Capítulo 12

746 Words
Completamente apaixonado, ele não via o que acontecia, foi manipulado para confiar e viver a imensa felicidade que um filho lhe traria. Era o sonho da sua vida ser pai de menina, e desde o primeiro instante que soube, a amou incondicionalmente. Depois disso, se tornou uma pessoa extremamente triste, amargurada, difícil e sem empatia, que não acreditava no amor ou na ideia de ter uma família. Com traumas relacionados ao seu pai, que o abandonou afetivamente muito pequeno, decidiu nunca mais ter filhos. Nayere ficou arrasada com a demissão, mas não deixou de sair. Agora, com tempo livre, estava indo procurar emprego e em alguns dias ia aos lugares onde se sentia bem. A biblioteca, a feira, ao abrigo de crianças. No meio da semana, Dominic decidiu passar perto da casa dela. Estava espiando do final da rua, tomando um café, quando a viu saindo cedo. Foi seguindo, só para xeretar. Ela estava de calça jeans, tênis e uma blusa fina de manga comprida. Foi até uma pracinha e sentou, parecia completamente fora do normal, agindo de forma estranha. Intrigado, ele ficou dentro do carro, olhando. Já era quase a hora do almoço. Ele achou que, enfim, veria os filhos dela, já que ela estava em frente a uma escola, olhando as crianças no parquinho. Quando as crianças começaram a sair, ela continuou sentada, olhando fixamente. Sorridente, acenou para várias. Quando todas saíram, em uma hora outras chegaram, as do horário da tarde. Ele começou a imaginar coisas, até que ela com certeza perdeu a guarda dos filhos por ser desequilibrada. O comportamento dela era o mesmo: as próprias professoras acenaram também. Nayere foi para casa no horário de almoço. Ele ficou na rua, espionando e terminando o que estava fazendo no celular, na esperança de ver alguém indo lá. Ela saiu com várias sacolas, foi para um abrigo de crianças e demorou horas. Ele até desistiu de esperar, foi embora, tentando falar com o amigo da polícia logo. Na empresa, ninguém tinha coragem de falar com ele, mas ninguém achou certo o que aconteceu, embora também não soubessem que ela gastou tanto no cartão do trabalho. Outro dia, ele foi de novo. Até sorriu eufórico ao vê-la sair de casa. Estava com um vestido mais curto folgado e uma jaqueta jeans. Ela foi ao mercado, voltou cheia de sacolas, assim que chegou recebeu uma decoração pegue e monte, com arco de balões rosa, ele já estava até olhando o perfil dela, tentando descobrir o aniversário de quem seria. Era um sábado, ele foi à academia e depois passou lá. Estava gostando da sensação de ter algo para fazer, diferente. Sendo muito solitário, vivia se ocupando com todos os tipos de coisas, foram do comum. Quando ele viu uma moça entregando duas caixas que pareciam coisas de festa, teve certeza de que ia desvendar o mistério. Nayere logo saiu, e ele a seguiu cautelosamente, recebeu uma ligação e não conseguiu atender. A perdeu de vista e encostou para atender. Era seu amigo da polícia ligando de novo, tão perplexo quanto ele. Disse que descobriu alguns boletins de ocorrência, começou a contar tudo. Dominic foi embora desacreditado, não conseguiu fazer mais nada o dia inteiro, só pensando no que soube. Ela havia feito denúncias contra o ex, por agressão, ameaças e a última, foi contra ele e mais dois homens, por es.tru.po. E o aniversário, aparentemente era dela mesma. Mais tarde, Dominic foi às compras e decidiu ir à casa dela. Viu uma postagem de uma mesa de aniversário, com bolo, docinhos, muitas bexigas, decoração de borboletas. Passou quase quarenta minutos observando a casa, já sabia quais carros eram de cada vizinho, e percebeu que, aparentemente, não tinham convidados chegando. Ele estacionou na frente e desceu com embrulhos nas mãos. Ao tocar a campainha, ficou atento à janela, a viu espiando. Ela ia ignorar, mas ele chamou: — Nayere? — Estou te vendo, sei que está aí. Não vou embora sem falar com você! Ela abriu a porta. Estava com o cabelo bem arrumado, ondulado, um vestido curto agarrado branco, sandália pink, tudo combinando com a temática da festa. Aproximou-se hostil. — O que quer comigo? Não é um bom momento para aparecer assim. Estou ocupada. Ele ficou desconcertado. — Sim, eu sei. Trouxe um presente, é seu aniversário, né? Nayere, só queria dizer que... Ela interrompeu irritada. — Vai embora ou eu chamo a polícia. Isso é assédio. Já me humilhou no trabalho, tenho testemunhas.
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