DAVI NARRANDO A verdade é que, na hora que eu joguei aquela frase no ar — “deita aqui na cama comigo” — eu falei na maior naturalidade possível, mas por dentro… por dentro eu fiquei com o coração batendo igual tamborim de escola de samba em final de desfile. Não demonstrava, claro. Eu nunca demonstro nada. Mas fazia meses, MESES, que ninguém dividia cama comigo. Nem a Bianca, muito menos qualquer outra pessoa. Desde o acidente, eu virei uma ilha: dormia sozinho, acordava sozinho, virava a madrugada mexendo no celular, vendo vídeo i****a só pra não ter que encarar o silêncio do quarto. Silêncio sempre foi meu inimigo desde que eu perdi minhas pernas pra mim mesmo. Então quando ela olhou pra mim com aquele susto, como se eu tivesse falado um absurdo: — O QUÊ? — ela perguntou, toda arregal

