Episódio 7

1546 Words
Quando cheguei, os meus colegas já estavam preparando as instalações para abrir. Eu cumprimentei a todos e a ninguém em particular e me juntei a eles. Alguns já falaram felizes. Eu coloquei o avental preto com o logotipo da cafeteria e comecei o dia. Todos os dias, essa era a minha rotina. Me levanto cedo para chegar ao trabalho a tempo, chegar em casa onde a minha mãe estava sempre me esperando para almoçar e passar o resto da tarde em frente à TV ou tela do computador. Enquanto a minha mãe estava se encontrando com Caleb, eu estava enviando o meu currículo para diferentes clínicas e bebendo café enquanto olhava para algum livro na minha prateleira. Eu evitei os românticos a todo custo, eu estava preferindo aventura ou policial. Esses agora eram os meus companheiros mais fiéis. A minha mãe me deixou levar essa vida na primeira semana, ela sabia que eu estava me reabastecendo com um rompimento doloroso. Na segunda semana ela começou a me encorajar a ficar com as pessoas da minha idade, acreditando que eu nunca superaria Roberto. Comecei a acreditar nela na terceira semana. Quero esquecer aquele idio*ta que tinha despedaçado o coração, segui o conselho da minha mãe. Não queria esperar que o tempo sozinho curasse as minhas feridas. Então, depois de 24 dias de vida apenas dentro do meu quarto ou então no trabalho, decidi que tinha que expulsar Roberto do meu sistema. Eu estava pegando um bolo para o cliente que eu estava atendendo quando o meu olhar cruzou com o perfil de Jordy, que estava esperando a máquina de café fazer o seu trabalho e encher o copo. Ele era um dos meus colegas de trabalho e o único que tinha provado estar interessado em mim. Ele tinha me convidado para sair e beber inúmeras vezes, e inúmeras vezes eu tinha recusado a sua proposta porque eu tinha um namorado. Depositei o bolo num prato de porcelana e concentrei-me em terminar de atender o meu cliente. Uma hora depois, quando cada funcionário estava se preparando para fechar as instalações, Jordy estava limpando o balcão com um pano molhado. A sua testa estava enrugada, como se a tarefa que ele estava fazendo exigisse toda a sua concentração. Eu realmente duvidei do que fazer, porque embora, ele não fosse feio, eu não estava atraída por ele. Ninguém me atraia de uma forma romântica já tinha um tempo. Nossos olhos se encontraram, e eu ainda não tinha tomado a minha decisão sobre o que fazer. A sua cara de surpreso quando ele me viu atrás do balcão com ele, e a minha também porque eu não sabia o que dizer. — Karen, está acontecendo alguma coisa? Lamento ter servido um cappuccino em vez de café americano, eu não te ouvi bem. Eu levantei a mão quando ele começou a pedir desculpas pela confusão de um pedido, eu tinha cometido muitos erros nas primeiras semanas, e para ser honesta, eu já tinha esquecido esse incidente. — Pode acontecer com qualquer um, há muitos clientes e fica confuso as vezes. Eu minimizei. Eu estava grata por esse pequeno lapso de tempo para classificar as ideias na minha cabeça e decidir o que eu ia dizer. — Ei, você quer sair e beber algum dia? Finjo que não quero definir uma data. Se ele parecia confuso antes, a expressão dele mudou para impressionante quando ele me ouviu convidar ele para sair. Ele colocou a mão no balcão sem desviar o olhar de mim, como se duvidasse que me ouviu bem. — Tomar alguma coisa nos dois? Claro, que eu adoraria. O seu namorado não se importa? Foi fácil para mim perceber a sua suspeita, então decidi acabar com a sua incerteza logo: não tenho mais namorado. Eu dei-lhe um sorriso de poker, porque eu não queria mostrar o quanto era difícil para mim dizer isso. Se alguém colocasse alguns fios ao redor da minha garganta e puxasse, isso machucaria menos. — Caramba, sinto muito... Já que é assim, vamos sair neste sábado à noite? No sábado de manhã, teríamos que vir trabalhar, mas não no domingo. No sábado, podemos ir dormir tarde. O meu estômago se contraiu, desconfiando das intenções do Jordy. — No sábado à noite, está ótimo. Eu aceitei porque não tinha mais razão para não o fazer. ..... A minha mãe ficou radiante quando soube que eu ia sair com um colega de trabalho, isso me deu a garantia que eu precisava. Isso me fez acreditar que eu estava fazendo a