Olhei praquela mesa enorme, com mais de dez lugares, e senti um frio na barriga. Em poucas horas, ali ia estar cheio de gente. Gente importante. Família dele. E, mesmo assim, pela primeira vez desde que tudo começou, eu não senti vontade de fugir. Eu senti que aquele lugar… também era meu. A casa entrou naquele ritmo silencioso e eficiente que só gente acostumada a evento grande sabe fazer. As meninas iam e vinham ajeitando tudo com cuidado: alinhando guardanapo, conferindo talher, limpando qualquer marca invisível que só elas enxergavam. Eu ficava andando pela sala, olhando, voltando, mexendo numa vela que já tava certa, só pra aliviar a ansiedade. A Dona Helena se aproximou de mim, já com a bolsa no braço, elegante como sempre, mas sem pressa nenhuma. — Bom… agora eu vou pra minha cas

