Nicole narrando
Mano, que p***a de menina folgada, a p**a que estava com o dono do morro, eu não sei como essas meninas conseguem viver assim, elas dependem do cara pra comprar um prato de comida ? Juro! Não dá pra mim.
Minha mãe sai às 17h da pensão, então eu e Luana almoçamos e eu fui em casa, com a mala atrás de mim, queria tomar um banho, trocar de roupa, afinal, atendi a manha inteira, estou suada, já fui no corre do meu carro, então precisava jogar uma água gelada no corpo
— vai ter samba do bar do seu Zeca, nós vamos — minha mãe avisa antes de sairmos da pensão e eu super animo, junto com a minha mala favorita
— que cara é essa dona Luana ?— eu pergunto a ela enquanto tomava banho e ela estava sentada no chão do banheiro
Sim, temos esse nível de i********e, e eu conheço muito bem essa malinha
— eu e o Jonathan faríamos 12 anos hoje do nosso primeiro beijo — ela fala e eu olho pra ela enquanto tirava o sabão do olho
— e como sempre..?— eu já imagino o que rolou
— ele mandou uma cesta de café da manhã, um buquê e uma carta com uma foto nossa…— ela fala e eu encaro ela — eu nunca vou aceitar o que ele fez , desde o primeiro beijo juntos, seriam 12 anos juntos, e eu não consigo perdoar ele…— ela fala e eu encaro ela séria
— você precisa de terapia, porque ele faz de tudo por você, você sabe disso, mesmo não estando juntos ele tenta te amparar de todas as formas, e vocês se amam po, tu não aguenta ver ele com outra pessoa que sofre igual não sei o que, ele não pode te ver com alguém nem que seja da pista que ele bota pra ralar, Anthony é prova viva que tá preso até hoje, porque ele revirou o passado do cara, perdoa ele pô, tenta conversar… ou vai pra terapia mesmo — eu falo e ela da risada
— não dá, ele faz essas graças porque quer, toda vez que tem invasão você sabe o inferno que ele faz na minha vida — ela fala e eu corto ela
— e você na dele, você cuida da mãe dele como ninguém, aquela mulher te idolatra, você acha mesmo que a culpa de tudo foi dele, você sabe que naquela época ele não tinha controle de tudo, vocês não são mais adolescentes, ele não pensou por m*l, e ele nunca assumiu ninguém, você sabe muito bem o motivo, então tenta mudar esse jogo pô… tu nem nunca conversou com ele sobre tudo o que rolou, tu só tentou matar ele e quase foi presa, foi cobrada aqui também, então po, vê direito isso cara— eu falo terminando o meu banho e ela não falou mais nada
Ela ficou ali jogada na minha cama depois que saímos do banheiro, eu me arrumei, organizei algumas coisas, alguns materiais do Studio que eu quero abrir aqui na favela, e recebi uma mensagem de uma empresa de home care
— olá, Dra Nicole, surgiu uma vaga…— ela passa todas as especificações e eu só brilho o olho no valor e na especialidade, criança! Sem dúvidas, aceitei na hora
Começo amanhã, e eu já fui pegar material pra pesquisar, pra me inteirar, tracar um plano de tratamento, já super empolgada
— viu em casa me arrumar, te encontro no pagode — a Luana levanta da minha cama e estava até com a cara inchada
Ela saiu sem nem esperar minha resposta, mas ela sabe que eu tô certa po, eu falo as coisas pelo bem dela, e ela sabe disso…
Descansei um pouco e acordei com a minha mãe gritando batendo na porta
— você tem vinte minutos pra estar pronta, ou você paga o gelo — a alma saiu e eu ainda tô procurando ela perdida em algum lugar por aí
Dei um pulo da cama, me joguei debaixo do chuveiro, tomei aquele banho gelado de despertar a alma e fui me arrumar, coloquei um vestido cor de areia, com umas franjinhas, ele é estilo tricô, um saltinho, fiz a maquiagem mais rápida do universo, peguei uma bolsinha pra colocar meu dinheiro, carregador e celular, nunca saio sem. Passei meu bom perfume que ganhei de aniversário da minha mãe, ele é da minha marca favorita, e ela parcelou em 6x pra me dar de aniversário, sendo que nem precisava, mas eu amo que nos lutamos muito pra dar o melhor do que podemos uma para outra
— tô prontaaaaaa tô no carro, bora dona Adriana, o primeiro balde é por sua conta — eu grito e passo igual um ninja pro carro disputando com ela e caindo na gargalhada
Entrei no carro e aquela sensação de satisfação me invadiu. Coloquei meus acessórios porque eu não queria perder a corrida do primeiro balde e acelerei indo pra praça
— ai minha filha, que sonho esse carro, você merece tanto meu amor, eu sei do seu suor, de quanta coisa você se priva, você merece tanto — minha mãe ainda estava toda encantada e eu igual…
Chegamos na praça e a Luana estava chegando na sua moto também, eu retoquei o meu gloss olhando pelo espelho e estava maravilhosa!
