Capítulo 5

880 Words
O fogo aceso naquela noite na suíte de luxo não foi passageiro, foi o início de uma paixão. Na semana seguinte, Dominic, o homem que evitava laços afetivos, dispensou vários dos compromissos e levou Martina para um refúgio paradisíaco no nordeste. Não era um convite, era um sequestro romântico sob sua posse. Ela disse que sonhava em viajar de avião, e conhecer o mar, ele fez questão de promover isso. A levou para uma praia de areias brancas e águas turquesa, sob um pôr do sol que parecia ter sido pintado para a cena, ele a pediu em namoro, foi realmente uma surpresa. Não foi só uma pergunta gentil, mas uma afirmação de posse. E ela amou. — Você é minha, Martina. E eu vou te dar o mundo que você acha que merece. — Disse ele, colocando uma linda aliança de ouro branco, no dedo dela. Ela aceitou sem hesitar, com aquele olhar verde não de paixão, mas de triunfo. A partir daquele momento, eles se tornaram inseparáveis. Dominic se tornou o pilar financeiro e o provedor da ascensão meteórica de Martina. Ele não apenas apoiou incondicionalmente sua carreira de influencer, como a patrocinou. As cirurgias vieram em um ano, o silicone para dar volume onde faltava, a lipoaspiração para esculpir as curvas já belas, harmonizações para refinar o rosto. Martina, que tinha nascido para o brilho, tornou-se uma obra de arte cirúrgica, uma deusa digital que carregava a marca do dinheiro de Dominic. O próximo passo foi o palco de sua realeza: a Europa. Dominic transferiu-se para o comando de uma nova sede em um país europeu, levando Martina consigo e, crucialmente, seu irmão mais jovem, que ele empregou em um cargo de confiança, como sempre fizera. A vida deles era um turbilhão de viagens de primeira classe, festas exclusivas e o constante flash das câmeras de Martina. Dominic estava, pela primeira vez em anos, entregue. Sua obsessão por Martina o cegava para o mundo, ele era fiel, atencioso e dedicado. O trabalho na Europa era intenso, sobrecarga que ele abraçou como um escudo, e ele passava longas horas em escritórios de vidro e reuniões de alto nível. Enquanto Dominic trabalhava para construir o império que sustentava o luxo dela, a traição florescia bem debaixo de seu nariz. Seu irmão, jovem, com a beleza e a juventude que Dominic sentia que começavam a esvair, era a antítese do CEO ocupado. Martina encontrou no cunhado, a diversão e a atenção que Dominic, sobrecarregado, não podia mais dar. O caso era lascivo e constante, um segredo compartilhado que os unia em desprezo pelo homem que os sustentava. A farsa se estendeu por mais de um ano, até que o medo e o acaso intervieram, Martina engravidou. O pânico dela foi imenso. Ela sabia que Dominic era seu porto seguro financeiro, a única via para a vida boa e os mimos caríssimos. Perder tudo por um erro de cálculo era inaceitável. A traição foi suspensa, e ela arquitetou a mais fria das mentiras, fazendo Dominic acreditar que a criança era dele. Quando Mireya (Mimi) nasceu, o charme de Martina deu lugar à irritação. As dificuldades da gravidez, do trabalho de parto e o pós-parto a tornaram impaciente, grossa, e o foco em Mimi desviou-se rapidamente para a preocupação com a audiência e o corpo. As brigas se tornaram constantes e violentas, ela queria ter babá 24 horas por dia, ele não concordou, em seguida ela começou a brigar, por querer expor muito a bebê e ele não gostava. Ela dizia que ele não tinha o direito de se intrometer, na carreira dela. Dominic, que a princípio não conseguia negar nada à mulher que o consumia, bateu de frente quando ela tentou expor a filha recém-nascida para patrocínios. Ele traçou uma linha, protegendo a criança de um mundo que ele entendia ser venenoso. O primeiro ano de Mimi foi marcado por um afastamento gélido. Dominic se afundou ainda mais em viagens internacionais de trabalho, buscando refúgio no controle de sua individualidade e fugindo da tensão doméstica. E Martina, sem a guarda do marido, voltou a buscar o calor proibido. A traição com o cunhado recomeçou, mais intensa e imprudente do que nunca, enquanto Dominic estava fora, ocupado demais, frustrado demais para notar que sua vida estava sendo construída sobre mentiras. Dominic estava no Egito, fechando o maior contrato daquele trimestre, enterrado em números e fusos horários, tentando ignorar o peso da solidão e o silêncio de seu casamento. Martina estava no Brasil, para onde tinham viajado temporariamente para levar a bebê conhecer os familiares e cumprir a agenda de influencer antes de ele retornar à Europa. Ele recebeu uma mensagem dela, curta e fria, sobre uma nova "viagem de trabalho": praia, publicidade, resort. Não houve carinho virtual, apenas a notificação de que ela estaria incomunicável por algumas horas e muito ocupada. A frieza não o surpreendeu, mas a pressa dela, sim. Em deixar a bebê com os avós. Dois dias depois, no meio de uma videoconferência crucial, o telefone dele explodiu com muitas chamadas de um número desconhecido, parecia urgente e era do Brasil. Uma amiga de Martina, queria contar que ela havia sofrido um acidente. Dominic sentiu o sangue gelar. — Que tipo de acidente? — sua voz saiu baixa, apreensiva.
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