LIVRES DOS CALLALTO
ORDEM DOS LIVROS:
DAMON: Nas mãos de um mafioso
DIMITRI: Nas mãos do subchefe da máfia
THOMAS: A vingança do chefe da máfia
FLÁVIA: A princesa renegada da máfia.
FLÁVIA LUCCHESI CALLALTO
Ah... A liberdade!
Eu nunca me senti tão livre em anos.
Os malditos Petrov atrapalharam a minha vida no melhor momento de todos. Quando eu descobri quem era meu pai biológico e comecei a namorar o Dimitri.
Certo que meu namoro com o Dimitri foi muito turbulento na época, mas nada que recursos limitados não deram um jeito.
Por conta do perigo com os Petrov, meu pai não me deixava sair de casa sem ter dois seguranças no carro.
Ele fez muitas mudanças, não só na casa onde moramos, que se tornou uma verdadeira fortaleza, assim como fora da nossa casa. Quando saímos, usamos carros blindados e estamos sempre bem armados. A cidade é totalmente dominada pelos Callalto e mesmo assim não confiamos e não vacilamos por todos esses anos.
Eu não saí daqui desde então. Nunca mais fui a SummerVille, ou como eu gosto de chamar A vila ensolarada dos Lucchesi. Muitos menos a Vegas ou outra cidade.
Não passo dos limites daqui, não vejo nenhum Lucchesi a não ser o Dimi, que vem me ver.
A minha amizade com a Olívia continua e Damon segue sendo o meu primo favorito.
Mas tudo isso não significa que sucumbi à tristeza e desespero de ficar numa cidadezinha de 30 mil habitantes.
Se eu era a renegada da família Lucchesi, na família Callalto eu me tornei uma princesa e essa cidade se tornou meu reino.
Todo mundo fazia de tudo para me proteger e eu adorei todo esse tempo que fiquei sendo bajulada pela minha família e também pelas pessoas desta cidade.
Sem sombra de dúvidas eu prefiro morar aqui do que em SummerVille ou na cidade dos meus pais.
Até o meu ânimo mudou. Eu sempre fui energética, mas agora eu sou muito mais realizada. Eu sei o que é ser amada e querida. Se antes eu não aceitava comentários grosseiros contra mim, agora é que eu não aturo mesmo.
Depois da morte dos Petrov e do casamento do sádico Thomas, eu e Dimitri planejamos uma viagem.
Foi relativamente bom aparecer no casamento do Thomas. 50% bom.
Rever as pessoas que eu gosto me fez renovar os laços, mas rever a tia Stefania... Ai meu pai...
Não gosto nem de lembrar. A minha candidata a sogra continua tendo a mesma opinião sobre mim. Eu também não mudei. Continuo achando que ela é uma perua maconheira defensora do patriarcado.
Terminei de fechar a bota que chegava quase um palmo acima dos meus joelhos e levantei da cama. Eu estava terminando de me aprontar para encontrar Dimitri. Ele vem me buscar para a nossa viagem. Será como uma lua de mel, sem o mel e sem o casamento.
É que foram muitos anos dando rapidinhas escondidas. O meu pai é muito ciumento e ele não gosta muito de saber que estou não só comungando, como se chupando, mordendo e fodendo com um Lucchesi.
Mas eu estava louca pra ter um tempo com o Dimi. É difícil ficar no sobe e desce no sofá, sem fazer barulho, fingindo que estou sentada em seu colo e com medo de meu pai aparecer para nos pegar no flagra. Mas já progredimos no beco da casa... Afs. É como se eu tivesse quinze anos.
No casamento do Thomas até que rolou, mas ainda não foi tudo o que eu queria e sei que ele também não.
Eu usava uma saia e uma blusa pretas. A saia era de couro e a blusa tinha um decote em V. Coloquei um blazer por cima que cobriu praticamente tudo, mais um cinto da Gucci para marcar a cintura.
A minha irmã Ysla estava do lado na porta, me assistindo.
Ela deixa claro o quanto me admira sempre que está me vendo fazer algo.
Fui até a frente do espelho e joguei meus cabelos para o lado direito. As minhas jóias douradas eram tão bonitas e brilhantes que me deixavam muito elegante em conjunto com o resto do look.
— Então, o que você acha, Ysla?
— Parece uma modelo.
Eu dei risadas. — Só vou passar um batom e então vou sair. — voltei para a cama e peguei o batom que já estava separado. Passei em frente ao espelho o batom avermelhado e mandei um beijo para mim mesma.
Pelo reflexo do espelho vi a minha irmã se divertindo com o meu jeito.
— Cuide bem do José Luís. Se eu souber que vocês estão brigando, eu não trago o seu tênis da Prada.
— Eu me comporto. Ele que é um chato de galocha.
— Ele é pequeno e gosta de você. Por isso ele fica no seu pé. — guardei o batom na minha bolsa da Gucci também e arrastei a minha mala para fora do quarto.
O meu pai saiu do escritório e a Isabel apareceu com aquele sorriso de mãe orgulhosa.
Confesso que nesses anos, mesmo tendo conversado um pouco com a minha mãe, eu tenho me sentido muito acolhida pela Isabel. Ela é uma mãe e tanto.
