JOSEPH NARRANDO Quando ela disse “se você quiser falar comigo, fala direito”, eu entendi o recado. Não era mais o tempo do homem rico chegar, apontar, mandar e achar que tava tudo certo. Com a Marlene nunca foi. E talvez por isso eu tivesse voltado ali. Porque ela me obrigava a ser alguém melhor do que eu fui a vida inteira. Eu respirei fundo, segurei os papéis do divórcio na mão e encostei de leve na barraquinha dela. — Então eu vou falar direito — repeti, mais calmo. — Mas não aqui, no meio da rua, com meio mundo passando. Ela riu sem humor, cruzando os braços. — Aqui é onde eu trabalho, Joseph. Não tenho sala de reunião, não. Olhei em volta. Um senhor atravessando a praça com o cachorro, duas adolescentes mexendo no celular sentadas no banco, uma mulher saindo da farmácia. Nada d

