JOSÉPH NARRANDO Eu sentei no sofá da sala dela com a sensação estranha de estar no lugar certo… e, ao mesmo tempo, completamente deslocado. A casa cheirava a limpeza, café e bolo recém-assado que grudou nas paredes ao longo dos anos. O piso novo brilhando, cortina simples, sofá arrumadinho, tudo muito diferente de tudo que eu já tive na vida. Diferente das mansões, dos tapetes persas, dos móveis importados. Aqui não tinha nada disso. Mas tinha uma coisa que eu não via há muito tempo: paz. Marlene se sentou na outra ponta do sofá, de lado, as mãos juntas no colo, o corpo meio tenso. Ela fingia estar à vontade, mas eu já conhecia o jeito dela. Quando ela se encolhia assim, era defesa. — Eu não tenho o dia todo, não, senhor José. — ela disse, sem olhar muito pra mim. — Fala logo o que cê

