguntou, áci