— Está linda. — comentou sobre a minha roupa.
— Obrigada. — o enorme sorriso foi inevitável. Eu fiz um bom trabalho procurando referências de looks para esta viagem.
— Hum. — meu pai apertou os cantos da boca e tirou os óculos de leitura do rosto. Eu já imaginei que ele iria desaprovar. — E essa viagem é segura mesmo?
— Pai, os Petrov já estão apodrecendo no quintos dos infernos, não tem mais nenhum inimigo evidente e nós sabemos nos defender. Dimitri é o melhor atirador da família e eu... Você viu o que eu fiz no alçapão da casa do Francisco. Nós vamos ficar bem. Se o problema nos encontrar, eu tenho pena dele. — assegurei e levei a mala para perto da porta de saída. Meu celular carregava na sala e só tinha uma mensagem de "estou chegando" do Dimitri, enviada há cinco minutos. — Ele já está chegando.
Era hora da despedida.
Fui primeiro na Ysla e reforcei o pedido para cuidar do José Luís, me despedi do pequeno e depois da Isabel.
— Se divirtam. Vocês merecem depois de tantos anos. — ela me deu um abraço quentinho que me fez sorrir.
— Obrigada.
Fui até meu pai também e ele encarou melancólico o meu rosto e depois me deu um abraço forte. — Cuidado, Flávia. Cuidado. Eu não confio em você fora daqui.
— Pai... Não precisa se preocupar assim. Nós vamos ficar bem. Eu cresci no meio de uma confusão tremenda. Acredite, esses anos estão sendo os mais calmos da minha vida.
— Porque você estava segura aqui.
— Não vai acontecer nada. E qualquer coisa que aconteça, eu ligarei imediatamente.
— Tá bom. — ele me soltou apertando os lábios. — E aquele moleque... Diga a ele para tomar cuidado também.
Esse pedido me fez rir. Ele nos trata como crianças.
— Ele quer dizer para não voltar grávida. — Isabel traduziu.
— Não voltarei. — encarei isso como algo impossível.
É evidente que serei eu e Dimitri a unir os Lucchesi aos Callalto pelo sangue, mas essa união não acontecerá agora.
Saí de casa com a minha mala e eles ficaram na sala. Eu sabia que meu pai estaria de olho em mim através da câmera de segurança e saí um pouco tranquila por também saber que tem homens vigiando ali fora.
Ficar perturbado com essas coisas é complicado. Às vezes dá vontade de ignorar, mas ignorar é burrice depois de tudo que já passei na vida.
O Lykan do Dimitri estava parado ali na frente e ele estava de pé, encostado na frente do carro, olhando a rua de braços cruzados e óculos escuros, que tirou assim que me viu.
Ele estava numa camisa preta, bem passada, uma calça escura e sapatos casuais discretos.
Porra! Estava gostoso demais!
E ele me olhou de cima a baixo, fixando o olhar onde o meu blazer acabava, então fez um O com a boca e franziu a testa.
— Como passou pelos buracos com esse carro? — passei por sua frente deixando a mala pra trás e na intenção de entrar logo no carro.
Às vezes eu fico nervosa quando vejo o Dimitri. E às vezes eu fico com vergonha de andar muito arrumada também. Como neste momento. E ele me olhando desse jeito. Eu fiquei totalmente desconcertada.
— Ei... — ele segurou meu braço direito e depois segurou a minha cintura com a outra mão, então me fez andar para trás e parei em seus braços, de lado. — Vai passar sem me dar um beijinho, é? — me virou de frente para ele, já mordendo os beijos e eu não soube fazer nada além de olhar aquele gesto como sexy e excitante. Seu perfume gostoso agora possuiu as minhas narinas e me trouxe a tona momentos em que pegamos fogo juntos e essa fragrância foi exalada junto com o seu suor.
Ele soltou o meu braço e delicadamente agarrou a minha nuca, deslizando os dedos macios por entre os fios dos meus cabelos. Eu fechei os olhos e balancei a cabeça para roçar meu couro cabeludo mais uma vez em sua mão. O arrepio desceu a espinha e pela minha coxa direita.
Mal abri os olhos e já o vi vindo com seus lábios ao encontro dos meus. Nossos narizes se tocaram e ele sugou o meu lábio inferior, depois o soltou e veio com a sua língua, que eu recebi com uma boa chupada. Ele não prosseguiu com o beijo e me encarou embriagado.
— Desse jeito você me deixa louco. Me diga por favor que debaixo dessa roupa tem algo a mais que uma lingerie ou então perderemos o vôo. — ele encostou sua testa na minha e eu ri.
— Tem mais roupa sim. Agora vamos embora, porque temos que fazer o check-in e o meu pai está assistindo a você me agarrando na frente da casa.
— Está?
— Pela câmera de segurança. — tirei suas mãos do meu corpo e saí da frente do carro.
— Tudo bom, sogrão? — ele acenou para a câmera e eu cobri o rosto rindo. — Pode ficar tranquilo que eu vou cuidar da sua menina.
Aham. Isso se eu não cuidar dele. O que tem mais probabilidade de acontecer.