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O Vizinho do porão

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Blurb

Um ex-soldado vive isolado em um porão, atormentado pelos fantasmas da guerra. Até que a filha da dona da casa começa a se aproximar. Ela cresceu em silêncio, sob o controle da mãe. Ele se esconde no escuro, fugindo do passado. Quando seus mundos colidem, o porão deixa de ser apenas refúgio — e se torna o palco de um amor proibido.

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Capítulo 1
Eu sempre odiei o silêncio desta casa. Não é o tipo de silêncio que traz paz, mas aquele que pesa nos ombros, que se arrasta pelos cantos como poeira esquecida. Um silêncio que grita. Minha mãe adora isso. Diz que silêncio é sinal de ordem, de respeito, de decência. Mas, para mim, silêncio sempre foi prisão. Cresci aprendendo a me calar. A abaixar os olhos. A não questionar. E talvez por isso eu tenha começado a ouvir mais do que deveria. Os ruídos escondidos entre as paredes, os passos abafados na madeira antiga, e, principalmente, os sons que vinham do porão. O porão... Ele ficava no fim do corredor, uma porta quase sempre trancada. Quando não estava, era apenas uma boca escura que engolia a luz. Meu coração sempre acelerava ao passar por ali, como se aquela escuridão pudesse me sugar inteira. E talvez pudesse. Foi nele que o vizinho passou a morar. Aidan Blackwell. Não sei quando exatamente ele chegou. Um dia a porta estava vazia, no outro havia passos. O som grave de botas contra o cimento. O arrastar de caixas. Depois, vozes baixas trocadas entre minha mãe e ele. Ela nunca quis explicar. “Um homem arruinado, um veterano de guerra. Não se meta.” Essas foram as únicas palavras que arrancou de si antes de encerrar o assunto com o olhar que sempre me calava. Só que era impossível ignorar. Às vezes, à noite, eu ouvia. Gemidos sufocados, pesadelos escapando de dentro dele. Outras vezes, silêncio total, como se o porão estivesse vazio. Isso me deixava inquieta. Porque, mesmo sem vê-lo, eu sabia: ele estava lá. Respirando fundo, como um animal ferido que se recusa a morrer. A primeira vez que o vi de verdade foi um choque. Eu descia as escadas da cozinha, equilibrando uma bandeja com chá para minha mãe, quando a porta do porão se abriu de repente. Ele surgiu de dentro como uma sombra sólida. Alto, ombros largos, a barba por fazer cobrindo parte do rosto, mais velho que eu. O olhar, porém, foi o que me prendeu: cinzento, frio, e ao mesmo tempo carregado de algo que eu não sabia nomear. Assustei-me tanto que quase derrubei a bandeja. — Desculpe — murmurei, abaixando os olhos como sempre fazia. Ele não respondeu. Apenas me observou por um instante longo demais. Senti a pele da nuca formigar, um arrepio estranho subindo pela espinha. Quando ergui os olhos de novo, ele já havia passado por mim, carregando uma sacola que parecia cheia de ferramentas. Foi rápido, banal até. Mas aquela sensação ficou presa em mim, queimando em silêncio. Nos dias seguintes, comecei a prestar mais atenção. Ou melhor, comecei a esperar. Esperar pelo som de passos, pelo ranger da porta, pelo momento em que ele poderia cruzar meu caminho de novo. E quando isso acontecia, meu corpo reagia antes da mente. Meu coração disparava, minha respiração se prendia, e eu me tornava consciente de cada detalhe: o cheiro de metal, graxa e suor que parecia acompanhar Aidan; a maneira como ele não falava nada, mas ainda assim enchia o ambiente. Era diferente de todos os homens que já conheci — não que eu tivesse conhecido muitos. A maioria era como meu pai: ausente, morno, covarde. Outros eram como os amigos da minha mãe: educados demais, olhares que me atravessavam, mas nunca me viam. Aidan não. Quando seus olhos cinzentos passavam por mim, parecia que ele via tudo. Que despia minhas mentiras, meu silêncio, minha vergonha. E, de alguma forma, aquilo me atraía. Comecei a inventar desculpas para passar pelo corredor. Deixava café na porta do porão, às vezes com um bilhete curto. Não esperava resposta, mas ele respondia. Palavras secas, curtas, escritas em uma caligrafia firme. “Obrigado.” “Está frio hoje.” “Não precisa.” Cada recado era um choque elétrico. Pequeno, mas suficiente para me manter viva. Minha mãe não desconfiava de nada. Pelo contrário, parecia satisfeita em me ver ocupada com a casa. Dizia que eu estava finalmente aprendendo a ser “útil”. Eu apenas sorria e acenava, escondendo os bilhetes no fundo de uma caixa sob minha cama. Mas, dentro de mim, algo se agitava. Algo que eu nunca tinha permitido florescer. Eu pensava nele antes de dormir. Imaginava sua voz — grave, rouca, áspera como pedra. Imaginava sua mão segurando a caneca de café que eu deixava para ele. Uma mão grande, cheia de cicatrizes. Pensava em como seria se ela me tocasse. E era errado. Proibido. Eu sabia. Mas quanto mais tentava afastar esse pensamento, mais ele voltava, mais forte. O porão deixava de ser apenas um espaço escuro e se tornava um convite. Uma promessa silenciosa. Naquela noite, enquanto o vento batia nas janelas e o silêncio sufocava a casa, ouvi um grito abafado vindo de lá de baixo. Não era um grito comum. Era dor. Era guerra. Era um homem quebrado sendo engolido pelo próprio passado. Minha mãe continuou dormindo, indiferente. Mas eu fiquei sentada na cama, coração disparado, tentando decidir o que fazer. O que uma garota como eu poderia oferecer a um homem arruinado como ele? E por que, apesar de todo o medo, eu sentia que precisava descer aquelas escadas?

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