DAVI NARRANDO Eu ainda tava sentindo a água quente caindo na nuca e ouvindo a voz dela ecoando na minha cabeça: “Responde. Agora. Na minha frente.” Ela em pé no meio do quarto, olho vermelho, nariz inchado, mandona pra c*****o, me obrigando a escrever o e-mail de desistência do suicídio assistido como se eu fosse um adolescente pego fumando no banheiro da escola. E o pior? Eu obedeci. Escrevi do jeito que ela quis, no idioma que ela quis, com as palavras que ela quis. Depois ela ainda leu linha por linha, mandou eu acrescentar mais coisa, apertou “enviar” na minha frente e só então soltou o iPad, como se tivesse desarmado uma bomba. Agora, debaixo do chuveiro, eu lembrava da cena e… ria. Não dela chorando. Isso tinha me quebrado de um jeito que eu nem sabia explicar. Mas do jeito q

