DAVI NARRANDO Assim que ela entrou na cozinha com aquele tabuleiro como se estivesse carregando um troféu olímpico, eu já soube que não ia ser fácil pra mim. Bolo caseiro. Cheiro de infância. Cheiro de casa que funciona. Cheiro de coisa que não tem dinheiro no mundo que compre. — Amor… — falei já encostando a cadeira mais perto do balcão. — Só um pedacinho. Ela virou pra mim na hora, protegendo o tabuleiro com o corpo, rindo. — Não. — Como assim, não? — Não mesmo. — apontou o dedo pra mim. — Esse bolo é da minha mãe. É meu. Eu esperei meses por isso aqui. — Mas você acabou de enfiar um pedaço na minha boca na frente dela — Aquilo foi degustação — respondeu, séria demais pra quem tava rindo. — Agora acabou. Eu me apoiei no balcão, fazendo cara de sofrimento. — Você não tem coração