coisa certa. — E como ele é? Ele é bonito? Ela perguntou enquanto colocava os talheres na ilha. — Nunca me falou nada sobre ele. — Porque eu tinha um namorado e eu não estava interessado nele. Eu lembrei ela que eu tinha um namorado antes, com os braços apoiados na bancada fria. — Mais ele não é nada m*al. Cabelo castanho, olhos claros... É um pouco mais alto do que eu. Eu disse enquanto enrolava o macarrão com o garfo. Minha voz parecia não emocionado, mas a minha mente ainda me dizia que ainda era muito cedo para encontros. Eu disse a mim mesmo que era apenas uma saída com um colega de trabalho. Minha mãe sentou-se ao meu lado, mas ela não tocou no seu prato de macarrão. Ela olhou para mim e não parecia mais tão animada. — Quando te disse que seria bom se você saisse, não quis dizer um encontro. Eu queria que você se divertisse com amigos. Eu não sei se um encontro pode fazer bem para você, agora. — Eu não disse que era uma encontro amoroso, mãe. Eu respondi ela, e para dizer isso, eu coloquei meus olhos vazios. — Será um encontro com um colega de trabalho, quantas vezes eu tenho que dizer isso para você entender? — Ele está interessado em você. Você mesmo disse isso. Então, vai ser um encontro amoroso. — Quando eu disse isso? Eu estava prestes a explicar que tais palavras não saíram da minha boca, mas eu sabia que ele estava certa, que Jordy estava interessado em mim, e é por isso que eu não disse mais nada. Sem apetite, continuei virando o garfo para comer o macarrão. Mas, tinha um nó meu estômago, então eu espalhei a comida no prato para fazer parecer que eu tinha comido mais. — Você pode fazer o que quiser, filha. A minha mãe quebrou o silêncio quando a atmosfera foi apaziguada. — Mas não te vejo preparada para isso. Uma pequena voz me disse para ouvi-la, ela era minha mãe. Mas eu precisava virar a página, e ela me encorajou a fazer isso. ..... A semana passou mais rápido do que eu esperava. Eu peguei o meu celular para desligar o alarme. A data na tela confirmou para mim: era sábado. Pode parecer estúp*ido, mas um formigamento estava fazendo uma certa bagunça na minha barriga. Eu me senti como uma noiva que acorda no dia do casamento, prestes a dar um passo crucial que marcaria sua vida. A diferença era que eu não ia ligar a minha vida a de alguém, mas desassociá-la. Como se estivesse lendo minha mente, Jordy me deu um sorriso estranho quando me viu entrar no café e correu para continuar a sua tarefa. Em um gesto mecânico, coloquei o avental e então realizei o resto do dia de trabalho. Eu sorri quando era a minha vez de fazer isso e tentei vender aos clientes de aparência ingênua um pouco de bolo ou pão com frases como: você não quer um bolo para acompanhar o café? A maioria deles recusou, mas eu aprendi a dizer isso sempre, quando comecei a trabalhar aqui. Um pouco mais tarde, Jordy se aproximou de mim. Eu estava limpando uma mesa para a qual havia um café derramado graças à ação de um casal de adolescentes descuidados, eu apenas olhei para ele quando ele chegou perto de mim. — Não sei onde você mora, mas posso buscar você se você me der o endereço. Parei um pouco de limpara a bagunça, porque, no fundo eu estava esperando que o motivo de ele vir falar comigo, seria para cancelar o compromisso. Por alguma razão, eu pensei que ele estava se aproximando de mim para isso, para dar uma desculpa que não poderia ir. — É provavelmente muito longe de onde você mora. Eu disse. Ainda pensando se eu deveria ir ou não. — Vou buscar você de carro, Karen, e eu não aceito não como resposta. Me manda onde é a sua casa, não confio em deixar você vir sozinha se você mora tão longe. Vai ser noite, quando nos encontrarmos, não é? Ele me lembrou, apontando como era perigoso para uma mulher andar sozinha. Ele colocou a mão no meu braço para me dar um aperto amigável e me deixar terminar o meu trabalho sem mais interrupções. Fiquei muito grata por ele ter se importado tanto com a minha segurança. A voz da minha consciência me indicou que eu já havia me acostumado a vê-lo como um bom colega de trabalho. Eu podia vê-lo como um amigo, não como outra coisa. E isso foi bom, porque eu não estava procurando por algo sério. Eu queria apenas me divertir.
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