2

707 Words
Os três permaneceram em silêncio por alguns segundos. Fênix continuava de pé diante deles, o queixo erguido em desafio. Foi Street quem falou primeiro. — A gente só quer saber por que a nossa mulher sumiu. Fênix soltou uma risada debochada. — Nossa mulher? Sério? Vandal cruzou os braços. — O nosso vínculo. Oslo completou, com a voz mais baixa: — A nossa Luna. Ela olhou para os três como se tivessem perdido completamente a sanidade. — Muito engraçadinho da parte de vocês. Street a encarou. — Não é engraçadinho, Fênix. O tom dele ficou firme. — Você sabe muito bem que é nossa. Os olhos dela brilharam de raiva. — Por que eu sumi? Porque eu quis. Ela deu um passo para trás. — E agora? O que vocês vão fazer? Vão me trancar de novo? O sorriso dela foi amargo. — Vamos, deixa eu adivinhar. Aqueles porões. Ela desviou o olhar por um segundo. — Quando eu era pequena, eu tinha tanto medo daqueles porões... Sua voz perdeu parte da força. — Eu tinha medo do escuro. Medo de ficar sozinha lá. Depois voltou a encará-los. — Podem me trancar fiel lá. Poderosos Alfas. Os grandes donos da alcateia. Vandal apertou o maxilar. — Você quer ficar revoltada? Pode ficar. Oslo deu um passo à frente. — Mas a gente vai falar isso uma única vez. Street manteve os olhos fixos nela. — Dessa vez, você não vai fugir mais da gente. Fênix deu uma gargalhada curta. — Vocês não podem me prender. O olhar de Street ficou frio. — Claro que podemos. Ela ficou imóvel. — Você sabe muito bem como o nosso mundo funciona. Vandal continuou: — Você pertence à nossa alcateia. — Eu não vou me vincular a vocês! — ela explodiu. — Não vou! O silêncio caiu sobre a sala. Então Oslo respondeu calmamente: — Tudo bem. Fênix piscou, surpresa. — O quê? — Se você não quer se vincular a gente... a escolha é sua — disse Oslo. — Nós não vamos forçar um vínculo. Os olhos dela se estreitaram, desconfiados. — Então eu posso ir embora? Street deu um pequeno sorriso. — Tentar fugir da gente de novo é algo bem diferente, Fênix. Ela deu meia-volta imediatamente. — Ótimo. Então eu escolho ir embora. — Não — respondeu Vandal. — Eu disse que não quero ficar! Ela tentou passar pelos três. Street segurou seu braço antes que ela alcançasse a porta. — Vamos embora. — Não quero. — Fênix... — Eu disse que não quero! No segundo seguinte, Vandal simplesmente a levantou do chão pelo braço, ignorando os protestos dela. — Ei! Me solta! Ela começou a se debater. — Vocês continuam insuportáveis! Oslo abriu a porta enquanto Street caminhava ao lado deles. — E você continua achando que tem alguma voz contra os seus donos — respondeu Vandal. — Eu não tenho donos! — Tem razão — disse Oslo, olhando para ela. — Donos não. Fênix franziu a testa. — Então o que vocês são? Street respondeu sem desviar o olhar dela: — A sua família. Ela ficou em silêncio por um segundo. Então bufou. — Que família h******l. Vandal soltou uma risada inesperada. — Cinco anos longe e continua respondona. — E vocês continuam mandões. Enquanto caminhavam pelos corredores da enorme mansão da alcateia, Fênix percebeu algo estranho. Não estavam indo em direção aos porões. Ela ficou tensa. — Para onde vocês estão me levando? Ninguém respondeu. Subiram as escadas. Passaram pelo corredor principal. E pararam diante de uma porta dupla de madeira escura. Street abriu a porta. Fênix arregalou os olhos. O quarto era enorme. As paredes tinham sido pintadas com tons claros. Havia estantes cheias de livros, uma lareira acesa, roupas novas organizadas, vasos com flores frescas e uma enorme janela com vista para a floresta. Não havia grades. Não havia correntes. Não havia escuridão. — O que é isso? — perguntou ela, desconfiada. Oslo respondeu: — Seu quarto. — Eu não vou ficar aqui. Vandal a colocou no chão. — Você já fugiu uma vez porque tinha medo. Street fechou a porta atrás deles. — Agora queremos descobrir por que uma garota de quatorze anos preferiu enfrentar o mundo sozinha... a voltar para casa.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD