"Acredita mesmo que nunca pagará pelos erros que cometeu delegado? Sua vida será um tormento, a cada milésimo de segundos, jamais terá paz, pois, és o único culpado, de tudo que esteja em sua volta, você me matou, friamente, sufocou meu pescoço, até eu perder o fôlego, me amarrou com arame farpado e decepou meu falo. Qual a culpa que eu tinha? A sua loucura é insana, doente, eu aguardo a sua derrota, será como uma camada de neve desmoronando, lavando tudo, engolindo cada maldade que fez, com cada um de nós, a moça do lago, a sua primeira morte, você se masturbou, diante do corpo sem vida, a avó que arrancou os olhos e a deixou pendurada de cabeça para baixo, nua sem os b***s dos s***s, ela te amava como um neto, o quitandeiro que nunca te fez nada, mandou dá um tiro na cabeça. A penumbra da sua mente, eleva o quão a sua perversidade não tem limites, o amor será a sua desgraça, só assim poderemos descansar nossas almas, ver a sua destruição, será o algoz dá justiça, alimentar sua mente, todos esses anos, te atormentar, não é nada, diante das vidas, não vividas, das alegrias não alcançadas, dos encontros que não existiram e quiçá da liberdade de vivermos sem a sua interrupção"
GÉTÚLIO
Acordo, trêmulo, suando frio, a boca seca, essas VOZES dos infernos, não consigo levantar meu corpo, sinto as almas segurando meu pescoço, minhas pernas presas, que tormento.
Levanto abruptamente e um arrepio percorre pela espinha, os dedos dos pés parecem estar grudados no chão, saio arrastado, como um robô velho, sem pilha.
Infeeeeeerno !!! Grito exasperado, sem perceber já estou em frente ao espelho no banheiro, uma sensação estranha na minha boca e quando olho para o espelho, vejo um rosto ensanguentado.
No impulso, soco o único espelho, os estilhaços estão entre os dedos, minha mão jorra sangue, não tenho controle, algo me direciona, para as paredes, meu corpo é empurrado, quebro toda a sala, cortes pelos meus pés, o sangue suja toda a extensão da casa, quero sair daqui, a porta está tão perto, contudo aonde eu toco, fica sangue, não consigo pegar no celular, um vulto, sai da porta e não enxergo nada, corrói uma dor, uma sensação estranha e a queda de um homem de um metro e noventa e cinco de altura.
SÁTIRA
Passo no bar da Lala, para pegar algo para comer, hoje o escritório pegou fogo, tanta coisa para resolver, a empresa vai abrir outra filial e como responsável pelo lado das finanças, terei que ir junto, é cansativo, porém me alegra trabalhar.
Pelo meu esforço e dedicação e não por causa do pastor, que se dizia meu pai, trabalhava devendo a ele, o dinheiro era dele, trabalhava e não tinha o direito de ficar com nenhum centavo.
"se está trabalhando, a culpa é minha, então, o seu dinheiro é da igreja"... toda vez que me lembro disso, sinto um nó na garganta.
Adentro no bar e vejo a Lala, chorando, chego próximo e pergunto se é algo com Lídia, em seguida, minha amiga sai da cozinha, fazendo meu coração se aliviar, Lala gesticula o nome "Getúlio", uma fraqueza nas pernas e os olhos ficam marejados, antes de sair pela porta correndo, Lala fala o hospital que ele está, saio louca pela cidade, ainda não conheço Campo Limpo, fico mais tempo no escritório e na minha cama, mesmo com a situação de vinte dias atrás, eu o encontrava no parque, peguei várias vezes, ele me procurando, eu atrás da árvore, vendo o seu desespero por não me ver e sacanamente eu passava perto e percebia seu corpo intenso, fingindo não me ver e ao mesmo tempo ria com os olhos.
Sei que parecia uma adolescente, mas se ele não me pediu desculpas, da grosseria dele, homem bruto, ignorante da p***a, que meu corpo incendeia, somente em vê-lo correndo ou quando foi na empresa, com o pai, que eu corri e me escondi no banheiro, foi muito hilário, ele ia abrir a porta e o pai reclamou, dei risada bem baixinho, coisa que não consigo.
