A ligação
—— Dona Amélia, me dê apenas mais duas semanas! Eu prometo que consigo o dinheiro do aluguel. — As lágrimas escorriam pelo rosto de Evangeline enquanto ela fazia um apelo desesperado. Ela precisava da compreensão da senhora, pois não tinha outra saída. A situação financeira estava difícil, ainda mais estando desempregada. Aquela era a terceira vez naquele mês que Evangeline pedia um prazo maior para quitar o aluguel. A senhora queria acreditar nela, mas não podia evitar a sensação de desconfiança que surgia em sua mente.
Ela podia ver a dor e o desespero estampados em seu rosto. Sabia que a jovem estava enfrentando dificuldades e que precisava de ajuda, mas também precisava zelar pelos seus próprios interesses. Era uma decisão difícil de tomar, mas, infelizmente, ela precisava cumprir suas obrigações como proprietária.
Com um suspiro pesaroso, Dona Amélia respondeu: — Sinto muito, Evangeline, mas não posso adiar mais o pagamento do aluguel. Preciso receber o valor devido dentro do prazo estipulado. Espero que você entenda.
Evangeline abaixou a cabeça, derrotada. Ela sabia que não tinha argumentos suficientes para convencer Dona Amélia. Sentia-se impotente diante da situação, como se o mundo desabasse sobre ela. A tristeza invadiu seu coração, mas ela não tinha outra escolha senão aceitar a decisão da senhora.
—— Eu te conheço desde pequena, meu bem. Mas você sabe como o dono daqui é cruel... — Dona Amélia falou com pesar, olhando nos olhos de Evangeline.
—— Eu juro para você, dona Amélia! Estou esperando uma ligação de trabalho e, quando me chamarem, as coisas vão melhorar. — As lágrimas escorriam pelo rosto de Evangeline, demonstrando sua aflição e esperança em uma nova oportunidade.
Dona Amélia suspirou profundamente, sentindo a angústia da jovem. Ela segurou Evangeline em um abraço apertado, oferecendo conforto em meio à adversidade.
—— Eu sei que as coisas não estão boas para você há um tempo, mas eu preciso que você deixe o apartamento até a próxima semana. Você pode morar comigo até se estabilizar... — Dona Amélia propôs, sabendo que estava assumindo um risco, mas movida pela compaixão e empatia.
Os olhos de Evangeline, que antes derramavam lágrimas de pânico, agora brilhavam com gratidão.
—— Você é um anjo na minha vida, Amélia. — Evangeline agradeceu, ainda abraçada à senhora, sentindo-se abençoada por ter alguém tão bondoso ao seu lado. Porém, o abraço afetuoso foi interrompido pelo toque insistente do celular de Evangeline.
—— Alô?... Sim, sou eu mesma... Agora!? Não acredito! Sim, claro! Eu estarei aí em 15 minutos... Muito obrigada, tchau! — Evangeline falou animada ao telefone, seus olhos brilhando de felicidade. Dona Amélia a observava curiosamente, sem entender o motivo de tanta alegria.
—— Está namorando online, menina? — Dona Amélia perguntou incrédula, tentando decifrar o mistério por trás do sorriso de Evangeline.
—— É ainda melhor que isso, Dona Amélia! — Evangeline respondeu, seu sorriso se alargando ainda mais.
Curiosa, Dona Amélia não conseguia esperar por uma explicação.
—— Então, diga logo! — pediu, ansiosa.
Evangeline segurou as mãos trêmulas de Dona Amélia, m*l conseguindo conter sua emoção.
—— Eu passei na entrevista, Dona Amélia! Eu fui contratada! — ela anunciou, uma mistura de alívio e júbilo em sua voz.
Dona Amélia não conseguiu conter sua alegria e abraçou Evangeline com entusiasmo. Elas compartilharam um momento de comemoração, ambos aliviadas por esse novo começo na vida de Evangeline.
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