Dois

1635 Words
*GETÚLIO* Não suporto ser contrariado, sou homem, é sim ou sim, o que eu falo é lei. Como é que César está saindo hoje da cadeia, como isso saiu do meu controle? Calculei uns dez anos para aquele zero a esquerda e depois deixaria ele sair, por cima das minhas condições. - Pastel, seu incompetente, agora que você me diz que César vai sair? - Poderoso, fiquei sabendo não tem dez minutos, fui apurar os fatos para certificar. Pagaram a fiança dele e pasme foi pago por euros. Impossível, César não tem ninguém que mora fora do Brasil, será que dentro da cadeia, ele fez acordo com o diretor, se Samuel não me explicar isso direitinho darei fim na vida dele. Me direciono em direção a penitenciária, tenho que me certificar para onde o César está indo e quem foi o responsável pela sua saída. Estou enfurecido com Samuel, ele não sabe de nada, com certeza foi comprado, ofereci milhões e ele disse que não se tratava de dinheiro e sim de princípios, até eu abrir a minha boca e contar o que sei sobre sua vida regada de drogas e sexo. - Que princípios você tem seu anormal, és um viciado de cocaína, pior que eu... - Mais eu não quero perder o cargo de diretor, aqui sou Rei, os detentos me amam, aqui é a única penitenciária que não dá trabalho para o governo ou você quer que o Juiz Romualdo na sua cola? - Nem me lembra desse desviado, filho de uma perdida, tenho nojo daquela criatura, a única vantagem dele que se veste como homem, se não fosse isso já teria o matado. - Então, se concentre em César, para ele não abrir a boca e jogar no ventilador o que ele viu aqui. Obviamente deve ter ido visitar a mamãe no hospital, a paspalha na época da prisão de César, deu-me um tapa na cara na frente de todos e eu ali solicito com a situação, não pensei duas vezes, liguei para Pastel e pedi que matasse a protetora do filhinho amado. O trabalho foi bem feito, no entanto, a velha era carne de pescoço, está em coma a cinco anos. Passo a tarde toda na delegacia, procurando informações sobre o César e ninguém acha nada que levasse como ele saiu da cadeia. Não me conformo com essa saída, ele teria que ficar mais cinco anos preso. Olho pela janela e vejo que já escureceu, preciso esfriar a minha mente e pensar direito, se até hoje o César não me acusou sobre nada, não será agora que ele fará, aquele frouxo me amava como irmão mesmo, me tratava com todo amor fraternal e aquilo me dava náuseas, nem de meus pais, eu suporto tanta melosidade. Ligo para minha mãe, para informar que estou indo para casa, é um acordo que fiz para morar sozinho, não tinha cabeça mais para ouvir " meu filho você precisa de uma família" isso é lei é? Mania ridícula achar que casar, ter família, filhos trarão felicidade, isso não cabe na minha vida. Tomo uma ducha para refrescar, a noite está super quente, hoje eu não vou me drogar, vou no bar de Lala, para comer aquela panqueca maravilhosa e volto para descansar para aproveitar o fim de semana. Chegando ao bar encontro um alvoroço, muita choradeira e eu fico atento, já que ninguém me ligou para denunciar nada, entro desconfiado. - Gegê. - Detesto quando Lala me chama assim. - Estou quase trintando e ainda me chama de Gegê? - Para mim você sempre será Gegê. - Ela não tem jeito. - O que está acontecendo? Porque estão chorando? - O delegado é tu e não sabe? - Para de graça Laênia, me fala logo. - Não me chame de Laênia, Gegê, é Lala. Menino malvado, vou dar uns tapas nessa b***a grande e linda. - Está uma velha assanhada, viu. - E olha que você não viu nada. O César saiu hoje e foi embora junto com a mãe e estamos comemorando. - Junto com a mãe? Como assim? Ela não está moribunda? - Eita, Getúlio, não fala assim, ao ouvir a voz do filho, ela abriu os olhos. - E já saiu andando? Deixa de mentira né, Lala. - Gegê, César a transferiu para outro hospital ela foi de ambulância móvel e antes de ir passou aqui e nos contou a novidade. - Eu quero minha panqueca, vou levar para casa, não compactuo com festa de bandido. Lala me olha assustada e me deixa sozinho. Eu tenho que descobrir de onde César tirou tanto dinheiro, se a única coisa que ainda eles tem é o trabalho do pai que nem mora no Brasil. É isso Getúlio, seu tosco, o pai de César pagou a fiança. Me retiro do bar, mais rápido possível, não quero ouvir lamúrias, choros de alegria e esses consolos s*******o que as pessoas inventaram para fugirem da dor. Mando recado para Pastel e peço para que ele veja se César já saiu da cidade, ele manda um áudio que está do lado de César, como ele