Urso narrando Assim que cruzei a primeira barreira da favela, já joguei o carro de lado, com o coração batendo acelerado no peito. A primeira coisa que fiz foi parar na barreira e descer com o rádio já colado na boca. Meus olhos varriam a quebrada como um radar em chamas. — Cadê a Nicole? Cadê o JN? Por onde eles tão? — pergunto pro menor que tava ali segurando o movimento, suado, com o radinho na mão. O moleque arregala os olhos ao me ver daquele jeito. — Tão lá pra cima, patrão. Rua 2, cortando os beco tudo, desde que a doutora deu o grito no rádio dizendo que viu a Jéssica. Na hora meu sangue ferveu, fervilhou, virei o rosto pro lado e vi uma moto encostada. Um dos vapores já ia ligar o bagulho, mas eu estendi a mão e falei grosso, sem margem pra recusa: — Desce da moto. Agora. E

