Davi Narrando - continuação Ela tava mexendo no meu cabelo, devagar, com a ponta dos dedos, como se estivesse desenhando alguma coisa no meu couro cabeludo. Às vezes ela passava a unha bem de leve e aquilo dava um arrepio que eu tentava disfarçar olhando pra televisão, mas a verdade é que eu nem sabia mais que filme era aquele. Só via cor passando na tela, porque minha cabeça tava inteira nela. Quando ela perguntou: — Davi… você tá vendo o filme? Eu só respondi: — Aham. E era mentira. Mas eu nunca ia admitir isso. Ela riu baixinho, aquele riso gostoso, suave, que se apoia no peito da gente como se fosse travesseiro. — Toda vez que eu vejo esse filme, eu choro — ela disse, com a voz mansa, ainda mexendo no meu cabelo. Eu virei o rosto pra ela, confuso. — Como é que tu tá vendo um

