03

2117 Words
Caleb Ward ainda sentia as suas bochechas arderem um pouquinho, mesmo depois de ter saído da sala onde havia acontecido a aula de reforço. Ele ainda não conseguia entender como se sentia bem mais à vontade conversando com pessoas duas décadas mais velhas do que ele próprio, enquanto morria de vergonha de interagir com adolescentes da sua idade. Era com se... Ele não sabia explicar direito. Como se cada ato seu fosse vergonhoso ou ele estivesse fazendo coisas estranhas. Era isso que sempre esperavam de um ""nerd"", não é? As pessoas sempre o olhavam com aquele típico olhar meio estranho que o fazia querer se enterrar em algum buraco. O rapaz empurrou os óculos mais para cima com o dedo indicador e penteou o cabelo com os dedos, tentando fazê-lo ficar para cima, o que era completamente inútil, já que as mechas absurdamente lisas caiam novamente sobre a sua testa assim que ele fizesse qualquer movimento brusco, deixando-o com aquele cabelo lambido que o fazia ficar ainda mais nerd, como se os óculos e as suas roupas não bastassem (não que Caleb se importava com isso, ele gostava das suas roupas, e ser inteligente definitivamente não deveria ser um defeito ou algo que ele tivesse que se envergonhar, certo? O problema era a forma como algumas pessoas olhavam para ele). Caleb agarrou a alça da sua bolsa carteiro (aquelas que tem uma única alça e ficam de lado), que estava com o seu caderno e alguns resumos importantes impressos, além de uma dezena de canetas e lápis. Ele estava tão distraído enquanto caminhava pelo corredor que m*l notou quando uma figura se materializou ao seu lado e começou a andar na mesma velocidade que ele estava andando, fazendo-o dar um pulinho para a esquerda com o susto que havia levado. — Oi. Eu sou a Olive. — Disse a garota, como se alguém alí naquela escola desconhecesse o seu nome, e até mesmo Caleb, que quase não tinha amigos, sabia quem ela era. Olívia Wilson era uns bons vinte centímetros mais baixa que Caleb, que tinha 1.86 de altura. Ele prendeu o fôlego ao vê-la tão de perto. Qualquer pessoa naquela cidade ficaria abismado com a beleza de Olívia, mas de perto... De perto ela era ainda mais linda. — O-oi. — Caleb respondeu, amaldiçoando a si mesmo por ter gaguejado, não que Olívia tenha parecido notar isso. Ele à analisou discretamente com a sua visão periférica enquanto continuava caminhando pelo corredor. Olívia Wilson tinha uma pele bronzeada e deslumbrante, cabelos longos e negros que iam até a sua cintura; eles eram lisos no começo, mas curiosamente meio cacheados nas pontas. Ela costumava não usar praticamente nada de maquiagem além de um brilho labial, mas isso de certa forma à deixava ainda mais impressionante. Olívia tinha um rosto arredondado, lábios cheios e úmidos, um nariz delicado, maçãs do rosto arqueadas e gigantescos olhos castanhos escuros, emoldurados por cílios longos. Aqueles olhos negros eram tão impressionantes que pareciam dois poços sem fim. Ela vestia um jeans escuro e uma camiseta fofa amarrada na frente para deixá-la mais curta, evidenciando as suas belas curvas e a cintura fina. — Você também é do terceiro ano, não é? Eu sou da turma B. — Ela disse, apressando o passo e parando de frente para Caleb, impedindo-o de continuar seguindo pelo corredor. — Sim. Sou da turma A. — Caleb respondeu, tirando inutilmente o cabelo que estava caindo sobre a sua testa novamente. Falar com uma garota sempre o deixava um pouco desconcertado, mas quando a garota era linda como Olive e estava sorrindo para ele, o coração de Caleb dava um salto desenfreado e ele sentia suas bochechas queimarem um pouquinho. — É um prazer conhecer você, Caleb. — Ela agarrou a mão de Caleb e a apertou levemente. Sua mão era pequena e delicada em comparação com do rapaz, que tinha dedos longos e nodosos. — Desculpa chegar assim do nada, mas queria saber se você poderia me ensinar... Aquele negócio que a gente tava aprendendo lá na sala. — Equações e funções? — Ele perguntou, vendo-a assentir rapidamente com a cabeça logo em seguida. O assunto realmente era um pouquinho complicado, mas depois de aprender a teoria