3 - Te faço pagar o preço

1054 Words
ELOISE 1 SEMANA Sophie está mais do que relaxada deitada em sua cadeira de praia. Estou ao lado dela na minha cadeira, observando Liam nadar na piscina. Ele já tinha saído para correr com Christian esta manhã, antes de eu acordar com ele tomando banho. Agora estou entediada. Ele tentou me levar para a piscina mais de uma vez e eu recusei, dizendo que não estava com vontade. Tenho certeza de que em algum momento terei que dizer a ele que não sei nadar. Não é algo que precise ser mantido em segredo. — Eu devia ter trazido alguns livros. — murmuro enquanto continuo observando Liam. — Não sei por que não peguei nenhum. Sophie resmunga e depois suspira. — Meu pai tem uma biblioteca enorme no escritório. Vá pegar um livro. Sorrio para a voz preguiçosa dela. Ela está praticamente dormindo, assando no sol, bronzeando a pele que já era bronzeada o suficiente. — Não posso simplesmente entrar no escritório dele e pegar as coisas dele. — Pode sim. Ele provavelmente está lá dentro, de qualquer jeito. Vá perguntar a ele. — Suspiro e olho para o céu. Mais um dia sem nuvens. — Pare de ser tímida e vá pedir um livro para ele. Ele não vai te morder. Enquanto deslizo para fora da cadeira, dou um tapa no braço dela. — Aonde você vai? Paro na porta e olho para Liam. Ele está ao lado, nadando na água, olhando para mim do outro lado do pátio. — Pegar um livro do seu pai. Quero algo para ler. Ele sorri. — Você devia entrar na piscina. O dia está lindo. A água está tão gostosa. Eu forço um sorriso. — Talvez mais tarde. Onde fica o escritório dele, Sophie? — É ao lado do seu quarto e do Liam. — ela diz sem olhar para mim. Entro, atravesso a casa, subo as escadas e paro na porta entreaberta. Hesito por um instante, depois bato. — Entre. Abro e espio lá dentro. Christian está parado atrás da mesa, usando óculos de aro escuro, fumando um cigarro e sorrindo ao me ver. Sempre que o vi, ele estava com o rosto bem barbeado, mas agora parece que está começando a deixar a barba crescer. E seu cabelo está uma bagunça ondulada, espetado para todos os lados, como se ele tivesse acabado de acordar e não tivesse escovado. — Oi, Elô. Posso fazer algo por você? Pigarreio. — A Sophie me disse que eu poderia vir aqui e pegar um livro. Se você não se importar. Seu sorriso aumenta e ele aponta para as estantes abarrotadas de livros ao longo da parede do fundo. — Claro. Faça a sua escolha. Atravesso a sala lentamente e deixo meus olhos vagarem pelas prateleiras. São tão altas que ele até tem uma escada. Entre alguns livros, há estátuas, fotografias e bugigangas. Uma foto de formatura dele e de Katherine segurando seus diplomas me chama a atenção, junto com uma foto do casamento. Eles estão radiantes, sorrindo e parecem felizes. Combinam perfeitamente. Uma foto de Sophie quando bebê, que eu já vi antes, me faz sorrir. — Você está procurando um livro específico? Posso te dizer se o tenho ou não. Desvio o olhar das fotografias e dou um meio sorriso. — Você conhece todos os livros que tem aqui? Devem ser milhares. — Vá em frente. Pergunte se eu tenho um livro. — Você tem... bem... não consigo pensar em nenhum livro agora. Ele ri e gesticula para as estantes novamente enquanto se senta à mesa. — Pegue o que quiser. Tenho algumas coisas para ver, então estarei aqui se tiver alguma dúvida. Concordo e ele desvia a atenção de mim para o computador. Deixo meus olhos se fixarem nele, observando-o soprar a fumaça e dar outra tragada, ajeitar os óculos na ponta do nariz e então desvio o olhar. Os livros parecem intermináveis. Cruzo os braços sobre o peito enquanto deixo meus olhos vagarem por eles, eventualmente subindo na escada para ver os que estão mais acima. Ele tem uma gama tão ampla de gêneros. Biografias, clássicos, romance, suspense, terror, etc. Depois de algum tempo, escolhi cinco livros e continuo procurando para ver se há outros que eu queira ler. — Então... como você e Liam estão? Ele diz isso aleatoriamente e eu olho para ele. — Estamos bem. — Felizes? Concordo com a cabeça, mas acho que não tenho certeza se estou feliz. Não estou infeliz com ele, mas também não estou feliz. Não posso dizer que já fui realmente feliz. — Você não fala muito, não é? Dou de ombros e sinto meu rosto começar a esquentar de constrangimento. — Acho que não. — Tudo bem. — ele diz. — Eu não era muito de falar quando tinha a sua idade. Eu era bem tímido, na verdade. — Você era? — Sim. Meu sogro costumava me chamar de mudo. Eu rio genuinamente e ele sorri. — Acho que você já superou isso. — É. Talvez. Vamos ver o que você tem aqui. Ele pega os livros que escolhi das minhas mãos. Enquanto os examina. — Anna Karenina, Orgulho e Preconceito e... O Amante de Lady Chatterley... Você gosta dos clássicos, né? Mas também Saco de Ossos e O Iluminado. Terror também? Ou só fã de Stephen King? Por algum motivo, isso me faz corar. Acho que é o jeito como ele fala. Com uma voz suave, seu sorrisinho, quase como se estivesse flertando, quando eu sei que não está. — Eu gosto de Stephen King. — Eu também. — É claro. Você tem muitos livros dele. — Sim. E os que você escolheu são todos de primeira edição. Se você não os tratar bem, eu te coloco no colo e te faço pagar o preço. Congelo e arregalo os olhos, me perguntando se ouvi direito. Parece algo que ele diria a um dos filhos de brincadeira, mas dizer para mim é... Ele ri e balança a cabeça como se tivesse dito alguma besteira. Talvez seja por causa da minha reação. — Desculpe, isso foi... hum, só não se esqueça de cuidar bem deles, ok? — Claro. Nós nos encaramos por um momento antes de eu quebrar o contato visual, ir embora e fechar a porta do escritório dele atrás de mim enquanto soltava a respiração.
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