ISABELA NARRANDO Abri. Simples assim. Sem trilha sonora, sem aviso, sem preparo emocional nenhum. O papel parecia pesado demais pra algo tão fino. Meus olhos foram direto pra palavra que importava, pulando números, referências, códigos que eu não entendia. POSITIVO. Por um segundo, achei que tinha lido errado. Fechei o envelope. Abri de novo. Li mais devagar. Linha por linha. Não mudou. Não ia mudar. Meu coração disparou num ritmo completamente fora do normal. A respiração ficou curta. A mão começou a suar em volta do papel. — Não… — sussurrei, mais como reflexo do que como negação. — Meu Deus… Encostei a cabeça no volante e fechei os olhos. Não era pânico. Não era alegria. Não era medo puro. Era tudo junto, misturado, embolado num nó que travou bem no meio do peito. Grávida. A pal