— bora comemorar sua conquista — a minha mãe já desce do carro sambando
— nossa, mãe, nossa!— eu falo e fomos pra um barzinho que gostamos, que não costuma ficar tão tomado de mavambo e suas putas, mesmo que ainda assim fique lotado
— primeiro balde e da minha mãe em — eu já aviso a Luana e o cantor já estava cantando lá praça, o som estava maravilhoso e a praça lotada, como de costume
Estava tomando a cerveja conversando com elas, empolgada, falando da vida, minha mãe contando os barracos da pensão, e nós duas rachando de rir das putas que passam cada vergonha
Quando do nada abre um espaço no bar onde estávamos, uma frota de macho fazendo a segurança do urso, do nada, porque ele nunca ficou nesse bar, sempre no bargunca lá do outro lado… entendi nada, mas… problema é dele né…
Ele sentou com aquele monte de macho em volta, o Jonathan entrou dando uma encarada sinistra na Luana que desviou o olhar na hora
— bora dançar, vem — minha mãe chama a gente e fomos sambar
Abriu-se uma rodinha ao nosso redor e nós dançamos com o copo na mão, celebrando a nossa conquista. Nós dávamos risada feliz da vida, e eu senti o meu corpo queimar, ele me olhando fixamente, as putas ao seu redor e ele ali…
Parado, com um copo de cerveja próximo a boca, aqueles ouros brilhando, o seu olhar como se atravessasse a minha alma
— toda gorda e ainda se acha, coitada… — a loira de mais cedo passa trombando o ombro em mim e eu só dou uma bundada nela “sem querer” enquanto dançava e ela voa longe e já volta vindo na minha direção querendo confusão e eu fui na reta dela
— tá maluca, sabe quem eu sou ? Fica me encostando com esse corpo nojento ?— ela grita e quando ela levanta a mão eu só ouço barulho de mesa caindo e o cheiro dele invadindo o ambiente
— Ta maluca p***a ? Tu é quem aqui que nem eu sei ?— ele ficou entre nós duas e encarando ela
— você viu o que ela fez ?— ela grita com ele
— abaixa o tom p***a, tá falando com quem aqui ? Sou qualquer um nessa p***a c*****o — ele esbraveja e ela se cala — eu vi muito bem, estava reparando muito bem no bagulho — ele fala e nessa hora meu corpo ferve — some daqui Larissa, antes que eu me irrite com a tua cara, tu não levanta a voz pra mim que eu te sento a mão na cara sem dó — ele fala grudado na nuca dela puxando ela pra trás pelo cabelo com o dedo na sua cara, quando ele termina de falar, ele empurra ela pra fora do bar e ela vai lá no meio da rua
Não vou negar, amei!
— volta o som — ele fala alto e para na minha frente me encarnado ainda mais intenso que antes, como se fosse possível…
O calor consumia o meu corpo, e eu mantinha a postura, minha garganta estava seca, e eu não ia falar nada, não era necessário…
Ele se afastou, em silêncio também… voltou pra sua mesa e a minha mãe se aproximou nervosa já me enchendo de perguntas
— vamos voltar a dançar — eu falo virando um copo de cerveja e volto a sambar no meio do bar vendo ele me encarando ainda mais
Ele n**a com um sorriso malandro e passa a mão na boca, que homem, irmãs, que homem… mas não vou dar moral mesmo… tô fora desse prato disputado
— que babado em, urso se metendo assim, cobrando a novinha que tá sempre com ele, passada…— ela fala me olhando com malícia
— iiiiih tá de muito assunto — eu desconverso e chamo o garçom pedindo outro balde e me sento um pouco sentindo calor e sinto que ele estava me observando ainda
Que droga!
— meus amores, eu já vou…— falo me levantando tempos depois, já tinha dançado, já tinha dado risada — amanhã eu trabalho cedo, paciente nova, e eu tenho que estar ótima…— eu falo e chamo o garçom pra pagar
— ta pago já, nick, fica suave ai— ele fala e eu não entendo, já que nenhuma de nós pagamos
— como assim ?— na hora que eu pergunto me dá um estalo e eu olho pro urso que estendo o copo pra mim
Eu apenas aceno com a cabeça e minha mãe acena pra ele toda feliz, já que o conhece, ele come na pensão quase todo dia, minha mãe é a mais querida entre os cria, e então ele faz sinal de dois pra ela, mas ainda me encarando
Sigo para o meu carro, me despeço da Luana e vou com a minha mãe pra casa
— entendi nada do urso pagando a conta, menina!— minha mãe comenta e eu dou de ombros
— se bandido tiver consciência a dele deve ter pesado, duas brigas da p**a dele num dia, primeiro com a senhora, depois comigo… já tá na hora dele cortar as asinhas dela mesmo, o que ele fez foi o mínimo — eu falo com ela que dá risada e me olha sugestiva e eu n**o — boa noite minha deusa, até amanhã — eu me despeço dela e vou pro meu quarto
Tomo um banho e o calor daquele homem me olhando estava me deixando tonta já… eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser seus olhos, sua intensidade, seu cheiro…
— sai dessa rua, Nicole — eu falo sozinha vestindo o meu pijama e me jogo na cama indo dormir
O que foi uma luta, inclusive…
Acordei com o despertador, já pulei da cama, arrumei meu quarto e fui pro banheiro tomar banho, fazer minhas higienes e me preparar para o dia
Coloquei uma calça preta legging, uma blusa polo preta com o meu nome gravado nela, arrumei meu cabelo, coloquei meus acessórios de lei, perfume fresquinho do dia, arrumei meu cabelo e fui pegar minhas coisas
Estava arrumada já, pronta pra sair quando peguei o celular e fui confirmar o endereço
— pera aí…— eu pauso lendo o endereço — essa rua… ah não, não é possível…— eu falo ainda processando as informações
Na casa dele, sério ? Só posso ser uma piada, não tem outra justificativa