A Decisão de Fugir

1308 Words
A verdade é inescapável: desde o momento em que coloquei os olhos em Isabela, soube que a queria para mim. No entanto, achei que fosse algo passageiro, um desejo fugaz que desapareceria tão rápido quanto surgiu. Acreditei que, se a tivesse, tudo se resolveria, mas também sabia que não poderia tratá-la como mais uma de minhas conquistas. Isabela não era uma mulher qualquer; ela era do tipo que se casa, uma mulher íntegra, profissional e incrivelmente séria. Sempre admirei como ela trabalhava com dedicação e afincava sua atenção em cada detalhe. Tratava-me com respeito e com a distância profissional necessária. Na época, eu estava com Camily. Embora nosso relacionamento fosse mais uma conveniência do que um compromisso real, terminar com ela gerou um grande desconforto para meu pai. Agora, enquanto estou deitado na cama, meus pensamentos estão presos em Isabela. Cada lembrança me domina, revivendo tudo com intensidade. Quando Zein me ligou para dizer que estava saindo com ela, fiquei atordoado. Não imaginava que ele pudesse ter convencido aquela mulher a sair com ele. Meu incômodo foi imediato. Dei-lhe conselhos, pedindo que desistisse dessa ideia, pois sabia que aquele relacionamento não levaria a nada. Argumentei o máximo que pude, tentando fazê-lo entender que era melhor para ela e para ele. A princípio, ele deu a entender que seguiria meu conselho. Tentei não pensar mais nisso e segui minha vida. Viajei a trabalho no dia seguinte, ficando um mês fora. Mas, mesmo a quilômetros de distância, minha mente frequentemente voltava para ela — aquela garota de cabelos avermelhados, cujo brilho parecia contrastar com o perigo de se envolver com meu irmão. Quando retornei, encontrei Zein e, para minha surpresa, ele ainda mantinha contato com ela. Minha raiva explodiu. Era inadmissível que ele continuasse a iludi-la, mesmo sem intenção de algo sério. Brigamos feio. Pela primeira vez, defendi Isabela com toda a paixão que eu nem sabia que possuía. Zein, em sua arrogância, me acusou de estar interessado nela. Naquele momento, suas palavras me atingiram como um soco. Era isso? Eu estava apaixonado por Isabela? Com raiva e confusão, saí do palácio de meu pai e peguei o primeiro voo para a Inglaterra. Eu precisava vê-la, precisava alertá-la sobre meu irmão. Mas, ao entrar em seu escritório e vê-la, todo aquele sentimento reprimido veio à tona. Tudo ficou claro: Zein estava certo. O que eu sentia por Isabela era muito mais do que preocupação. Mesmo assim, com o coração na mão, tentei convencê-la a se afastar. Queria que ela seguisse meu conselho, que se livrasse das mentiras de Zein. Mas foi tarde demais. Ela já estava profundamente envolvida com ele... e grávida. Saí de lá carregando um peso imenso, minha raiva de Zein crescendo a cada passo. Meu desejo insano tornou-se realidade quando o jato dele caiu. A culpa me consumiu como um veneno, embora soubesse que não tinha controle sobre aquilo. Desde então, parece que vivo um efeito dominó c***l. Tudo aconteceu tão rápido. Cada decisão, cada palavra minha parecia agravar ainda mais a situação. Passo a mão no rosto, exausto. A verdade é que a culpa me acompanha desde o início. Deveria ter voado para a Inglaterra no momento em que Zein mencionou Isabela. Deveria tê-la alertado antes que fosse tarde. Agora, tudo que resta é essa necessidade avassaladora de protegê-la. Quero mantê-la segura, longe de qualquer dor, mas ela não entende isso. Ela só enxerga um carrasco, alguém que está tirando sua liberdade. Meu pai, por outro lado, está preso em seu próprio luto. Ele m*l percebe o que estou sentindo por Isabela, achando que faço isso apenas pela criança. Para ele, é uma questão de honra familiar, de preservar o legado de Zein. Mas a verdade? A verdade é que Isabela mexe comigo de um jeito que nenhuma outra mulher jamais conseguiu. Sua