Chego no hospital e paro na recepção e pergunto pelo delegado, os olhares de incredulidade, são nítidos, como se me dissesse: "o que uma mulher preta e gorda quer com o delegado?"
- O que a senhora é dele?
- Uma amiga.
Os risinhos de deboche, os olhares zombateiros, eram praticamente um convite para que eu fosse embora.
- Sátira.
- Getúlio.
- O que faz aqui?
- Essa moça estava me perguntando, o que eu era sua, eu respondi: amiga. E acho que ela não acreditou.
- Algum problema Soraia?
- Não, delegado. Eu já ia interfonar...
- E porque está aqui? Não devia estar deitado?
- Estava na sala do raio-x. - Ele está sentado na cadeira de rodas.
- Então... É, já que está bem, eu vou embora e melhoras...
- Fica. Meus pais viajaram, estou maior abandonado e sua companhia me tranquiliza, só irei sentir falta daquela coisa feia que usa nos pés.
- Muito malvado o senhor. Mas, preciso ir, se acaso precisar de mim, sabe onde estou...
- Ainda está zangada comigo?
- Sim. Porém, a Lala estava chorando...
- Pensei que tivesse vindo me ver, porque quis e não a mando da Lala...
- Porquê você é assim? Amargo. Eu saí correndo, sem conhecer a cidade para saber notícias suas, porque quis e não "a mando" da Lala ou qualquer pessoa. Saiba agradecer o pouco, que é dirigido a você, por um acaso, agradeceu o seu vizinho, que chamou a ambulância para socorrê-lo, os enfermeiros que estão cuidando de você ?... - Ele ia dizer algo e eu o cortei. - E não se atreva a me dizer, que não pediu ajuda a ninguém.
- Acabou?
- ...
- Te contrato para ser minha enfermeira, para fazer os curativos.
- Eu preciso ir, o trabalho não acabou. Espero que fique bem.
Não queria deixa-lo, mas a forma que ele conduz as coisas, me irrita, arrogante dos infernos, gostoso, tesudo, ignorante, lindo. Como posso me apaixonar por essa b***a prepotente e deliciosa? Que homem.
Passo no bar de Lala e digo que ele está bem recuperado, não entrei muito em detalhes, as mãos e os pés estavam bastantes machucados.
Os rumores falam que a briga foi causada, por causa de um homem que invadiu a casa do delegado e fugiu, mas quem iria bater no Getúlio?
Direciono para casa, uma fome descomunal, arranco a roupa na porta, precisava de um banho, meu cansaço estava estampado, pego meu roupão e ouço batidas na porta, preciso colocar, uma campainha com câmera, para quando eu não quiser atender, nem saio do lugar.
Ao abrir a porta, o Maurício está ao lado, do Getúlio de apoio e o mesmo ao me ver fala:
- Qualquer dia vai abrir a porta nua.
Respiro fundo e não falo nada, parece que grosseria é com ele.
- Não o chamei aqui.
- Você no hospital disse, se eu precisasse de você, saberia onde encontrá-la. Então, minha casa, vai precisar passar por uma pequena reforma e não irei ficar na casa de marmanjo, já que minha amiga, me ofereceu sua ajuda.
O Maurício, fica dando risadinha, porém não me olha, saio da frente da porta e peço para deixa-lo na cama, o cheiro dele me entorpece, o ajeitamos, com os travesseiros, Maurício sai e volta com uma mala grande, fico me perguntando se ele já havia planejado tudo.
- Poderoso, estou indo, melhoras. Dona Sátira, uma ótima noite.
Fecho a porta em seguida.
- Está linda, Sátira.
- Getúlio...
- Não se preocupe, eu não vou nem poder toca-la, minhas mãos e meus pés estão enfaixados.
- Agora fique descansando, vou tomar banho e depois preparo algo para você comer.
- Será ressarcida "minha" enfermeira.
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