e como fazer, era impossível errar. — Eu não consigo aprender nada com o professor Gerald explicando rápido daquele jeito. Posso pagar se você me der aulas pelo menos durante essa semana. Não sei o que fazer se não conseguir passar na prova que ele diz que vai fazer. — Olívia suplicou com o olhar, colocando as mãos no peito de Caleb e agarrando a camisa azul. — Acho que se minha média baixar mais do que já está, não vou conseguir recuperar de jeito nenhum e eu vou ficar reprovada! Não que eu seja muito burra ou algo assim, é só que ultimamente não tenho tido muito tempo. Prometo que aprendo rápido e não vou precisar nem de três aulas. — E-eu... — Caleb começou, sem saber o que dizer. Ter Olive tão perto daquele jeito o deixou meio desconsertado, e ele só percebeu que deu um passo para trás quando suas costas encontraram os armários de metal. Era até um pouco engraçado, vê-la o encurralando daquela forma, já que Caleb era bem mais alto. — Por favor, Caleb. Faço o que você quiser. — Olive implorou, soltando um suspiro longo e profundo. Caleb encarou os olhos escuros dela e não conseguiu pensar em nenhuma resposta, vendo ela piscar várias vezes seguidas e fazer seus cílios longos tremerem levemente; além de fazer uma cara de muxoxo que era um pouco engraçada. — Tudo bem, posso tentar te ajudar. — Respondeu ele, embora não soubesse ao certo como e em que horário fosse fazer aquilo, até porque Caleb dava aulas particulares de matemática e inglês para alguns alunos do ensino fundamental durante a tarde. E além disso, ele não era de do tipo que perderia tempo ou cairia nessa de ajudar pessoas que nunca tinham falado com ele ou lembrado da sua existência a não ser quando precisassem de boas notas, mas Olívia estava tão desesperada (além de não parecer ser arrogante e se achar superior) que ele resolveu ajudá-la. — Obrigada, Caleb! Você não sabe o quanto isso vai me ajudar. — Ela exclamou, quase chorando de alívio, enquanto apertava os punhos ao redor da camisa do rapaz. Caleb ficou meio sem jeito e sentiu suas bochechas arderem um pouco, porque além da proximidade, Olive exalava um cheiro adocicado bastante intrigante. — Só tem um probleminha: eu trabalho durante a tarde. Na verdade acho que se não for correndo agora, vou chegar atrasada. Você se importa se a gente se encontrar durante a noite? — Na verdade, esse é meu único horário livre também. Durante a tarde também trabalho. — Respondeu ele, dando de ombros. Ele não chamava as aulas particulares de "trabalho" precisamente, mas rendiam uma boa grana. — Ótimo! Será que você pode me dar o seu número? A gente acerta o pagamento pelas aulas particulares depois. — Olive disse, retirando o celular do bolso do Jeans e entregando-o para Caleb, que digitou rapidamente seu número, mas deixou que ela escrevesse o nome salvasse o contato. Ele ainda estava um pouquinho surpreso por saber que Olívia trabalhava, mas lembrou que assim como os esteriótipos sobre nerds, talvez coisas parecidas aconteciam bizarramente com o resto das pessoas também, e não era porquê Olive fosse bastante popular alí na escola, que fora dela fosse ter tudo de mão beijada, sem precisar lutar por aquilo. — Obrigada, Caleb. — Olive exclamou uma última vez, abrindo um largo sorriso para o rapaz, antes de dar meia-volta e começar a correr/andar pelo corredor, atrasada para onde quer que fosse o seu trabalho e deixando Caleb parado com as costas contra o armário, ainda tentando processar o que havia acabado de acontecer. Aquilo era só mais uma das inúmeras aulas extras que ele dava, certo? Não teria porquê ficar nervoso ou algo do tipo. Caleb riu baixinho ao perceber que estava completamente desconcertado por ter falado com uma garota por pouco mais de um minuto e ter dado o seu número para ela. As vezes eles se perguntava de onde vinha timidez e se realmente precisava se preocupar tanto com o que os outros diziam, até porque ele faria dezoito anos dalí poucas semanas e tecnicamente já seria um adulto, então não precisava ficar se escondendo pelos cantos e atrás de livros, certo? Soltando um rápido suspiro, o rapaz checou às horas no seu relógio