MADRID JÁ DEU PARA MIM

1949 Words
DIMITRI Conseguimos sair da festa sem nenhuma briga, mas Flávia ficou alguns dias perturbada com essa história. Vez ou outra tocava no assunto. Ela tem trabalhado seu controle, já que quando fica brava não tem quem segure e eu que o diga, mas a cada novidade desnecessária que ela recebe de Daniela, a mulher se enfurece mais. Eu tinha coisas mais importantes com as quais me preocupar. Por exemplo, a explosão da minha boate. Posso parecer insistente, mas se não fosse a minha insistência, não estaria tendo essa conversa que está em andamento agora, com os meus irmãos. — Não pense que negligenciei a sua preocupação. Eu coloquei gente para investigar. — Damon contou. — É o nosso pai, o Dom da família Lucchesi. Se não tem ninguém tentando nos matar, não é a nossa vida normal. Ouvimos um barulho esquisito de golpes e depois um choro. Damon olhou para o lado na chamada de vídeo. — O que foi isso? — me preocupei. — A líder de torcida daqui de casa. Saltou no pula-pula e quebrou a cara. Coitada da minha sobrinha. — Falando nisso, Thomas, a Cecília está grávida? A cara do meu irmão foi engraçada. Era uma infelicidade misturada com conformismo. — É… Parece que não tem anticoncepcional que pare a minha semente de ser fecundada. Ri e foi com gosto. — Tenho medo cada vez que nasce um Lucchesi. — confessei. — Sempre são bonzinhos até os oito anos e só se aquietam depois dos vinte e cinco. Damon riu. — Isso é verdade. Com exceção do Ares, que desde os primeiros meses toca o terror. Acho que depois dos oito ele vai se aquietar e com vinte e cinco se ordenar como padre. Thomas riu junto comigo. — Iludido. Isso seria interessante na nossa família. — Padre Ares. Teria que trocar de nome. Ficamos os três rindo dessa possibilidade por um tempo e perdemos o assunto principal. — O que foi? — Flávia sentou do meu lado, estranhando as nossas risadas. — Damon disse que Ares será padre. Ela deu uma gargalhada alta. — Acho lindo a positividade com o que você leva a vida, Damon. Continue assim. — Vamos voltar ao assunto principal, por favor. — Thomas implorou. — Isso já ultrapassou a minha cota diária de risadas. — Sim. É verdade. Damon, o que você descobriu? — me recompus. — Descobri que estão abrindo um puteiro/boate na cidade. Na sua cidade, Dimitri. Agora que tem mais de três fábricas enormes funcionando no interior da cidade, os negócios com putas aumentaram. E isso é uma merda. Você iria lucrar muito se não tivesse acontecido isso. O que me levou a crer que quem tem uma boate não vai querer concorrência, e levando em consideração que a sua boate era altamente luxuosa mas acessível e essa nova boate que estão abrindo surgiu depois do fim da boate do Dimitri, e o mais f**a, contratou vários dos seus funcionários para trabalhar para eles, acho que temos suspeitos. Descartei o acidente doméstico. — Eu sabia! Eu sabia! — virei para minha namorada. — Não tinha como ser acidental. Gente, eu posso ser tudo, menos descuidado. Eles fizeram a vistoria faz pouco tempo! Estava tudo certo! — Será que algum dos seus funcionários te traiu? — Thomas suspeitou. — Impossível. Eles devem ter aceitado o emprego por falta do que fazer mesmo. Eu pagava muito bem. — Digo isso porque eu também mexi meus pauzinhos. — Thomas contou. — Eu procurei os funcionários que eu conhecia. Os mais próximos. Eles me falaram que viram um homem na boate, perguntando sobre preços, lucros. Bem suspeito, não acha? — Muito suspeito. — a adrenalina me deixou eufórico, com a possibilidade de resolver esse problema que me perturba tanto. Eu sempre soube que não foi um acidente doméstico. — Eu vou mandar alguém tirar uma foto do dono da nova boate. Vou mandar para você, Thomas, e você mostra ao funcionário. Se ele reconhecer, as nossas suspeitas vão ganhar mais força. — Isso. Não vamos fazer nada sem ter certeza. — Thomas depois que se tornou Dom e depois da Cecília, voltou a ser o calculista de sempre. — Vamos voltar para casa. Já chega de Madrid e de dramas fúteis. Eu quero resolver as coisas de perto. — anunciei. — Vai voltar? — Damon ficou surpreso. — Já vai voltando tarde. — o impaciente mais velhos disparou. — Enquanto isso vamos resolver o combinado. Se esse cara matou o nosso pai, vamos fazer picadinho dele. — Com prazer. — a sede de vingança corre em minhas veias. Não queria o meu pai morto, mas saber que a morte dele foi causada por outra pessoa tira um peso enorme dos meus ombros. O maldito peso da culpa. [...] Antes de voltar para o nosso lar, fomos para uma festa do Leon. Dois dias antes da nossa volta. Flávia estava agoniada e escondeu o celular debaixo do travesseiro. — Você tem a mulher mais controlada do mundo, sabia? — me abraçou pela cintura e apoiou o seu queixo em meu peito, me olhando nos olhos. — O que foi agora? — ri. — Eu queria conversar com a Olívia, queria conversar com o meu pai, mas a Daniela fica me enchendo de mensagens, reclamando do Leon. Pega m*l eu mandar ela para o inferno se f***r e bloqueá-la minutos antes de aparecer na festa do namorao dela? — Acho que pega. Ela fez careta e eu beijei a sua cabeça, rindo da situação. — Eu quero socar a cara dela, sacudir seu corpo e chamá-la de louca. — Quando formos embora, você não vai ter essas pessoas enchendo o seu saco. Só