Os três permaneceram em silêncio por alguns segundos.
Fênix continuava de pé diante deles, o queixo erguido em desafio.
Foi Street quem falou primeiro.
— A gente só quer saber por que a nossa mulher sumiu.
Fênix soltou uma risada debochada.
— Nossa mulher? Sério?
Vandal cruzou os braços.
— O nosso vínculo.
Oslo completou, com a voz mais baixa:
— A nossa Luna.
Ela olhou para os três como se tivessem perdido completamente a sanidade.
— Muito engraçadinho da parte de vocês.
Street a encarou.
— Não é engraçadinho, Fênix.
O tom dele ficou firme.
— Você sabe muito bem que é nossa.
Os olhos dela brilharam de raiva.
— Por que eu sumi? Porque eu quis.
Ela deu um passo para trás.
— E agora? O que vocês vão fazer? Vão me trancar de novo?
O sorriso dela foi amargo.
— Vamos, deixa eu adivinhar. Aqueles porões.
Ela desviou o olhar por um segundo.
— Quando eu era pequena, eu tinha tanto medo daqueles porões...
Sua voz perdeu parte da força.
— Eu tinha medo do escuro. Medo de ficar sozinha lá.
Depois voltou a encará-los.
— Podem me trancar fiel lá. Poderosos Alfas. Os grandes donos da alcateia.
Vandal apertou o maxilar.
— Você quer ficar revoltada? Pode ficar.
Oslo deu um passo à frente.
— Mas a gente vai falar isso uma única vez.
Street manteve os olhos fixos nela.
— Dessa vez, você não vai fugir mais da gente.
Fênix deu uma gargalhada curta.
— Vocês não podem me prender.
O olhar de Street ficou frio.
— Claro que podemos.
Ela ficou imóvel.
— Você sabe muito bem como o nosso mundo funciona.
Vandal continuou:
— Você pertence à nossa alcateia.
— Eu não vou me vincular a vocês! — ela explodiu. — Não vou!
O silêncio caiu sobre a sala.
Então Oslo respondeu calmamente:
— Tudo bem.
Fênix piscou, surpresa.
— O quê?
— Se você não quer se vincular a gente... a escolha é sua — disse Oslo. — Nós não vamos forçar um vínculo.
Os olhos dela se estreitaram, desconfiados.
— Então eu posso ir embora?
Street deu um pequeno sorriso.
— Tentar fugir da gente de novo é algo bem diferente, Fênix.
Ela deu meia-volta imediatamente.
— Ótimo. Então eu escolho ir embora.
— Não — respondeu Vandal.
— Eu disse que não quero ficar!
Ela tentou passar pelos três.
Street segurou seu braço antes que ela alcançasse a porta.
— Vamos embora.
— Não quero.
— Fênix...
— Eu disse que não quero!
No segundo seguinte, Vandal simplesmente a levantou do chão pelo braço, ignorando os protestos dela.
— Ei! Me solta!
Ela começou a se debater.
— Vocês continuam insuportáveis!
Oslo abriu a porta enquanto Street caminhava ao lado deles.
— E você continua achando que tem alguma voz contra os seus donos — respondeu Vandal.
— Eu não tenho donos!
— Tem razão — disse Oslo, olhando para ela. — Donos não.
Fênix franziu a testa.
— Então o que vocês são?
Street respondeu sem desviar o olhar dela:
— A sua família.
Ela ficou em silêncio por um segundo.
Então bufou.
— Que família h******l.
Vandal soltou uma risada inesperada.
— Cinco anos longe e continua respondona.
— E vocês continuam mandões.
Enquanto caminhavam pelos corredores da enorme mansão da alcateia, Fênix percebeu algo estranho.
Não estavam indo em direção aos porões.
Ela ficou tensa.
— Para onde vocês estão me levando?
Ninguém respondeu.
Subiram as escadas.
Passaram pelo corredor principal.
E pararam diante de uma porta dupla de madeira escura.
Street abriu a porta.
Fênix arregalou os olhos.
O quarto era enorme.
As paredes tinham sido pintadas com tons claros. Havia estantes cheias de livros, uma lareira acesa, roupas novas organizadas, vasos com flores frescas e uma enorme janela com vista para a floresta.
Não havia grades.
Não havia correntes.
Não havia escuridão.
— O que é isso? — perguntou ela, desconfiada.
Oslo respondeu:
— Seu quarto.
— Eu não vou ficar aqui.
Vandal a colocou no chão.
— Você já fugiu uma vez porque tinha medo.
Street fechou a porta atrás deles.
— Agora queremos descobrir por que uma garota de quatorze anos preferiu enfrentar o mundo sozinha... a voltar para casa.