de pulso e percebeu que já passavam das 2:45, e que ele tinha exatos quinze minutos para chegar na casa do seu primeiro aluno particular caso não quisesse atrasar todos os outros horários do resto do dia. Caleb tentou se lembrar sem precisar ver na agenda do celular de quem seria essa primeira hora, e felizmente ela seria de William, um garoto de treze anos que ainda estava no fundamental e não morava muito longe dali. [•••] A lanchonete onde Olive trabalhava era bem grande e organizada, na verdade, e sempre estava bem cheia. Havia um shopping à não mais de um uns oitocentos metros de distância, mas a comida do lugar era bastante conhecida e atraía cada vez mais clientes. Quando Olívia chegou, ainda estavam faltando doze minutos para a hora em ponto em que ela deveria chegar, então ela ficou do lado de fora por alguns minutinhos, tentando fazer o almoço que comeu apressadamente em casa descer por completo, antes de finalmente dar a volta na lanchonete e entrar pela porta dos fundos. Ela ainda não conseguia acreditar que realmente tinha conseguido umas aulas extras com aquele gênio da matemática. Se Caleb não conseguisse ajudá-la, ninguém mais conseguiria. Olive estava planejando aparecer só durante o primeiro dia daquelas malditas aulas de reforço, mas como poderia faltar e jogar isso pro alto sabendo que havia uma bomba relógio à esperando dalí pouco mais de uma semana?! Ela realmente precisava tirar notas muito boas para recuperar todo o semestre, e era agora ou nunca. Olive sorriu ao lembrar do Tigelinha, que na verdade era bastante fofo. Ela tinha algumas centenas de dólares guardados para emergência, então conseguiria pagar qualquer valor exigido pelas aulas sem problemas, até porque não seria nem um pouco justo simplesmente ter corrido atrás do garoto para ajudá-la e não pelo menos lhe dar uma boa quantia. Olívia não costumava pedir ajuda e sempre tentava aprender sozinha com vídeo-aulas no YouTube, mas situações desesperadoras pediam medidas desesperadas. Assim que entrou pela porta dos fundos, que era uma entrada exclusiva para funcionários, Olive foi recebida pelo som de conversas altas vindo da cozinha. Diego e Ella estavam discutindo como sempre, eles eram dois dos outros seis funcionários da lanchonete, e lembravam bastante Pedro e Hellen, que viviam em um impasse, sem saber se amavam ou odiavam um ao outro. — Desde quando eles estão nessa? — Olive perguntou discretamente para Margareth, que era a gerente e tecnicamente sua superior, apesar de tratá-la com uma irmã mais velha (Margareth tinha vinte e cinco anos, era alta e tinha uma pele marrom simplesmente estonteante). — Faz uns poucos minutos. — Respondeu ela, enquanto Olívia amarrava o pequeno e bonito avental preto na cintura, checando se nos bolsos dele estavam o caderninho e as canetas que usava para anotar os pedidos. — se começaram faz só alguns minutos, provavelmente vai demorar mais de uma hora até acabarem. — Respondeu ela, alternando o olhar entre os dois barraqueiros à poucos metros, que dividiam a cozinha e faziam a comida. Diego era irmão de Margareth e deveria ter uns vinte e dois anos, ele tinha exatamente os mesmo traços que a irmã, enquanto Ella, sua noiva, tinha um cabelo ruivo e era absurdamente pálida. Aqueles dois brigavam feito cão e gato, mas estava na cara que se amavam pra caramba. Eles continuaram discutindo sobre alguma coisa relacionada ao molho do X-tudo, fazendo Olive revirar os olhos com força e se segurar para não rir, enquanto caminhava até o balcão que dividia a cozinha praticamente ao meio, para então pegar a primeira bandeja com pedidos e começar a caminhar em direção ao enorme salão cheio de mesas e aqueles típicos sofás presos nas paredes, um de frente para o outro. Olive já havia trabalhando na lanchonete por tempo suficiente para saber qual era o número de cada mesa e o exato lugar onde ficavam, então depois de um rápido olhar para o post-it preso na bandeja, ela começou andar em direção a um dos sofás da esquerda, abrindo um pequeno sorriso gentil ao se aproximar do casal sentado nele.
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