LÚCIA NARRANDO Silêncio. Silêncio demais pra uma casa daquele tamanho. Onze quartos. Três salas. Biblioteca. Salão de festas. Piscina olímpica. E eu sozinha. O som do meu salto ecoa no mármore como se estivesse num mausoléu. Talvez seja. Um mausoléu de um casamento morto. Sirvo mais um dedo de uísque. O gelo bate no cristal, único barulho que me faz companhia. Joseph foi embora. O meu Joseph. Levado por quem? Por uma vendedora de bolo de praça e pela filha dela, aquela coisinha de bairro que agora anda desfilando sobrenome Montezano por aí como se tivesse nascido nele. Levo o copo à boca, sinto o álcool descer queimando. — Bastardo… — murmuro, sozinha. — Eu não vou aceitar bastardo pobre na minha família. Nunca. Olho ao redor. Cada quadro, cada peça, cada tapete… tudo aquilo existe

