Henry delirava de prazer quando o acertaram com força na cabeça, ficou zonzo sentindo dor, iria reagir, mas vários dardos de acônito o atingiram, ficou furioso, não queria parar, não deixaria que o impedissem de continuar possuindo sua loba, mas seu corpo não respondia, sentia que o arrastavam e acorrentavam a uma árvore, quis xingar, lutar, mataria todos, mas não conseguia reagir, seu corpo formigava, coçava, queria arrancar a pele, seus olhos pareciam derreter, uma sede queimava sua boca e garganta ao mesmo tempo que escutava:
_Só essas correntes não serão suficientes e logo o acônito não fará mais efeito, peguem mais correntes.
_Nós o vigiaremos toda a noite até o final da transformação.
Henry conseguiu gritar, se contorcendo, tentava arrebentar as correntes que pareciam o sufocar, apertadas ao extremo, no seu íntimo sentia raiva e felicidade, vontade de rir e chorar até que escutou:
_O que está acontecendo com ele?
_Ele está se transformando, está mudando.
Henry começou a ver um filme na sua mente, via toda a memória do sangue de Ayla, desde a tenra infância até aquele momento, exceto o futuro que não existia mais e tudo relacionado a ele e também nada do encontro de Ayla com a Deusa Luna, chorou em algumas cenas se debatendo, urrou de fúria em outras, às vezes ria de gargalhar, foi preciso reforçar as correntes por duas vezes, sentia que às vezes o seguravam, gritavam que ele parecia alucinado e estava mesmo, Henry estava se transformando num híbrido igual a Ayla, com todas as habilidades dela, até que num momento ele pareceu dormir, a mente e o corpo transformados dele, precisavam descansar pra assimilar os novos poderes, mas ainda escutou uma voz no fundo perguntar e outra responder:
_Como está a alpha?
_Está consciente, mas fraca ainda.
Henry apagou, começou a despertar sentindo o sol bater em seu rosto, tentou abrir os olhos, mas a claridade o incomodou, respirou fundo, se sentindo diferente, leve, tentou se mexer, mas estava preso, então forçou os olhos e viu que estava nu, sentado e acorrentado numa árvore, se lembrou de tudo e escutou:
_Como se sente, alpha Henry?
Olhou pra cima rápido e viu Emir, Romeu, Oliver, Estevão e Jorge, sentia uma estranha calma, sem agonia, sem dor do vínculo, mas com um desejo ardente ainda mais forte em seu ser, algo primitivo e pediu com voz sombria:
_Me soltem!
_Esta ciente que agora está acasalado e passou pela transformação?- perguntou Emir
Henry o olhou sem expressão e respondeu:
_Me soltem agora! Ou vou arrebentar essas correntes e os surrarei com elas.
_É, ele passou pela transformação, mas continua o mesmo alpha Henry- disse Oliver com sarcasmo.
_Nós só o acorrentamos porque estava alucinado- explicou Emir
Henry olhou pra todos em desafio e disse:
_Não pedirei novamente
Todos sentiram um abalo em seus corações, inclusive Emir e Estevão, o alpha estava com o magnetismo ainda mais forte, como o de Ayla e naquele momento transmitia um tom de ameaça, então se apressaram em soltá-lo, ele se levantou perguntando:
_Onde está minha companheira?
Todos o olhavam assustados, Henry estava muito mais forte e maior do que já era e Romeu respondeu:
_Ela o aguarda numa casa pra poderem conversar
Henry rosnou pegando as calças que Oliver estendia pra ele, esse sem disfarçar o espanto ao olhar pro meio das pernas do alpha, Henry notou e viu o que Oliver reparava, se sentiu orgulhoso, vestiu as calças e percebeu que ficaram curtas e um pouco apertadas, ele estava enorme, lambeu os lábios com satisfação e olhando pra Romeu, disse:
_Não quero ter que farejar minha companheira, me leve até ela.
Romeu assentiu e disse:
_O levarei até ela onde poderão conversar a sós, mas estarei por perto e atento.
Henry ficou bem diante dele e disse baixo:
_Estou pedindo com educação que me leve até ela porque estou na sua matilha, mas se você ou qualquer outro, se meter em assuntos meus com a minha companheira, daqui pra frente, irei fazê-lo desejar morrer.
Romeu sentiu um frio na espinha, disfarçou, não tinha medo, mas sabia que Henry estava afirmando e não só ameaçando, o magnetismo dele tinha o dobro da força, ficou zonzo por um segundo e saiu andando com Henry a seu lado, os outros atrás, conforme avançavam, encontravam alguns lobos que o olhavam espantados, quase se ajoelhavam com a presença dele que parecia um gigante agora, causava uma forte impressão, a expressão séria de Henry só demonstrava a impaciência pelo gesto dos lábios que ele apertava como se fizesse força, logo chegaram em frente a uma pequena casa onde Romeu disse que Ayla o esperava, o alpha antes de entrar, avisou:
_Depois que eu entrar, qualquer um que entrar será morto por mim, não quero ser incomodado.
_Se a alpha precisar de mim, enfrentarei você e respeite o meu território- respondeu Romeu sem se intimidar.
_Ela só precisa de mim agora, ninguém mais e farei valer isso.
Aquilo irritou Romeu, mas preferiu se calar ou brigaria com Henry que com olhar ameaçador pra Romeu avançou e entrou na casa, assim que ele abriu a porta, ele viu Ayla de pé no meio da pequena sala, ela era realmente a loba mais bonita que já tinha visto, linda, mas ainda parecia uma menina com o olhar em expectativa pra ele, tudo nela o encantava, Henry fechou a porta atrás de si sem tirar os olhos do rosto dela pensando que agora ela era dele, pertencia totalmente a ele e ninguém mais mudaria isso, mas então lembrou de um fato da memória do sangue dela e tomado pelo ciúme doentio que sentia, disse:
_Então, depois de sair do Himalaia, ir a África e a China, você foi direto pra Paris pra cumprir mais uma missão.
Ayla respirou fundo, era o acerto de contas e falou:
_Sim.
_Ao invés de procurar a mim assim que ressuscitou, você foi pra matilha de outro alpha, foi ajudar outros machos enquanto eu era torturado pela maldição e ainda quando resolveu voltar, foi como uma c****a v***a no cio procurar aquele filho da p**a e fudeu com ele- disse Henry já aos berros
_Me respeite alpha! Não tem nenhum direito de me ofender ou exigir qualquer condura minha, afinal, se eu dependesse de você pra me defender, eu teria sido morta por aquela vampira na minha sala enquanto você trepava com Ursula.
_Eu fui obsediado, você e aquelas bruxas da Fortaleza fizeram um amuleto que deu forças pro obsessor me influenciar.
_Não queira colocar a culpa em mim e nem nas bruxas, você foi fraco e egoísta, se tivesse um pouco de amor por mim ao invés de amar apenas a sua luxúria, teria lutado contra o que sabia que era errado, mas você continuou, quis isso como um cão sarnento, gostava daquilo ou acha que é o único que tem a memória do sangue aqui? Por sua causa eu morri, Justine morreu e se você foi amaldiçoado a culpa é sua.