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LÚCIA NARRANDO A casa acordou no ritmo que sempre acorda: no meu. Ainda antes do café estar completamente servido, eu já estava de pé, atravessando os corredores da mansão como quem atravessa um tabuleiro de xadrez. Cada passo calculado. Cada ordem no tom exato. Nada fora do lugar — pelo menos não dentro dessas paredes. — As flores da sala estão murchas. Troquem. — O café do Joseph não é esse. Já falei mil vezes. — Essas cortinas precisam ser abertas por igual, não assim. — E alguém avisa a cozinha que hoje eu não quero nada pesado. Os empregados se moviam rápido, em silêncio. Conhecem o meu humor pelo som dos meus passos. Sabem quando falar, quando não falar, quando apenas obedecer. Joseph estava sentado à mesa, lendo o jornal, como se o mundo não estivesse à beira de um colapso m

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