precisa bloquear todo mundo e num eventual reencontro dizer que perdeu o celular e trocou de número. — E a minha vontade de esculachar ela? Ri. Daniela é uma chata mesmo. E também tenho achado o Leon um porre. — Ainda bem que não nos espelhamos nessas pessoas. — Você tem razão. — me soltou. — Vou terminar de me arrumar para meu último ato nesta cidade. Sabe, eu prefiro aturar a sua mãe na versão Miranda Priestly do que a Daniela e seu namoro fracassado e ciúme doentio. — Se arrume. Só vamos comer e voltaremos logo. — Ótimo. Você me conhece muito bem. — ela pegou o vestido em cima da cama. Um vestido verde militar com mangas bufantes, justo em todo o resto do corpo. Calçou botas pretas e deixou os cabelos soltou. — Parece uma supermodelo. — assisti tudo escorado na porta. — Exagerado. — ela sorriu para mim. — Eu tenho muita sorte. — a admiração só aumentou olhando cada detalhe do seu corpo. Nu é mais perfeito ainda. — Uma deusa. Ela deu uma gargalhada com um batom vermelho nos lábios. — Esse batom foi feito para você. Fica linda demais! p***a! E se a gente não sair e eu te bagunçar toda em cima dessa casa? — levei a ideia a sério, mas ela levou tudo na brincadeira e veio até mim carregando uma bolsa. — Eu que sou sortuda de pegar o mais gostoso dos Lucchesi. — Fala isso perto do fandon e apanhe. — bati na sua b***a e ela deu um pulinho. [...] FLÁVIA Como é difícil ter um namorado desses e não poder fazer propaganda para não me envolver em nenhum assassinato por causa de ciúmes. Mas eu não sou louca como a Daniela. — Estou aqui, mas nada me impede de terminar com ele no dia do seu aniversário. Ela veio atrás de mim. Não tive escolha, mas não dei tanta atenção assim. — Olha a Telma. Que vaca. Vem com essa roupa curta, mostrando a b***a toda, fica dando uma de bailarina para chamar a atenção dos homens. Olhei para Dimitri e dei uma piscadela. Ele mandou um beijo. Usou uma camiseta de mangas verde escuro. Eita t***o! Falei em mudo para ele. — Hoje me escapa. — Eu? — ele tocou o indicador no peito. — Você mesmo. — E ela se acha com esse monte de silicone e preenchimento. Qual deve ser a sensação de beijar uma boca cheia de preenchimento? Os homens devem usá-la somente para boquete. — Esse vestidinho, hein. — li nos lábios dele. A cara de safado. Ri com ele. Eu não quero arranjar problemas. Estou ignorando as falas da Daniela por causa disso. Um grupo de pessoas, entre homens e mulheres, vieram na nossa direção, liderado por ela, a Telma. — O que vocês andam cochichando sobre mim? — Eu nada. — respondi imediatamente e Dimitri se aproximou de mim. — Vocês pensam que não estamos vendo as risadas, zombarias, cochichos das duas? — uma mulher parecida com Telma perguntou. — Estão vendo coisas. Eu estava falando com o meu namorado. — Quem manda você ficar com essa roupa vulgar, se mostrando para os homens comprometidos? — Daniela deu um passo a frente. — Nós não gostamos disso. Nós? — Olha aqui, Daniela, nós é o c*****o. Eu não falei m*l de p***a de ninguém. Meu namorado só tem olhos para mim, tanto que eu estava conversando e rindo com ele. Se você tem o seu problema com ela, que se resolvam as duas, mas não me metam no meio, porque se eu entrar numa briga, ainda mais por injustiça, triste de quem vier contra. — alertei, com o sangue se aquecendo nas minhas veias. Senti a mão de Dimitri em meu braço. — Sossega, amor. Não perca o seu tempo. — Vocês duas são inseguras e invejosas. Se eu quisesse os homens de vocês, já teria ficado. E quem é você para me meter medo, barbiezinha? — me afrontou. — Pensa que eu sou qualquer uma? Que qualquer vaca ciumenta me põe medo? Segundos depois a minha mão direita acertou em cheio a cara dela com um tapa de som amplificado. Ela perdeu o equilíbrio e depois se reergueu com a mão no lugar da agressão. — Quem não sabe com quem se mete aqui é você, v***a desgraçada. Ela veio para cima de mim e eu descarreguei toda a minha raiva em tapas e mais tapas enquanto recebi puxões de cabelo. — Eu vou socar até você desmaiar e depois eu vou te pisar com o meu salto fino até você morrer. — soquei a sua cara e ela sacudiu a minha cabeça, puxando os meus cabelos . — Larga a minha irmã. — um cara segurou o meu ombro e logo em seguida o soltou. — Não encoste um dedo na minha mulher. — Dimitri disse, com um tom de voz perturbado. Olhei ao nosso redor e a briga era generalizada. Eu só queria bater na Daniela ao mesmo tempo que bati na Telma, mas como não tinha como,assim que a empurraram para perto de mim, puxei Daniela pelos cabelos e choquei sua cabeça contra a de Telma. — Nunca mais eu quero vocês perto de mim. Mostre a sua valentia, Daniela. — levantei e coloquei meus cabelos para trás. Você não é a corajosa? — Eu achei que você era minha amiga. — Não sou amiga de quem me fode. — pisei na sua perna e forcei meu salto contra sua pele. Ela começou a gritar. — Da próxima vez que arranjar briga, pense bem em quem você vai meter no meio. Ela ficou chorando e Dimitri me puxou pelo braço, então levantei meu salto e o buraco feito por ele sangrou na perna de Daniela. — Vamos, Flávia. Essa festa já deu. — Vamos, antes que eu cometa um crime. — olhei para as vagabundas até sair na porta. Madrid já deu para mim.
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