2 - Mais do que eu deveria ter visto

1687 Words
ELOISE Seguimos atrás dele escada acima. Há mais quadros e pinturas e um número aparentemente infinito de portas. Paramos em uma delas, perto do final do corredor, que ele abre para um quarto espaçoso. Há uma cama grande, duas cômodas, um banheiro, um armário e uma varanda que ele nos mostra. Imediatamente penso que é ali que vou pintar, penso onde instalar meu cavalete e admiro a vista. O oceano parece infinito. — Fiquem à vontade. Sua mãe vai preparar um almoço em breve. Liam me leva pela casa, mostrando todos os cômodos, onde ficam os banheiros, a sala de jantar e o lado de fora. Eu estava certa sobre a praia particular. Nos fundos da casa deles, atrás do pátio onde fica a piscina, há um lugar com árvores exuberantes e um portão trancado com teclado numérico. A cerca parece se estender por quilômetros e, logo depois dela, fica a praia. Nós dois tiramos os sapatos e caminhamos pela areia quente. — O que você acha? Eu sorrio para ele. — É lindo. Incrível, realmente. Ele sorri de volta. Nunca gostei de sol e água. Prefiro dias chuvosos, tempo nublado e nuvens escuras. O som de uma tempestade sempre me acalmou. Mas o bater das ondas na praia não é r**m. — Vamos entrar. — Agora? Ele já está tirando a roupa enquanto eu balanço a cabeça. — Não posso. — Por que não? Ele está só de cueca e puxa meu pulso, que eu puxo facilmente. — Para começar, não estou usando sutiã. — Bem, eu definitivamente percebi isso. E daí? — Eu rio e reviro os olhos. — Vamos, entre comigo. — Prefiro que seus pais e irmãos não me vejam seminua. Mas vá você. Eu vou assistir. Ele geme, me beija na boca, e eu me sento lentamente na areia enquanto ele se lança em direção às ondas. Observo-o mergulhar, desaparecer sob a água e voltar rapidamente à tona. Ele sorri e acena, e eu aceno de volta, depois olho para o céu. Está assustadoramente claro aqui, um calor sufocante. O tecido do meu vestido está grudado nas minhas coxas e na minha bünda. O fato de eu não estar usando sutiã é só um dos motivos pelos quais não vou entrar. Mas Liam não sabe que eu também não sei nadar. Nunca me ensinaram nada e nunca senti necessidade de aprender. Ele também nunca viu as cicatrizes nas minhas coxas, onde me cortei de vez em quando ao longo dos anos. Já fizemos sëxo tantas vezes que perdi a conta, mas sempre no escuro, sempre à noite por insistência minha, e ele nunca as notou. Elas ficam perto do encontro do meu quadril com a coxa, e mesmo que ele as tivesse visto, não sei bem o que diria. Quando ele sai da água, eu o encaro. Ele é bem atraente, alto, com cabelo escuro ondulado mesmo quando molhado. Os pelos do peito estão rentes ao meio do peito, uma pequena área dele, e os pelos das pernas são escuros e grossos. Ele cuida de si mesmo. É forte, musculoso, com veias nas mãos e braços que se destacam quase o tempo todo. E seu rosto é tão bonito. Como já pensei tantas vezes, acho que é como se ele tivesse sido copiado e colado do pai. Muitas vezes me perguntei o que ele anda fazendo comigo. Um cara atlético e que corre por diversão, estuda numa universidade da Ivy League, usa roupas caras e tem uma BMW nova. Comigo, uma garota que pinta, é desajeitada e tem piercings. Eu nem tenho carteira de motorista, quanto mais carro próprio. Ele para quando me alcança, se inclina e me beija enquanto a água escorre do seu cabelo e corpo para mim. Sinto o cheiro do oceano nele, aquele cheiro salgado e distinto, que me lembro vagamente de quando eu era criança. Uma das poucas boas lembranças que tenho, antes de tudo virar uma mërda. Fecho os olhos por um momento, suspiro e tento redirecionar meus pensamentos. Eu disse a mim mesma, antes de Liam vir me buscar hoje, que faria o meu melhor para ter um verão divertido. Não é um sentimento que eu conheça bem. Prazer. Diversão Não são emoções naturais para mim. — Tem certeza de que não quer nadar? Abro os olhos e olho para ele. — Tenho certeza. Sua mãe não está fazendo o almoço, afinal? — Ah, merda, sim. Acho que deveríamos voltar. Enquanto ele junta as roupas, passo as mãos na parte de trás das pernas para tentar tirar a areia. Preciso tomar um banho, e logo, ou vou enlouquecer. Ele segura minha mão enquanto caminhamos de volta pelo mesmo caminho que viemos, atravessando a pequena área arborizada, quando vejo Christian no pátio, olhando para nós, e ele olha para onde estamos, retiro minha mão da dele. — O que é? Dou de ombros e cruzo os braços. Ele sabe que não gosto de demonstrar afeto. Nem em público, nem mesmo em particular, e muito menos na frente dos pais dele. Isso me deixa desconfortável e tensa, mesmo