presença é como um fogo que me consome por dentro. Dói vê-la me odiar, vê-la tão distante. Tudo que eu quero, Allah, é que ela me veja diferente. Que ela veja quem realmente sou e que, talvez, um dia, possa olhar para mim com algo além de desprezo Raed viajou há uma semana, e o palácio parece mais silencioso do que nunca. Os empregados, antes cheios de cochichos, agora estão contidos, até mesmo Tamiris, que sempre foi mais falante, tornou-se cerimoniosa em sua presença. Ainda assim, foi ela quem me contou que Raed estava saindo com uma garota de família respeitada há algum tempo, e que o relacionamento estava caminhando para um noivado. A revelação me deixou perturbada. É muito claro que seu trauma de infância está o levando a assumir meu filho. Mas será que essa decisão superará o amor que ele sente por essa garota? Será que ele está sacrificando algo real por causa de um senso de dever? Essas perguntas ecoam na minha mente sem resposta. Agora, estou escondida atrás de uma pilastra na sala, observando enquanto Camily, a mulher em questão, está lá. Seus olhos negros estão fixos em Tamiris. Meu coração bate descompassado enquanto tento entender tudo. — Raed não está, ele está viajando. — Droga! — Ele está viajando a trabalho. — A trabalho mesmo? — Isso eu não posso confirmar. Não participamos da agenda do príncipe. — E ele? Você sabe se conheceu alguém? Antes que Tamiris possa responder, Hamira, a governanta, entra na sala. — Tamiris, vá cuidar de seus afazeres. Eu converso com Camily. Pelo visto, Camily frequentava essa casa com certa regularidade. Tamiris faz uma mesura e sai. — Raed não está. — Sim, ela me disse. — Camily passa a mão pelos cabelos longos, um gesto que denuncia seu nervosismo. Ela encara Hamira com os olhos brilhando de angústia. — Você sabe se ele está saindo com alguém? Hamira aperta os lábios, hesitante. — Acho melhor você falar com ele. Camily se senta no sofá e, de repente, começa a chorar. — Allah! Perdoe-me, Hamira. Mas não está sendo fácil. Depois que Zein morreu, Raed ficou tão diferente. E agora terminou tudo sem maiores explicações. Tudo parecia tão certo entre nós... Hamira mantém-se impassível, mas há algo nos olhos dela que parece pesaroso. — Espere ele chegar e você conversa com ele direito. — A voz da governanta é seca, mas sem deixar de ser respeitosa. Camily enxuga as lágrimas com um gesto apressado. — Allah! Pior é minha família. Está uma pressão em cima de mim. Eles ficam me perguntando o motivo de Raed ter terminado tudo. Como se a culpa fosse minha. Mas ele não me deu um motivo real. Por isso, insisto! Você sabe se ele conheceu alguém? Minha respiração se torna mais pesada, e sinto um aperto doloroso no peito. — Sinto, mas, como eu disse, ele chegará daqui a uma semana. Então você conversa com ele. Não estamos autorizadas a dizer nada. — Tudo bem. Quando seu dono chegar, fale que eu estive aqui. Ela se levanta e sai, chamando sua serva e acenando para o motorista. O rastro do perfume caro que deixa para trás é quase tão sufocante quanto minhas próprias emoções. Meu coração aperta. Raed está se sacrificando por causa do meu filho. É justo começar um casamento assim? Um acordo baseado em obrigação? Vou para o quarto sentindo-me angustiada. Ando de um lado para o outro, tentando encontrar uma saída para esse labirinto emocional. É óbvio que o passado de Raed o traumatizou. Ele está bancando o herói, enfrentando o pai, abrindo mão de algo importante. Mas tudo isso está errado. Subitamente, uma onda de náusea e repulsa por essa situação me invade. Antes do final da tarde, já tomei minha decisão: vou sair da vida de Raed. Allah! Tudo errado. Subitamente me sinto enojada com tudo isso. Passo o resto do dia me sentindo m*l. Aflita. Antes do final da tarde já tinha tomado minha resolução: Vou sair da vida de Raed.
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