Capítulo 6

523 Words
— Uma tempestade atingiu a praia. A lancha em que Martina estava… ela virou. Ela está desaparecida. O mundo dele desabou. Não importava a distância, ele ainda a amava com a devoção doentia de um homem que só amou uma vez. Em segundos, a reunião foi encerrada, a viagem de volta comprada e a vida profissional reduzida a cinzas. Ele voou de volta ao Brasil, com as horas de voo sendo uma tortura silenciosa. A cena que o esperava era o caos da procura, a dor da incerteza, e a presença incômoda de repórteres. Ao chegar, recebeu o segundo golpe. Soube que não era só a sua esposa. Mais também seu irmão, que também estava na lancha, enquanto mentia estar em outro estado. Ele também estava desaparecido. A notícia soou como uma piada de mau gosto, uma peça c***l orquestrada pelo destino. Ele pensou no irmão, o que ele fazia ali, a sós e mentindo. O mistério não durou muito, Dominic entrou em contato com a operadora de celular dela, verificou mensagens, redes sociais e descobriu que eles estavam tendo um caso a anos. Os corpos foram encontrados juntos, a poucos metros um do outro. Eram os destroços físicos da sua vida. O que era para ser uma "viagem de trabalho" era, na verdade, uma fuga de dois amantes. O caso de traição, longo, sórdido e com seu próprio irmão, foi exposto com brutal clareza. Não havia mais luto puro. Era uma mistura tóxica de dor, humilhação e fúria que ameaçava engoli-lo por inteiro. A pequena Mimi estava sob os cuidados dos avós maternos (o lado da família de Martina, que Dominic m*l conhecia), uma criança pequena demais para entender o que era a morte ou a vergonha. Dominic agiu com a frieza de um empresário em crise: ele a deixou lá. Ele não podia olhar para ela sem ver a face triunfante de Martina e o sorriso cínico de seu irmão. No meio da papelada do funeral, ele refletiu que estava cego. Ele precisava de uma confirmação final, de uma verdade incontestável para justificar sua repulsa, pela menina. Em poucos dias, o resultado brutal chegou, confirmando o que ele já temia: Mimi não era sua filha. Aquele pedaço de papel foi a decepção final. Ele não apenas havia sido traído e humilhado publicamente, ele havia investido cinco anos de amor e dinheiro em uma farsa completa. Destruído e envergonhado ao extremo, Dominic fez o que sabia fazer de melhor: fugir para o trabalho. Ele retornou à Europa, cortou o contato com o resto da família e não quis conviver com a "filha". A criança, que era a lembrança viva de sua ruína, ficou no Brasil com a família da mãe biológica. A promessa de cuidar de Mimi foi mantida financeiramente, mas não emocionalmente. Ele se isolou em seu novo posto, mergulhando no trabalho como um viciado. E Mimi, nos braços dos avós maternos, que eram bastante humildes, cresceu sem sequer se lembrar do homem que um dia foi seu pai de fachada. O homem frio e quebrado que agora vivia entre a culpa, o luto e a necessidade absurda de prazer vazio.
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