que Christian sorria e acene como se não tivesse problema com isso. Afinal, é só dar as mãos. Mas isso me incomoda. Lá dentro, a mãe dele preparou o almoço. Ou a empregada, que eu não tinha notado antes. Ela é uma mulher mais velha, estrangeira, falando em uma língua que eu não entendo, mas que tanto Christian quanto Katherine respondem. Sentamos à mesa de jantar, Liam e eu lado a lado, com Christian na cabeceira, Katherine ao lado e as crianças ao lado dela. Sophie está à minha esquerda e me mostra um vídeo bobo no celular, o que me faz rir com ela. — Certo, desliguem os telefones. — murmura Christian. — Vocês conhecem as regras. Sophie faz o que ele diz e eu espero todos começarem antes de dar uma mordida no meu sanduíche. É muito bom, uma espécie de peru com queijo e algo doce. Eu não tinha percebido a fome que estava sentindo até começar a comer. — Então, Elô, você vai começar a faculdade no outono? Cubro a boca enquanto mastigo e aceno para Christian. — Sim. — Onde? — NYU. Ele levanta as sobrancelhas, aparentemente impressionado, e sorri. — O que você vai estudar? Você sabe? — Bem, eu... eu sou pintora. Então, vou estudar artes. — Sério? O que você pinta? — Hum... Eu faço principalmente retratos. — Ela é incrível pra cäralho. — diz Sophie e me cutuca. Reviro os olhos e a empurro para trás. — É um talento extraordinário. Pintura. — diz ele. — Você deve ser muito habilidosa para ter entrado na NYU. De repente, me pego corando, minhas bochechas esquentam. Ele só está sendo educado, eu sei disso. Ele nunca viu minhas pinturas. Sophie viu, mas não muitas vezes, e só depois de implorar incansavelmente. — Talvez você nos mostre um pouco da sua arte. Se isso lhe agradar. Concordo com a cabeça, mas sei que não farei isso. Não é algo que eu compartilho abertamente com as pessoas. [...] Olho para o teto. Está escuro, então m*l consigo ver, mas mesmo assim olho. Liam está dormindo ao meu lado. Transamos há pouco tempo. Desvio o olhar e o encaro, suas costas e o jeito como se movem enquanto ele respira lentamente. Uma onda de enjoo me atinge de repente e fecho os olhos. Tento não pensar no porquê de estar me sentindo assim, mas eu sei. Ele gozou e eu não. Nunca gozei e cheguei a achar que simplesmente não sou capaz. Não é por falta de tentativa. Ele é o único que já fez essas coisas comigo, então acho que ele deve estar fazendo certo. Simplesmente não temos muito ritmo. É difícil para mim admitir para mim mesma que não me sinto realmente atraída por ele dessa forma, e é muito difícil para mim ficar excitada. Sento-me e saio da cama, encontro meus cigarros na gaveta do criado-mudo e saio para a varanda. Acendo um, dou uma tragada e olho para a lua. Ela brilha no oceano e consigo ver as ondas e ouvi-las quebrando. Montei meu cavalete, mas só trouxe uma tela e estou com pouca tinta. Vou ter que dar um jeito de ir à cidade comprar em algum momento. Minha testa franze ao ouvir outro som, um gemido suave, e assim que olho mais para baixo, para o pátio, cubro a boca. Desvio o olhar rapidamente, penso comigo mesma que devo estar vendo coisas, e olho para trás. Que pörra é essa? Na piscina estão os pais de Liam. Não nadando, mas imóveis contra uma das bordas. Christian beija Katherine com tanto fervor, tão profundamente, tão intensamente, que consigo sentir a intensidade só de olhar. E a maneira como seu corpo se move contra ela enquanto ele a segura no lugar, uma mão em seu cabelo e outra em volta de seu pescoço... Jesus. Ele está transando com ela, transando de verdade, e ela está obviamente gostando. Gemendo, ofegando e cravando as unhas em suas costas, deixando marcas vermelhas em sua pele, contra os músculos que se movem. Eles têm ritmo. Ele é bom nisso e sabe o que está fazendo. Sinto o peito pesado e uma sensação estranha no estômago. Uma excitação leve, penso, e isso me faz sentir culpada o suficiente para voltar para dentro. Mas paro quando ouço alguém gritando. — Mãe! Congelo, olho para baixo e vejo que estão separados e Katherine já está lá fora, enrolada numa toalha, levantando Grace do chão. Identifico a palavra “pesadelo” e um silêncio denso, seguido pelo som de uma porta se fechando. Christian ainda está na piscina. Ele passa as mãos pelos cabelos, suspira alto, e é fácil perceber que está visivelmente frustrado. Ele entra na água, nada até o outro lado e eu desvio o olhar quando ele começa a sair. O vislumbre de sua bünda nua é mais do que eu preciso ver, embora eles transando tenham sido muito mais do que eu deveria ter visto também. Jogo meu cigarro de lado e volto para dentro.
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