é advogado do Hospital, teve que assinar os trâmites para a transferência da mãe do meu "amigo", se ele tivesse na minha frente, eu o mostraria quem era meu amigo. Relatou que o hospital foi pago em euros também, deixando claro que o pai do meu ex amigo, deve ter acertado na loteria e está esbanjando com a acamada. Quero saber o porquê ele não me procurou, não me fez nenhuma ameaça, santo ele não é, entretanto, esses anos presos ele nunca se envolveu em situação nenhuma, nem quando mandei bater nele, não houve alguma reação da parte dele, está tudo muito esquisito. *CÉSAR* A liberdade é algo que deveria ser tombado como: patrimônio histórico. Estou até agora me redescobrindo, foram cinco anos, trancafiado pagando pelo erro do outro, mas eu não quero pensar nisso, quero ir embora daqui, sumir, levar minha mãe para outra cidade e recomeçarmos nossa vida tranquila. Estou em frente do hospital, sair da penitenciária e vim diretamente ver minha mãevusca, ela está em coma desde quando eu fui preso, ela foi atropelada, ao sair da Casa de Orações e o culpado não foi encontrado até hoje. Encontro o Vinícius e o advogado do hospital, o senhor Maurício, fui acalantado por um abraço do Vini, nosso calopsita, dá época da faculdade, nosso Bon Jovi. Na época ele pegava a Val, aonde será que aquela maluca estará? - Cara, ainda bem, não aguentava mais te ver naquela penitenciária. - Eu que agradeço suas visitas, para me falar sobre minha mãevusca e como ela tá? - Na mesma. - Posso entrar? Ele me leva para uma sala, aonde sou praticamente esterilizado para usar o API e entrar na U.T.I. As lágrimas não deixam eu falar, engasgo de emoção ao tocá-la, ela está magra, é tão triste vê-la assim, tão debilitada, a Lívia que me contou sobre a situação e como as coisas aconteceram, foi o dia que quase morri naquele martírio, acordei triste, uma angústia no coração e depois do meio dia, Lívia me contou sobre o atropelamento que mãevusca sofreu, fui até o inferno, tive febre que até delirei, mas para a minha felicidade, Vini, foi o meu irmão que eu não tive, deixou minha mãe, na UTI, sei que o dinheiro que tínhamos era pouco, ele e Lívia foram meus braços e pernas, cuidando de minha mãe. - Mãe eu estou aqui. Ao toca-la pressinto que ela se mexeu, achei que fosse coisa da minha mente e continuei ao seu lado, falando com ela, como um milagre, minha mãe abre os olhos, a comoção dentro da UTI, foi unânime, os médicos, enfermeiros nesses últimos cinco anos cuidando dela, não acreditaram que ela pudesse viver, eu chorava tanto que me deram um calmante. Ao me recompor, pedi para Vini providenciar todos os trâmites, da transferência de minha mãe, ele me olhou estranho, pois sabe da minha condição, só que não posso comentar como irei pagar, agora o que importa é sair daqui. O advogado Maurício, vulgo Pastel, é cria do delegado, tomarei cuidado ao falar, só quero que saiba o necessário. Sair da cadeia, por que ajudei um rapaz que queriam matar, estavam organizando uma emboscada, porém eu nunca havia me envolvido com brigas, discussões ou participei em tentativa de fuga. Minha mente só pensava em minha mãe, então, ficar bem comportado, não me envolver com nada, era meu objetivo. Entretanto, nesse dia o rapaz já tinha tomado choque elétrico, porque Samuel, o diretor da penitenciária, desconta os erros dele, nos detentos. Achei um absurdo o Carcará, tentar matar o menino, que ainda falava coisas sem sentindo, de tanto choque. Depois que o protegi, me arrependi, pensei que agora, o Getúlio faria da minha vida, um inferno, iria mandar de novo, me dar choque e cortar minhas costas, todas essas atrocidades acontecem na penitenciária com a direção do Samuel. Depois de quarenta e oito horas da tentativa de homicídio com o rapaz, fui chamado na sala da direção e pensei: "vou morrer". E adentrar na sala havia cinco homens de preto e um senhor de meia idade, que parecia da Índia e ao me ver, me abraçou, começou a falar coisas que eu não entendia e um dos homens de preto falou: - Senhor César, a partir de hoje o senhor está livre, em troca a dívida que meu cliente tem para com o senhor, jamais pagará pela sua coragem em defender o Kabir. - Olhei sem entender e o diretor Samuel, movimentou os lábios "Magno". - Da tentativa de homicídio e com isso o valor que o senhor desejar será depositado em sua conta, até o fim da vida do meu cliente. Fiquei boquiaberto sem entender nada. *******************************************************
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