ISABELA NARRANDO Eu achava que já tinha chorado tudo que eu tinha pra chorar nessa vida. Aí veio aquele consultório em Paris e provou que eu não sabia de nada. Eu sentei naquela cadeira ao lado do Davi achando que ia ouvir mais do mesmo. Médico branco, de óculos, super chique, cara de quem estudou em todos os lugares caros do mundo. Na minha cabeça eu já tava preparada pra ouvir: “Ah, monsieur, sua lesão é muito grave… blá blá blá… faça fisioterapia pra manter qualidade de vida… blá blá blá… mas não crie expectativas.” Só que não. Eu vi o médico examinar o Davi com calma, vi ele levantar perna, apertar músculo, mandar fazer força, pedir pra ele se equilibrar, testar reflexo. Eu via o olhar concentrado dele, via que ele tava de verdade avaliando cada detalhe. Mas confesso: só fui respi

