Episódio 2

1217 Words
Fiquei louca, mas também senti o prazer da vingança. Roberto vai ter que começar a aprender o que é o ressentimento de uma mulher. Afinal, ele só teve duas namoradas na vida. Ua não durou nem meio ano e a outra fui eu. Eu aposto que ele nunca tinha recebeu uma surpresa como essa antes. Jogando a faca no chão ao lado do martelo, fui até as caixas para ter certeza de que estavam todas fechadas e que não havia esquecido nada. O meu celular começou a tocar dentro do bolso enquanto eu empilhava as caixas perto da porta. Achei que seria Roberto perguntando se eu já tinha saído do apartamento. Esse pensamento fez o meu sangue ferver, mas me acalmei quando vi que era minha mãe. Eu tinha falado com ela há cerca de quatro dias. Ela não foi agressiva, ela me deu meu espaço. Ela sabia muito bem o quão independente eu era. Tanto que eu nem contei a ele sobre o meu rompimento. Ontem eu não estava com vontade de ligar para ela e contar, mas hoje teria que fazer isso. Eu atendi, antes que caísse. — Mãe. Eu cumprimentei. — Oi. Meu anjo. Como você está? — Bem... Tem uma coisa que eu quero falar com você. Pessoalmente, se possível. Houve um pequeno silêncio do outro lado e me perguntei se ele já sabia o que eu iria dizer a ela. Mas isso não era possível. — Eu também. Eu ia perguntar se você pode jantar comigo hoje. Desta vez fiz a pausa. Isso não era comum para ela. — O que você quer me contar é tão importante? — Se for conveniente, espero você no restaurante Caprice às nove e meia. Enquanto reunia as informações na minha cabeça, olhei para meu relógio de pulso. Eu não sabia se daria tempo. — Você pode trazer Robert, se quiser. — Posso ir, mas vai demorar um pouco. Eu respondi, omitindo a menção ao meu agora ex. — Não tem pressa. E venha de vestido. Isso me fez revirar os olhos. Caprice era um restaurante num bom hotel. Não tive escolha a não ser ir bem apresentável. — Se quiser que eu vá, estarei usando roupas esportivas. Eu não ia te contar até te ver você, mas... Talvez você fosse ficar com raiva. Suspirei pesadamente e encostei as costas na parede. Não tive muito tempo até que Roberto chegasse e a minha mãe estivesse me entretendo. Ela não queria estar no apartamento quando ele chegasse, principalmente com a bagunça que eu havia feito na sala. Embora ver o seu rosto fosse uma ideia muito tentadora. — Deixa pra lá, mãe. Eu vou do jeito que você quer. — Você se lembra... que eu mencionei para você... que conheci um homem? — Sim. Você disse isso algumas vezes. Mais do que eu gostaria, na verdade. Os meus pais se separaram quando eu tinha apenas quatorze anos. A minha mãe não queria mais homens na sua vida, até que fui para a universidade e parei de morar com ela. A partir daí, aos poucos ela me contou sobre um novo homem que ela acreditava ser o ideal. Mas no final nenhum deles era. Com esse homem que ela estava me contando não seria diferente. Eu não queria ser uma filha rui*m, mas era fato que a minha mãe não teve muita sorte no amor desde a separação. O que durou mais tempo, sem contar o meu pai, foi de dois anos. Finalmente, ele foi infiel com a sua secretária. Que original, né? O segundo homem que durou mais tempo, durou um ano e meio e não se revelou bissexual, mas, sim gay. Sim, essa é a sorte que a minha mãe tem com os homens. A minha mãe sabia perfeitamente a que eu estava me referindo, é claro! — Não estou falando com você sobre aquelas outras vezes, estou falando com você sobre esta. Ela me repreendeu calmamente. — Eu gosto dele e acho que ele gosta de mim. Eu contei muito sobre você para ele e ele quer te conhecer. Demorei para dizer sim, sei que você não quer conhecer mais homens. Mas esse é diferente. — Mãe... Suspirei, frustrada. Eu não sabia mais o que dizer para fazê-la abrir os olhos. Todos os homens foram muito bons com ela no início. Sempre no inicio eles eram uns santos, para depois... Depois destruírem você. Disse especificamente a ela que não queria conhecer mais ninguém até usar um anel de noivado. — Karen, não tenho nada a perder agora. Por tentar... só quero que você me dê a sua opinião sobre ele. Ela era minha mãe e, como tal, me conhecia muito bem. Com essa última frase ela me conquistou. Eu poderia dizer quais intenções ele tinha com a minha mãe e se eram muito falsas ou pareciam sinceras. Eu lhe daria uma opinião honesta sobre ele. — Estarei lá, mas vai demorar um pouco. Olhei novamente para o relógio. — Estou resolvendo algumas questões agora. — Não há pressa, querida. Assim que desliguei, corri para abrir a porta da frente e arrastei as caixas até perto do elevador. Olhei para a chave, me perguntando o que deveria fazer com ela. Eu não ia mais entrar naquele apartamento, por que ficar com ela? Puxei a maçaneta e joguei a chave no patamar, sem me importar se alguém a veria. Eu não me preocuparia mais com eles invadindo ou algo assim. Chamei o elevador e quando as portas se abriram empurrei as caixas com as pernas para colocá-las dentro. Já no patamar principal, o porteiro se ofereceu para me ajudar com as caixas e eu agradeci. — Você está se mudando, senhorita? Ele perguntou enquanto levantava duas das caixas. Não me preocupei em corrigi-lo. Não gostava que falassem sobre mim ou algo assim, e insisti nisso enquanto morei lá. Mas o porteiro nunca se dirigiu a mim pelo meu nome ou falou comigo como você. Muito educado, eu suponho. Ou teimoso, dependendo de como você encara as coisas. — Uh... sim. Eu hesitei. — Algo assim. Ele não mencionou Roberto, o que foi um alívio para mim. Ele me acompanhou até do lado de fora, onde sempre havia fila de táxis. Escolhi o que estava mais próximo e a porteiro me ajudou a colocar as caixas no porta-malas. Ele me desejou sorte quando me despedi dele e quando entrei no táxi pedi ao motorista que me levasse ao Victoria Hotel. Naquela noite eu dormiria lá, senão não teria tempo de encontrar a minha mãe naquele restaurante. Em qualquer outro momento eu nem teria ficado lá, os preços eram uma loucura, mas não tive outra escolha. Além disso, me convenci novamente, seria apenas por uma noite. Assim que paguei para ficar naquela noite, um mensageiro trouxe as caixas para o meu quarto. Quando ele se foi, consegui suspirar em paz. Era o quarto mais luxuoso em que já estive. Olhei ao redor do quarto quando entrei no local para inspecioná-lo melhor. Quando a sensação passou, caí na cama macia e confortável para lamentar. De nada adiantava desfrutar de um quarto desses se não posso dividir com ninguém. Olhando para o relógio, dei um pulo. Quinze pras nove. Em quarenta e cinco minutos eu teria que encontrar a minha mãe.
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