Ele ficou em silêncio por meio segundo. Mas foi aquele silêncio perigoso. O tipo de pausa que antecede confusão grande. — Como é que é? — ele perguntou, devagar demais. — Vamos comprar em outra loja — tentei cortar logo. — Aqui é caro demais, Davi. Com o preço de um vestido desse eu compro uns trinta em outras lojas. Não precisa disso. Eu prefiro ir embora. Eu já tava quase implorando pra sair dali, porque a sensação de estar sendo julgada por aquelas mulheres bem vestidas, pelos olhares atravessados, pela vendedora nariz em pé… tava me fazendo querer desaparecer. — Não. — ele respondeu seco. Eu olhei pra ele, confusa. — Não o quê? — Não vamos embora. — ele disse, já empurrando a cadeira pra frente com uma mão enquanto segurava meu pulso com a outra, firme, mas sem machucar. — A gen

